segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Adiós Mercedes

Há quem profetize que o segundo semestre de 2009 é amaldiçoado para os cantores cujos nomes iniciam com "M". Primeiro o Michael e agora a Mercedes.

Quais seriam os próximos cantores a vestir o paletó de madeira? Marisa Monte? Maria Bethânia? Milton Nascimento? Maria Rita? Mara Maravilha? Maurício Manieri?! Tomara que mais ninguém...

Fica aqui a homenagem à La Negra, Mercedes Sosa, cuja estupenda voz vai nos deixar muitas saudades...



terça-feira, 14 de julho de 2009

O dia em que não desceu

Eduardo está estranho hoje. Acordou bem cedo mas ficou enrolando na cama até quase 11h. Só saiu do quarto por não conseguir mais dormir em paz porque (de acordo com seus cálculos) a empregada passou o aspirador de pó em cada livro da estante da sala umas 5 ou 6 vezes.

Quando se deparou com sua imagem no espelho, Eduardo disse a si próprio: ou minha cabeça cresceu, ou minhas entradas estão mais próximas de encontrar a saída. Ele também reparou que as sobrancelhas estão taturanística e capilosamente se unindo. Desceu pra tomar o café e bebeu um copo de leite com 4 colheres de achocolatado - das cheias - e comeu dois pedaços de pizza de calabresa que estavam na geladeira desde ontem.

Sem demora ele voltou ao seu quarto pra arrumar a mochila do futebol. Flagrou Napoleão mastigando sua chuteira e, num acesso de raiva, Eduardo deu um coice que fez o pobre labrador rodopiar no ar e sair chorando. Depois de constatar que a chuteira estava só um pouco ensalivada, sentiu profundo remorso por haver maltratado seu fiel amigo. Chorou, beijou e abraçou seu cachorro, lhe prometeu nunca mais encostar um dedo nele. Embora Napoleão parecesse não ter guardado mágoa - retribuiu com salivosas lambidas o acesso de carinho do seu dono - Eduardo decidiu levá-lo para um dia de príncipe no pet shop como forma de compensar tamanho ato de brutalidade.

Napoleão pôde ir no banco da frente e, para demonstrar sua alegria, colocou a cabeça pra fora do carro e latia amistosamente para todos os carros, motos, pedestres e cachorros que via na rua. A cena patética fez Eduardo ficar emocionado e com os olhos marejados: como pode um cachorro tão dócil ainda gostar de um dono tão malvado?! Ele aproveitou que Napoleão havia entrado para começar seu tratamento de beleza, e comprou um pequeno mimo, um pote de biscoitinhos de chocolate. Quando foi guardá-los no carro, Eduardo comeu mais da metade.

Como hoje era o dia que a empregada não faria almoço, Eduardo passou na padaria pra comprar alguma coisinha e esse foi seu almoço: uma mousse de limão, biscoito de queijo e uma caixa de Bis. Lembrou que o futebol fora remarcado pro início da noite e passou na locadora pra locar alguns filmes antigos. Pegou "Ghost", "Uma linda mulher", "Um amor para recordar", "História de nós dois", "Noiva em fuga", "Doce Novembro", "Casamento do meu melhor amigo", "Nothing Hill", "Como se fosse a primeira vez", mas levou somente 5 últimos. Só teve tempo pra assistir os 3 últimos e quase chorou com todos eles.

A Sessão Cinema em casa fez Eduardo perder hora do futebol e como ele atrasou o início da pelada, foi obrigado a jogar no gol. Sua má atuação lhe rendeu o apelido chistoso de Duda Frangueira. Ele ficou com um baita nó na garganta e irritado a tal ponto de nem querer jogar o segundo tempo e sair sem despedir dos amigos. Foi pra casa pra terminar de ver os filmes.

Entre a bacia de pipoca e a garrafa de refrigerante, Eduardo não estava mais emocionado mas sim reflexivo. Depois de assistir "Noiva em Fuga", ele teve a brilhante ideia de desmanchar o noivado e toda briga estava bem ordenada na sua cabeça. Ele demonstraria toda sua chateação por Fernanda passar um dia inteiro sem telefonar e também por nunca haver dito que não gostava de sua obra-prima culinarística, a omelete à moda do Eduardo.

Passou não pouco tempo até que Eduardo criou coragem de ligar para sua noiva. Suas mãos estavam suadas, a voz embargada e os olhos escorreram abundantes lágrimas quando ouviu "telefone desligado ou fora da área de cobertura". Na segunda tentativa enfim conseguiu. Impaciente com os soluços e com o assunto sem nexo, Fernanda pediu que Eduardo ligasse amanhã, não tão tarde e não tão bêbado.

Naquele mesmo instante, a irmã de Eduardo chegou e flagrou a patética cena: um homem com quase 30 anos chorando com a cara enterrada nas almofadas do sofá. Com calma ela deu colo ao Eduardo e pacientemente ouviu as inúmeras e lamúrias e desventuras de seu dia. Depois de refletir um pouco, ela disse a Eduardo:

- É, agora você já sabe o que sentimos quando estamos "naqueles dias". Mano, você só pode estar de TPM!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Pausa pro café

Michael Jackson morre, a Farrah Fawcett morre, cento e tantos outros não tão famosos, a bordo de um Airbus também morrem. Cento e tantos outros noutro Airbus também morrem e só uma menina sobrevive. Gripe suína mata uma penca de gente, e Buenos Aires fica em estado de alerta. Honduras ganha novo presidente, Corínthians ganha a Copa do Brasil. Sarney perde apoio e tá pra perder a cadeira.

Trabalho, seminário, resenha, resumo, prova. Curso, bolsistas, coordenadores, tchongos, edital, passagens, Outlook entupido, hora do almoço (quando almoço) esprimida. Prova, casório, concurso, livro, Bíblia, namoro, bronca, cabo, viagem, vídeo, apresentação, bilhete, dinheiro, viagem, sapato, faxina. Se isso tudo fosse tudo, ainda ia... Tendo que se virar em trinta, quem é que tem tempo pra viver? Eu até que consigo viver mas, manter meu blog atualizado não dá. A cadeira da criatividade que já está vazia, agora está é fria.

aproveitando uma pausa pro café pra dar o ar da graça aqui no meu blog e dizer desculpa, jajá volto a postar algo leível... rsrs Quero aproveitar a oportunidade de deixar um abraço aos persistentes leitores e acompanhadores deste blog moribundo! Quero também mandar um beijo pro meu pai, pra minha mãe, pra Susha e pra Xaxa também...

__________

quarta-feira, 17 de junho de 2009

O fator Quixote

Faz algumas semanas que minha vinda ao trabalho, de ônibus, vinha sendo mais culta. Estava lendo um livro que há muito tempo queria ler, e acabei lendo "Don Quijote de La Mancha", na sua edição espanhola mesmo. Para quem não se lembra, o livro conta a história de Dom Quixote, um fidalgo que acreditava ser um cavaleiro andante e que acreditava, entre outras coisas, que os moinhos de ventos eram gigantes.

Para encurtar a história, no fim das contas Dom Quixote morre. Para arrematar a melancolia do triste fim do livro, o autor traz o que escreveram no epitáfio do nobre cavaleiro andante:

Tuvo a todo el mundo en poco
fue el espantajo y el coco
del mundo en tal conyuntura
que acreditó su ventura,
morir cuerdo y vivir loco

O livro retrata uma realidade muito triste e que nós não atentamos: o medo da realidade (ou a falta de seriedade para com a realidade). E incrível como nos desprendemos da realidade e não nos empenhamos em cumprir nossas metas, realizar nossos sonhos. Deleitamos no doce mundo da imaginação enquanto o fel do mundo real está um verdadeiro caos.

Quase que em regra, temos ao nosso alcance o poder para fazer quase tudo que quisermos. É possível ser bailarina, piloto de kart, falar francês ou escrever um livro antes do prazo de validade dos sonhos, os 25 anos. A pergunta é: se podemos, por que não fazemos? A resposta é simples: é mais fácil sonhar que acertamos na loteria, é mais fácil contentar com uma faculdade menos difícil, é mais cômodo postergar infinitamente nossos planos.

Nossa "loucura" nos faz desperdiçar muitas oportunidades e subestimar nossas potencialidades. O pior de tudo é que só nos damos conta disso depois, gostamos de chorar o leite derramado. Igual ao Dom Quixote, só recobramos nossa sanidade, nos damos conta da nossa loucura, burrice e irresponsabilidade no fim da vida ou quando não dá mais pra remediar a situação.

Fica a dúvida: será nossa sina viver Don Quijote e morrer Alonso Quijano?

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Tá faltando algo n'A Cabana?

Bem, como o final de semestre tem me deixado mais enrolado que pau de fumo, quero compartilhar com vocês um excelente artigo publicado na Revista Ultimato na edição de Maio/Junho 2009.

O texto é meio longo, mas muito bem escrito, merece ser lido. Deleite-se!

__________
"A Cabana" precisa de N. T. Wright
Ronald Sider

Depois que comecei a ler o fantástico livro de William Young, “A Cabana”, não consegui mais parar. Felizmente, estava de férias em Maine, então tudo o mais poderia esperar até que eu chegasse à última página. Esse livro merece um lugar no topo da lista de “best-sellers” do “The New York Times”.

“A Cabana” oferece uma vívida descrição da Trindade, da surpreendente misericórdia e do perdão divinos e do convite insistente de Deus, que respeita a liberdade humana. Por várias vezes, Young pontua questões importantes: Deus é profundamente pessoal, mas não é homem nem mulher; Deus deseja curar nossas feridas mais profundas, mas não nos coage ao arrependimento; no centro da fé cristã está a maravilhosa intimidade de um relacionamento vivo e pessoal com o Criador do universo, que se deleita com nossa amizade mais do que podemos imaginar.

Certamente milhares de não-cristãos pegarão esse livro de título estranho e serão surpreendidos ao descobrir a atrativa figura de um Deus encantador e amoroso.

Porém, há um problema. Ao ler “A Cabana”, ninguém perceberia que o evangelho de Jesus são as boas novas do reino de Deus. A ilustração do evangelho e da fé cristã apresentada na obra é o clássico individualismo evangélico em sua melhor forma. O evangelho é o perdão dos pecados, a cura pessoal, os relacionamentos pessoais transformados e um relacionamento íntimo e pessoal com o Criador das galáxias.

Tudo isso é, de fato, maravilhoso. Se o evangelho se resumisse a isso, eu já ficaria perplexo com o esplendor do dom de Deus oferecido a nós. Contudo, de acordo com Jesus, o evangelho é tudo isso e muito mais.

Praticamente todos os estudiosos do Novo Testamento concordam que o evangelho que Jesus pregou eram as boas novas do reino. E ninguém explica isso de maneira mais clara e poderosa do que N. T. Wright.2 Jesus afirma ser o tão esperado Messias que surge nos tempos messiânicos, quando, conforme predisseram os profetas, Deus não apenas perdoaria nossos pecados, mas também começaria a transformar toda a criação decadente, a restaurar os relacionamentos entre Deus, o próximo, a terra e nós mesmos.

No cotidiano da igreja primitiva, podemos ver como a nova comunidade messiânica refletia a transformação das relações econômicas, sociais e étnicas. Na verdade, o pecado não foi totalmente derrotado nem mesmo na igreja. Porém, a ressurreição provou que a transformação definitiva de todas as coisas já havia começado quando Cristo voltou para concluir sua vitória sobre o mal.

O livro “Surpreendido pela Esperança”,3 de N. T. Wright, que também li nas férias, apresenta essas questões de uma forma simplesmente primorosa. Ele mostra como nosso destino final é viver com nossos corpos ressurretos em uma terra transformada (Rm 8.19ss) na presença do Deus vivo. Até mesmo a criação que geme será restaurada por completo. Até mesmo a glória das nações, o melhor da civilização humana, será livre desse mal e introduzida ao reino (Ap 21.24–22.2).

Wright nos ajuda a entender como Platão e o individualismo ocidental nos levaram a reduzir o evangelho de Jesus à salvação pessoal de almas individuais. A ênfase de Platão na alma (temos uma alma boa presa em um corpo mau) levou muitos cristãos a priorizar quase exclusivamente a salvação das almas individuais para que elas pudessem ir para o céu. Se o evangelho de Jesus for apenas isso, então é inútil cuidar da criação e trabalhar por justiça. Porém, se o evangelho de Jesus são as boas novas do reino onde tudo -- não somente nossas almas -- está sendo restaurado por completo, se o reino já começou e será consumado quando Cristo retornar para nos dar corpos ressuretos que celebrem e exultem numa boa terra, então nosso trabalho por justiça, paz e um meio ambiente restaurado é parte do plano completo de Deus.

Espero que o autor de “A Cabana” leia “Surpreendido pela Esperança”, de N. T. Wright. Ao fazê-lo, ele verá que tudo o que descreve de forma tão maravilhosa e vívida é bom e verdadeiro -- mas pertence a um contexto mais amplo. (Na verdade, em algumas ocasiões, ele modificará algumas coisas, como a sugestão de que Deus está interessado apenas em relacionamentos, não em instituições.) O Deus pessoal que ele descreve de forma tão bela está empenhado em restaurar não apenas os relacionamentos pessoais, mas também as estruturas sociais decaídas e até mesmo a criação devastada.

Talvez William Young entenda isso. Sua descrição da Trindade se deleitando na boa terra certamente mostra que ele não é um platonista. Porém, em “A Cabana” não há sugestão alguma de que o evangelho afeta as estruturas sociais, da mesma forma como afeta os relacionamentos pessoais. Espero que Young escreva mais narrativas que reflitam a totalidade do evangelho.

Se você ainda não leu esses dois excelentes livros, faça-o imediatamente. No entanto, à medida que você descobrir na fascinante descrição de Young como Deus se deleita em um relacionamento pessoal com você e comigo, lembre-se de que essa verdade gloriosa pertence a um contexto mais amplo no plano de Deus de fazer todas as coisas novas.

Notas
1. Texto enviado pelo autor. Publicado na revista “Prism” (edição de novembro/dezembro de 2008).
2. Autor de Simplesmente Cristão e O Mal e a Justiça de Deus, ambos pela Editora Ultimato.
3. A ser publicado no Brasil ainda este ano pela Editora Ultimato.


• Ronald Sider é editor da revista “Prism” e presidente da organização americana Evangélicos pela Ação Social. É autor de, entre outros, O Escândalo do Comportamento Evangélico (Editora Ultimato) e “Cristãos Ricos em Tempo de Fome”.

__________

quarta-feira, 20 de maio de 2009

E se...?

"aniversário"
a.ni.ver.sá.rio
adj (lat anniversariu) Que evoca a lembrança de um fato ocorrido em igual dia, um ou vários anos antes: Festa aniversária. sm 1 Dia em que se completa o tempo de um ou mais anos de um acontecimento. 2 Comemoração da volta anual de uma data em que se deu certo acontecimento. A. natalício: dia correspondente àquele em que nascemos.

No dia do meu aniversário me peguei pensando não no início da minha vida, mas sim no "fim" dela. É meio mórbido, mas achei muito bom pensar em morte no dia do próprio aniversário. Pude perceber que mesmo tendo um longo caminho a percorrer, se minha vida acabasse hoje, em minha lápide poderia ser ler algo do tipo "aqui jaz um homem feliz". Felicidade aquela que nem o Mastercard compra, que independe de circunstâncias, que não se baseia em pessoas...

Há uma musiquinha infanto-cristã antiguinha que diz mais ou menos:

"se o seu coração parar de bater agora
se você for embora,
para onde você vai?"

Pergunto a você: Precisaria de mais um tempinho pra ser feliz?

__________

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Vista a camisa você também!

"Tonico pega a bola, é bola na área vamos ver esse lance. Tonico chuta Whaldysnelçon. Whaldysnelçon rola a bola pra esquerda, no pé do Dedé Carvoeiro. Dedé Carvoeiro toca pra Andrezinho Gaúcho que se livra de dois. Tabela com Fernando Itaquera, pra Andrezinho Gaúcho, pra Fernando Itaquera de novo. Olha o perigo! Bola levantada, arriscou, cabeçeada de Jiló". Uma palavra em muitas letras basta para tirar do sério e da cadeira a enorme massa de gente suada, malcheirosa e descamisada. De repente, pessoas que nunca se viram mais gordas (ou mais molhadas) , estão aos pulos, gritos, prantos, xingamentos e amassos. "Gooooooooooooooooool!!!" A galera vai à loucura.

Não muito tempo depois, as mesmas mãos que apertavam mãos de desconhecidos agora pegam pedras e paus pra acertar outros desconhecidos. Não importa se é um pai de família, uma velhota fanática ou uma criança. Pedras, paus e palavrões são atirados contra quem quer que esteja com uma camisa da coloração do time rival.

É muito curioso observar certos comportamentos de muitos torcedores de futebol. Indo ao trabalho de ônibus, pude notar inúmeros carros com bandeiras de time de futebol. Vi também inúmeras pessoas usando a camisa do time vencedor. O comentário dos colegas, nos corredores e no cafezinho não era outro senão futebol.

Penso nas razões que levam as pessoas a ter tanto apego ao futebol. Tudo bem, futebol é muito divertido, é muito bom ter outras pessoas com quem conversar sobre, é bom estar sempre inteirado dos resultados, craques que serão contratados, etc. Mas isso é suficiente pra que o futebol (num bom jargonês futebolístico) se torne em paixão nacional? Que pode um time ou jogador de futebol fazer pra ser tão apaixonante assim?!

A paixão pelo futebol pode levar as pessoas a agir de forma engraçada, estranha e peculiar: uma camisa listrada de azul e vermelho sob um paletó; unhas coloridas de branco, preto e vermelho; cabelo mezzo amarelo, mezzo verde... Não há limites, não há reserva, não há bom senso pra expressar tanta paixão... Fico pensando: e se um dia esses torcedores de futebol viessem ao conhecimento de Deus e se convertessem? Será que se apaixonariam por Jesus tão intensamente?!

Em matéria de espontaneidade, alegria e amor à camisa, os torcedores de futebol dão de 10x0 em nós, cristãos. Numa fila de banco, se há duas pessoas falando de futebol, ninguém vai achar intrometido se um desconhecido encostar e começar a dar palpites. Nós, cristãos, aguardamos oportunidade pra falar de Jesus, de forma respeitosa, mesmo que a oportunidade a nós escancarada seja uma pessoa ao lado que revela estar em depressão. Os torcedores de futebol, ao se encontrarem após uma partida de futebol, se cumprimentam efusivamente mesmo sem se conhecerem. Nós, cristãos, ficamos envergonhados se um irmão nos cumprimenta, numa roda de amigos não-cristãos, com um indiscreto "paz do Senhor, irmão". Os torcedores de futebol são capazes de gastar dinheiro em loteria, pensando que vai ajudar seu time do coração. Nós, cristãos, pra ajudar a obra missionária contamos moedinhas e nem ficamos com peso na consciência se não trouxermos nada nos bolsos. Os torcedores de futebol são capazes de usar a camisa berrante do seu time no ambiente de trabalho ou em ambientes solenes como uma igreja. Nós, cristãos, mal temos coragem de usar uma camisa "I belong to Jesus" pra dormir e achamos brega quem tem coragem de usar pra ir à faculdade ou trabalho. Os torcedores de futebol são apaixonados por um time de futebol, mesmo que este tenha feito uma campanha ruim no último campeonato e se enriqueça às suas custas. Nós, cristãos, muitas vezes abafamos com uma falsa sobriedade, qualquer paixão que Jesus possa despertar, ao fazer tudo para nos amar, inclusive morrer na cruz em nosso lugar.

Antes de terminar aqui, não podemos ter em mente que o problema seja torcer por um time de futebol, ou qual time devemos torcer. Sem peso na consciência, torça e seja feliz! O problema, de fato, é a apatia de nós, cristãos, por Jesus. Deus nos atrai com laços de amor e Ele nos ama em primeiro lugar. Vista a camisa de Jesus! Se contagie e se deixe contagiar por tanto amor gratuito!

__________

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Mensagem subliminar



Vede cautelosamente vai
Um barquinho a vagar
E o vento que é o seu motor
Não o deixa parar

Minha vida é assim também
Não vive no mar
Mas vive a vagar
Sou um barquinho cruzador
Mas quem me conduz é o Senhor

Lá la la la la...

Vede cautelosamente vai
Um barquinho a vagar
E o vento que é o seu motor
Não o deixa parar

Minha vida é assim também
Não vive no mar
Mas vive a vagar
Sou um barquinho cruzador
Mas quem me conduz é o Senhor
Mas quem me conduz é o Senhor
Mas quem me conduz é o Senhor.

__________

terça-feira, 14 de abril de 2009

Mas será o benedito!!!

Uma dose de humor somada à uma mente ociosamente criativa é capaz de criar uma hipotética que nem a Lady Murphy de TPM é capaz de fazer...

"3 ladrões multirreincidentes roubaram um banco e o raptaram. Perseguidos pela polícia, conseguiram escapar, mas ele provocou um acidente. Quando voltou a si, não se lembrava de nada. Um ex-presidiário deu-lhe carona e, achando que era um fugitivo e enfiou-o num contêiner de partida para Istambul. Lá, topou com aventureiros afegãos que lhe propuseram roubar ogivas de mísseis soviéticos. Mas o caminhão passou numa mina na fronteira com o Tadjiquistão. Único sobrevivente, foi levado por montanheses e tornou-se militante “mudjahidin” [...] vai passar a vida comendo “bortsch” com um estúpido cachepô na cabeça."

Santa ansiedade hein companheiro Batman? Esquenta a muranga não, vai dar tudo certo no final...

__________

PS. Texto de "Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain", só podia ser... rs

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Quem é?

Quem...?

Que faz as mãos não saberem onde ficar?
Que faz das noites insones cheias de sonhos?
Que faz algumas horas parecerem eternidades?
Que faz o olhar perdido vaguear em pensamentos?
Que faz que algumas horas pareçam poucos segundos?

Quem é?

Ah, sabemos bem quem... A luz do olhar perdido certamente encontrará a luz desse outro olhar...

__________

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Um convite especial

Não sei se você pensa a mesma coisa, mas caramba! como o capitalismo conseguiu tão eficazmente banalizar a Páscoa a tal ponto que pouquíssimas pessoas sabem o que realmente significa a Páscoa?!

Hoje em dia ganhar um ovo de chocolate é passou pra lista de presentes oficial dos casais de namorados (como se já não bastasse dar presente de aniversário, presente de aniversário de namoro, presente de dia dos namorados, presente de natal, presente de ano novo)... E as crianças?! Que cárie que nada, dá-lhes chocolate. Pra elas até se criou-se um ritual de esconder ovinhos, pra só abrir no dia certo... Os adultos inventaram o tal do amigo-late, a desculpa pra confraternizar e entuxar chocolate uns nos outros.

Quem sabe o que é a Páscoa? Quem sabe o que se deve comemorar na Páscoa? Quem sabe que na Páscoa não comemoramos o nascimento de Jesus? Com tudo isso, quem tem muito a comemorar com a Páscoa são as fábricas de chocolate e os donos da Nestlé, Garoto, Lacta. Se você tá cansado de tanto chocolatismo, se você não sabe ainda o verdadeiro significado da Páscoa ou se você sabe o verdadeiro significado e quer comemorá-lo, eis um convite:

Musical de Páscoa “Acima de todos os Reis”
Data: 05 e 12 de Abril
Local: Igreja de Cristo em Brasília, EQS 305/306 bloco “A”, Asa Sul, Brasília-DF
Horário: 20h
Entrada franca

“Neste musical José de Arimateia, homem rico e influente, acompanha Jesus à distância e descobre, tarde demais, que não fez nada por ele a não ser pedir seu corpo a Pilatos. Junto com Maria, relembrando as profecias de Isaías, José de Arimateia constata que a ressurreição certamente ocorreria já que Jesus é o Filho de Deus.
Após refletir que sem a morte de Jesus não haveria a ressurreição, perdão de pecados, salvação, nem vida eterna, José de Arimateia e outros reconhecem que Ele é o Rei. Mas não um rei qualquer. Ele é Jesus, o Rei ‘Acima de Todos os Reis’”

__________

quarta-feira, 18 de março de 2009

Mundança de hábito: saia do seu quadrado!

Ontem, dia 12 de março de 2009, assisti pela enésima vez o filme "Mudança de Hábito". Me diverti, me emocionei e me insipirei pela enésima vez também. Há muito tempo cultivo o desejo no coração de escrever sobre este filme que, infelizmente não caiu nas graças dos cristãos como "Desafiando gigantes", "Paixão de Cristo", "Deixados para trás".

"Mudança de Hábito" é um filme precioso, repleto de sérias e profundas reflexões que a à Igreja Cristã e, infelizmente, menospreza ou deixa passar batido, não sei se pela ausência de sobrancelha da Whoopi Goldberg ou pelas inúmeras cenas engraçadas (ou quem sabe ainda por preguiça?).

Mas vamos pontuar alguns recados importantes que o filme traz e sobre os quais a Igreja Cristã deve dispensar muita atenção e ponderação:

- A Igreja deve ser um lugar agradável e atrativo às pessoas. Com esse ponto, muitas congregações cristãs se estrepam. Igreja tem que ter cara de Igreja, tem que ter jeito de Igreja, tem que ser Igreja enfim. Isso contudo não pode torná-la num lugar sonolento, desagradável, com uma programação maçante e hermética. A ação do Espírito Santo nas pessoas não produz sisudez, antipatia, frieza, muito pelo contrário. Às vezes muitos visitantes entram e saem das igrejas sem que ninguém lhe pergunte qual seu nome, sem receber um único aperto de mão. Que visitante vai voltar numa igreja como essa?

- A Igreja deve prezar por manter a sua identidade. Este é um desdobramento do ponto anterior, onde muitas congregações dispensam atenção e também se estrepam. Igreja não é cabaré, não é boate, não é clube, não é cassino. No afã de se tornarem contextualizadas (desculpem-me pelo termo) , muitas congregações abrem as pernas pro mundo, que vem com tudo e com força. A Igreja não deve deixar de ser um lugar de refúgio para cansados e oprimidos, lugar de encontro com Deus, de salvação e de poder de Deus e para ser uma opção para quem quer curtir a "night" de forma "light".

- A Igreja deve preocupar com sua relevância e pertinência. Ora, de que adianta haver um templo maravilhoso, com liderança bem formada se ambos não fazem a menor diferença na realidade da comunidade na qual estão "inseridos"? Há quem fique chateado ao se deparar com pessoas que dizem "ah, nunca reparei que esse prédio era uma igreja" (por incrível que pareça, ouvi isso num evangelismo, de um vizinho do templo da minha igreja...). A Igreja deve abrir suas portas e também bater nas portas da comunidade: se as portas da Igreja se fecham, as portas do Inferno estão 24 horas abertas e o caminho que as precede é suave e largo. Tanto o espaço físico quanto os talentos humanos não podem ser subutilizados em meio à uma comunidade que sempre possui inúmeras demandas.

- As qualidades, as potencialidades, as vocações, as profissões características dos membros e da Igreja devem necessariamente redundar em evangelismo. Neste ponto aqui operam a criatividade e a força de vontade, sendo que tudo é proveitosamente utilizado na principal tarefa da Igreja: difundir as Boas Novas do Reino de Jesus. Muitas vezes nos faltam, tempo, equipamentos adequados, dons e talentos naturais, mas, com tudo o que temos e com tudo que necessitamos, é dever da Igreja esforçar pra evangelizar. Quando deixarmos o amor ao próximo brotar em nossos corações, o evangelismo vai deixar de ser um fardo, um karma, para passar a produzir um grande gozo em nossos corações e vai ser um grande propósito em nossa peregrinação aqui na Terra.

Enfim, espero que meu caros leitores, amigos e companheirof de café possam assistir ao filme com outros olhos. Há muitas outras lições a serem aprendidas e aplicadas e que possamos mudar de hábito e sair do nosso quadrado!

__________

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Fez um milagre em mim

Há quem diga que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Não sei o porquê dizem isso, mas deve ser assim mesmo.

Na minha última postagem falei da minha tentativa de retornar à UnB, mais contando com a misericórdia de Deus e um milagre dEle. E foi o que aconteceu. Não fui atingido por um raio, mas a imensa e inexplicável misericórdia de Deus novamente operou um milagre em mim: passei no vestibular de novo sem nem um minuto sequer dedicado aos livros e aos estudos, mesmo sendo considerado "cor de papelão molhado".

Isso não tem outro nome senão milagre. Não devo esse feito à minha capacidade intelectual ou conhecimento acumulado, nem mérito pessoal, nada disso! Esse milagre é uma prova do imenso e constrangedor amor de Deus que não poupa esforços para cumprir suas promessas na vida daqueles a quem Ele ama.

Pois é, companheirof e amigos de café... Glorifico a Deus por isso tudo e compartilho um antigo hino que reflete bem meu atual estado de gratidão a Deus!

Soli Deo Gloriae!

__________

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O sonho acabou

Tudo começou numa bela manhã de segunda-feira da semana passada. Após fazer o ritual de sempre (buscar água com meu copo culinário, guardar a carteira na mochila, ajeitar os papeis antes de sentar à mesa, ligar o computador) abri meu e-mail e percebi que dentre tantos spams havia um e-mail da UnB. A notícia incendiou de esperança meu coração: fui selecionado para participar de entrevista para concorrer à uma vaga pelo sistema de cotas para negros.

Eu não me lembrava que havia me inscrito no vestibular para o sistema de cotas. Aliás foi um ato falho pois não havia vantagem alguma em ser cotista, uma vez que a concorrência para o meu curso é de 10,9 candidatos/vaga no sistema universal e de 10,5 candidatos/vaga no sistema de “cotas para negros de cor preta ou parda”. Mas tudo bem. O fato de receber um tipo de “atestado de negritude” já me deixaria bastante feliz. Aliás, mais feliz que ter passado no vestibular outra vez.

O tempo foi passando e o dia marcado para a entrevista foi se aproximando. À medida que os dias passavam, mais aumentava a ansiedade. Não fazia a menor ideia sobre o que eu seria questionado muito menos do que iria responder. Tolice: nem pensei sobre, nem procurei saber. “Ah, sei lá, na hora eu vejo” foi o que pensei.

Hoje foi o grande dia. Suei frio, uma pontada de dor de barriga. Antes pensava que ia receber o Nobel da Negrice ou o Príncipe das Astúrias Africanas, mas saí depois da entrevista tenho a convicção que, no máximo, eu seria achincalhado antes de dobrar a esquina: “hahaha é o amarelo mais amarelo que já vi em toda minha vida”.

Deixa contar como foi a entrevista.

Tinha tudo planejado em minha mente: eu iria ao local marcado como quem estivesse procurando a namorada que ia fazer a entrevista. Se estivesse muita gente na minha coloração eu diria que também iria fazer a entrevista. O estratagema falhou. Chegando ao local, fiz cara de paisagem e saí em passos firmes como quem sabe aonde vai (ou ao banheiro ou à sala do orientador da pós-graduação que não faço). Mas fui interceptado por alguém que perguntou se iria à entrevista para cotas e me indicou o caminho certo. Não consegui mentir, fui ao caminho indicado me identificar.

Fui encaminhado a uma sala mais adiante e, como estava muito envergonhado, baixei a vista e não olhei para quem estava na sala. Só fui perceber que não era o único desbotado quando rapidamente olhei as pessoas que estavam sentadas à minha frente. Assinei um termo de compromisso com as declarações que eu iria proferir logo mais. “Perante os céus e a terra juro que não mentirei sobre minha opção coloral” foi o que eu supus que a banca queria dizer. Estava com um jornal, não muito recente, mas era um bom disfarce para minha forjada introspecção. Algo engraçado me aconteceu com meu rosto, quase me senti um pavão flertando uma pavoa: minha bochecha inchou, meus lábios projetaram-se pra fora e minhas narinas se alargaram. Por mais incrível que pareça, todos esses movimentos foram e impensados e naturais.

Alguns minutos depois fui chamado à uma sala. Havia uma jovem simpática (e negra), uma senhora sisuda (e negra), uma mesa, uma cadeira, câmera, um microfone (e o operador dessa parafernália, não-negro). Me perguntaram sobre como eu me sinto sendo um homem negro, se já fui vítima de preconceito, qual minha opinião sobre o preconceito no Brasil, qual meu curso pretendido, qual motivo de ser candidato à uma vaga pelo sistema de cotas e de onde eram meus pais. Me embananei todo pra falar e só consegui responder com segurança à última pergunta. Puxa, que frustração!

Não sei se é uma impressão minha mas penso eu que, pelo teor das perguntas, a banca estava buscando pessoas com perfil de militante do movimento negro. Olha, não é todo negro que é coitadinho, vítima de preconceito. Nem todo negro tem consciência que é negro porque muitas vezes a consciência de negritude se restringe ao tom da pele da pessoa e muitas vezes, como no meu caso, a pessoa pode ser mesmo sendo o mais amarelo que qualquer amarelo que já vi em toda minha vida.

Ora, a negrice não está na cor da pele ou na textura do cabelo das pessoas. Está no sangue. Muitíssimos quase 100% dos brasileiros não tem apenas um mas os dois pés na África. Não quero entrar nas pencas de arcabouços que discutem o sistema de cotas para negros não. Sou um ávido defensor das cotas, mesmo não tendo a menor intenção de me aproveitar delas. Aliás, esta postagem aqui é um desabafo de um recalcado que vê os sonho escorrendo pelos dedos e meu Príncipe das Astúrias Africanas bater asas... Eu sou negro sim! I’ma nigga ma brow!

__________

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Bem maior que eu

Hoje trago a vocês, queridos leitores, companheiros, vizinhos e internautas em geral um pequeno vídeo. Ele traz uma bela canção que reflete meu ardente desejo de servir a Deus e fazer sua vontade.

"Senhor, não importa quando, como e onde. O chamado do Senhor para mim é maior que meu entendimento, que minha vontade, é maior que eu mesmo. A Ti eu digo 'sim', digo 'eis-me aqui'".

__________

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Mais uma caneta... As vozes!

17 de janeiro de 2009, meio-dia e tantos minutos. Suor às bicas, passadas largas, rápidas e firmes. Sobre a cabeça um sol escaldante daqueles dias que antecedem uma boa chuva. A única companhia (além da dos milhares de concorrentes) é a da inseparável Jurema.

Sábado, comprei mais uma caneta preta, de corpo transparente e tinta preta, tal qual está especificada no edital. Pra variar, esqueci minha BIC em casa, mas não, não estou fazendo coleção de canetas. Na verdade o que estou fazendo é me submeter à mais uma prova de vestibular. UnB é o destino, retomar meu curso de Licenciatura em Língua Espanhola e Literatura Espanhola e Hispanoamericana. Mas antes de chegar lá tive que fazer um pit-stop no Centro Educacional Sigma da Asa Sul...

Chego na sala e dou de cara com um monte de vestibulandos típicos: roupas tipicamente adolescentis, caras malbarbadas e espinhentas. É, um monte de coisas passou pela minha cabeça como num filme. A coisa que martelou por mais tempo é uma frase de uma amiga “aos 25 anos o sonho de ser bailarina definitivamente acaba”. Nunca alimentei um sonho de ser bailarino (nada mais ridículo seria eu usando colan! rsrs) mas o peso da idade me passou pela cabeça. Minha consciência em vão me disse “ah Ricardo, mas é seu segundo curso... Estamos com crédito” mas nem de longe fui convincente “ah, você tá velho mesmo” foi a terceira voz a me falar comigo mesmo.

Mais tarde, depois de feita a prova, pude perceber que essa situação de desconjuntamento não era outra coisa senão uma incrível sensação de perda de tempo (isso não foi soprado por uma quarta voz interior... hehehe).

“Puxa, mas pra quê dois milagres?”
“Não sei se vou ter paciência pra passar tanto tempo numa universidade”
“E nem sei se é bem isso o que eu quero...”
“Cala a boa idiota”
“Idiota é você, seu idiota. Se eu sou você, e você me chama de idiota, logo somos dois idiotas ou no mínimo idiota ao quadrado!”

É... Deixe que as vozes fiquem falando abobrinha entre si. Vou ver no que vai dar essa prova. Vai que eu tenha que sair correndo pra comprar outra caneta, às vésperas de uma aula na Terra Prometida?! Conto pra vocês como foi...

__________

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

O que é um curtametragem

Você pode estar se perguntando agora o que significa "curtametragem". Boa pergunta por sinal. Pra começar, vá na gaveta de costura e pegue uma fita métrica e reserve.

Há um tempo atrás (muito tempo diga-se de passagem), as pessoas entendidas da coisa classificavam os filmes pelo tamanho do “rolo” que eles usavam. Pois é, pode ser surpresa pra você (que só assistiu o remake de “O Exorcista” ou que foi ao cinema pela primeira vez pra assistir “Procurando Nemo”) mas há não muitos anos atrás, os cineastas só rodavam seus filmes em longos rolos de filme parecido com aqueles Kodak que seu avô usava na "câmara" fotográfica.

Agora que você já sabe como que eram os filmes de antigamente, deve estar se perguntando a pergunta inicial da nossa conversa. Lembra da fita métrica? Pega lá. Essa fita deve ter aproximadamente 1 metro. Entenda a comparação: um filme normal que você gasta um copo de refrigerante e um saco de pipoca, é feito num rolo que é 1.600 vezes maior que essa fita métrica. Pra você ter ideia, se você fosse medindo em linha reta com essa fita métrica, daria pra você ir das redondezas de sua casa (caso você more em Brasília) até Porto Alegre. Mas se você fosse de carro, você ficaria em Florianópolis depois de medir metro a metro e se você não tiver morrido de dor nas costas antes.

Como disse, 1.600 metros é o tamanho de um filme normal, o chamado longametragem, que dura mais ou menos 1 hora e alguns minutos. Aí você me pergunta: tá, e um curtametragem? Bem, um curtametragem dura não mais que 20 minutos e, por isso, é um filme que gasta bem menos rolo e, por conseguinte, gasta bem menos dinheiro também.

Muitas vezes o curtametragem é documentário, desenho animado, ou filmes tipo B ou filme Cult. Pra ter algum tipo de charme, os filmes curtametragem do tipo Cult, geralmente, são meio esquisitos e ninguém gosta. E quando alguém gosta, geralmente, é alguém esquisito. Não se preocupe nem se espante se esse esquisito for amigo de certa uma amiga sua. hehehe

Você já assistiu algum curtametragem? Já passou pela sua cabeça “que coisa é essa, não entendi nada, faria porcaria melhor”? Pois é, você nunca teve oportunidade, ou um empurrãozinho pra mostrar ao mundo o seu talento dramatúrgico-cinematográfico? Ou pelo menos nunca viu um curtametragem que tenha gostado? Ah... aguarde... Novidades à vista aqui, no seu, no meu, no nosso, no vosso nos deles: ricardoemprosa. Em breve!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

De muitas mãos, à prima donna

Queria ser breve na apresentação deste texto. Este texto foi lido na apresentação do coral que eu faço parte, em homenagem à regente que, mesmo em meio à dor da morte do seu irmão, buscou forças em Deus para levar adiante a Cantata de Natal deste ano.
__________
Nesta época do ano comemoramos o Natal, o nascimento do nosso Salvador, Jesus Cristo. É tempo de festas, confraternizações. É tempo também que as pessoas se tornam mais solidárias e generosas. Este é um tempo de grande alegria, tempo de nos lembrar de Deus que, em seu infinito amor, mandou seu filho unigênito para nos salvar. É tempo de nos reunirmos com nossas famílias e comemorar essa feliz data.

Mas, ao pensar em Natal, o Deus que se tornou bebê, pensamos também no propósito da sua vinda a este mundo: Jesus nasceu para morrer. Ele deu sua vida para que, com sua morte, nós tivéssemos vida e vida em abundância. Pensamos na morte de Jesus: fria, impassível, violenta. Um ódio inexplicável, uma morte tão prematura...

A história se repete. Em meio a essa época de tanta alegria, a morte vem de forma repentina: fria, impassível, violenta, inexplicável. Ficamos atônitos e não conseguimos compreender. Qual seria o propósito de Deus, sabendo que tudo não foge do controle de das mãos dEle? Enfim, essa reposta não temos.

Mas, ante a essa dúvida, e a perplexidade e dor da morte prematura, vemos uma família testemunhar de forma serena, mas firme, a sua fé em Deus. Essa é a família da nossa amada regente, Priscila Martins Bispo. Uma família que tem dado uma lição de fé que toca profundamente nossos corações. Há sim, a dor da separação prematura, mas há também a união, serenidade e adoração e louvor a Deus, que não dá espaço para murmurações, lamentos e sentimento de vingança ou ódio.

A nossa querida e amada Priscila, mesmo num momento de dor, é fiel a Deus. Pensamos e até a vemos como uma moça frágil, mas ela nos surpreendeu com uma força inacreditável. Você pode se perguntar, de onde vem a força da Priscila pra organizar ensaios e reger a essa apresentação que você acabou de assistir? A força de Priscila vem do Deus que ela crê!

Priscila, querida, sua demonstração de fé encoraja todos nós a continuarmos firmes em nosso propósito e com nossos olhos fixos em Jesus, o autor e consumador da nossa fé. Sua família não está completa nas comemorações desse natal. Mas, certamente, você pode encontrar em nós, a Igreja de Cristo em Brasília, uma família que te ama e que te admira. Como um corpo vivo, todos nós sentimos a sua dor, mas, muito mais nos alegramos ao ver Deus agindo em você, te dando força pra continuar.

Muito, muito obrigado pela sua dedicação, carinho e tolerância com todos nós do Coral. Estamos todos agradecidos, de coração, pelo amor que você demonstra a todos nós, coristas, e que é, certamente, recíproco. Deus abençoe, sempre, você e sua família exemplar.

Hoje vocês aplaudiram a Deus, aplaudiram aos nossos músicos, aplaudiram a nós, coristas, pela apresentação que vimos há pouco. Quero convidar a todos que, de pé e com aplauso, recebamos nossa amada e querida “prima-dona”, Priscila Martins Bispo. Pri, Xexéu, regêntia preferida, te amamos!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Apartheid à brasileira

Olá amigos, leitores e internautas desavisados!

Alguém se lembra quando foi o fim do Apartheid? Dizem que foi em 1994 com a eleição de Nelson Mandela presidente da África do Sul. Pode ser que essa eleição pode significar o fim do Apartheid na África do Sul, mas no Brasil não.

Guardadas as proporções e peculiaridades, no Brasil do século XXI há quem faça a surreal proposta de issureição do Apartheid, uma segregação social. Um pequeno grupo de burgueses reacionários, decadentes, preconceituosos e atrasados se mobilizam em prol do desmonte de uma escola pública em um "bairro" não tão nobre de Brasília, a Asa Sul, mais especificamente o Centro de Ensino Fundamental 02 de Brasília, na SQS 107. O que piora a situação é que estes burgueses tem "costas-quentes" com figurões no GDF, Secretaria da Educação e tem conseguido levar adiante este plano de desmonte do CEF 02.

O texto que trago abaixo é um desabafo de uma mãe de aluno, presidente do conselho escolar do CEF 02. Caso você seja um ex-aluno, amigo ou parente de aluno ou mesmo um cidadão antenado com tudo que se passa não deixe passar batido: denuncie, passe adiante, coloque a boca no trombone. Juntos somos muitos e somos fortes!

__________

O que você acharia se soubesse que a escola onde seu filho estuda, em pleno Plano Piloto da Capital Federal está na iminência de ser fechada. E pior, pasmem, por puro preconceito de alguns moradores da "ilha da fantasia" das quadras da Asa Sul. Pois é exatamente isso que está acontecendo com o Centro de Ensino Fundamental 02 de Brasília, conhecido como CEF 02 e que atende mais de 500 alunos das séries finais do ensino fundamental, ou seja, 5ª a 8ª.

A Escola, de qualidade, funciona há 15 anos com essas séries e já esteve no ano passado no 4º lugar do Ideb, além de ter alunos que venceram a Olímpiada de Matemática. No início da construção de Brasília, quando o urbanista Lúcio Costa planejou o Distrito Federal, a Escola atendia da 1ª a 4ª séries. Com o tempo, as crianças da quadra cresceram e a demanda para essas séries iniciais diminuiu. Então, o Conselho de Educação do Distrito Federal decidiu dar nova destinação ao CEF 02 e atender aos alunos de 5ª a 8ª que era e é a grande demanda.

Então, ali estudam adolescentes, que na grande maioria, são moradores das cidades satélites e que os pais optaram pela escola no Plano Piloto pela falta de vagas no seu bairro e até pela proximidade do local de trabalho. Isso vinha funcionando bem, com as limitações que o ensino público têm e que todos sabemos, mas a Escola tem professores excepcionais, comprometidos com a educação e não fica atrás de nenhum colégio particular. Mas, no final do ano passado, como mãe de aluno, tomei conhecimento de que alguns moradores da SQS 107 haviam feito um abaixo-assinado, com 60 assinaturas apenas, de alguns "abastados" que se consideram melhores, ou ainda, imortais, pedindo o retorno do CEF 02 ao atendimento das séries iniciais. Na mesma ocasião, houve eleição para o Conselho Escolar do CEF 02. Preocupada e atendendo ao chamado de alguns professores que não tinham conseguido nenhum representante dos pais de alunos, me candidatei e fui eleita para o Conselho Escolar. Com isso, fui atrás da questão, mas não consegui nenhuma informação concreta. Não tive acesso ao abaixo-assinado na época e achei que a coisa não iria prosperar. Puro engano. Já no ano passado, a escola não aceitou as matrículas da 5ª série por determinação do GDF, no início da operação de apartheid social colocada em ação pela Secretaria de Educação do governo Arruda. No início deste ano, novamente o assunto foi ventilado na Escola e eu tentei apurar a questão, sem êxito. Ninguém sabia ao certo o que estava acontecendo, apenas que havia um abaixo assinado e que esse era o motivo da escola ter ficado sem 5ª série. Bom, em maio deste ano, o governo Arruda, numa atitude de total arbitrariedade começou a fechar os laboratórios de informática de diversas escolas, inclusive do CEF 02.

Houve mobilização e o Conselho Escolar encaminhou ofício para a Secretaria de Educação para uma explicação sobre o fechamento dos laboratórios e os boatos de suposto desmonte da Escola. Não houve resposta. O que não sabíamos é que o governo Arruda já estava com tudo preparado para desmontar mesmo o CEF 02 sem ouvir a comunidade escolar, apenas atendendo o "apelo" dos moradores da quadra.

Dois representantes do Conselho Escolar foram então à Regional de Ensino, na Asa Norte e ao conversar com a funcionária Izabel, que estava substituindo a diretora, não conseguiu quase nenhuma informação sobre o fechamento da escola. Foi dito apenas que havia "uma decisão judicial" para o CEF 02 voltar a atender de 1ª a 4 série. A funcionária não teve nenhuma boa vontade para falar sobre o tema, dizendo que era preciso protocolar o questionamento. Solicitei o processo, mas foi negado. Mesmo tendo pouco conhecimento jurídico, sabia que um documento público não poderia ser negado e ao dizer que entraria com um habeas-data, parte do processo me foi dado. Apenas o abaixo-assinado onde os moradores só faltam chamar os alunos de marginais, e um parecer de um arquiteto do GDF, que no seu parecer afirma que não existem estudos comprovando anomalias educacionais como afirmam os moradores, apenas porque o espaço da escola é pequeno.Vale dizer que com esse "argumento" de que seria melhor e mais adequado retornar a 1ª a 4ª séries, os moradores apenas procuram chegar ao objetivo maior: fechar a escola. Isso porque como não há demanda dessas séries e sim de 5ª a 8ª, eles teriam "o novo e bom argumento" de que "se não há alunos, vamos fechar".

Desde maio deste ano tenho tentado, como presidente do Conselho Escolar do CEF 02 uma solução para barrar essa discriminação que tem total apoio do GDF e que não se restringe apenas ao CEF 02. Existe na verdade um movimento orquestrado pelo governo Arruda para desmontar as escolas públicas do Plano Piloto, porque "desagrada" os moradores da "ilha da fantasia" conviver com meninos e meninas de uma classe social diferente e que moram em cidades satélites. O mais engraçado é que os "filhinhos de papai" que moram nas quadras da Asa Sul podem circular com seus cachorros pitbulls, fumando maconha que não são importunados. Eu pergunto: Quem matou o índio pataxó queimado em um ponto de ônibus do Plano Piloto? Foram alunos de escola pública? Não, quem matou o índio Galdino foram jovens de classe média alta, que ainda hoje recebem benesses da "justiça?!".

Pois é, gente, nesta confusão toda consegui sugerir a pauta para o jornal Correio Braziliense, que teve todo interesse em mostrar como o plano urbanístico de Lúcio Costa está sendo detonado. No entanto, pasmem de novo. A matéria não saiu. A repórter não tem explicação. Mas, não precisa ser muito inteligente para saber quem impediu a veiculação da reportagem. Inclusive, vale ressaltar que o diretor do CEF 02, diretor tampão que não foi eleito, e sim "indicado" pelo governo Arruda, não tem nenhum compromisso com a escola.

Depois de ler tudo isso, gostaria de pedir um momento de reflexão. O que realmente estamos fazendo como cidadãos, como cristãos pela nossa sociedade? Estamos realmente preocupados com o bem-estar geral ou continuamos olhando apenas para nossos umbigos e nossa vidinha.

Vamos nos mobilizar e impedir, ou pelo menos tentar, esse absurdo. É momento de abrirmos escolas e não fechar!!!.

Gizele Benitz, presidente do Conselho Escolar CEF 02 de Brasília, cidadã.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Dúvidas sobre ficar que um folheteen traz

Esta é praticamente mais uma postagem que inaugura a série "A vida imita a arte", que neste caso, arte é com "a" minúsculo e merece boas aspas. Esta postagem foi motivada pela inquietude que o verbo substantivado que impera sobre os "relacionamentos" do século XX e XXI, "ficar" traz.

Sinceramente, não consigo entender como um casal que muitas vezes nunca se viram e/ou não se gostam o suficiente para poder se acariciar, beijar e transar. Acho tudo isso muito incoerente e um tanto esquizofrênico. Quando o casal em questão é de adolescentes, talvez o fato da efervescência hormonal possa amenizar a incoerência da situação. Mas, quando o casal não está tão próximo assim da pós-infância, não consigo conceber algum tipo amenidade pra explicar essa incoerência.

Muitas dúvidas sobem à minha cabeça quando tento entender o que leva um casal de adultos a "ficar". Seria por acaso uma busca desenfreada pelo prazer a todo custo, o famoso hedonismo? Seria uma vontade de viver num enredo de folheteen à la Malhação, e voltar às intrigas e futricas e fofocas da época de adolescente? Seria uma demonstração de autoestima baixa, uma autoafirmação como "o garanhão" e "a gostosona"? Ou seria ainda indícios que revelam uma faceta oscura de um caráter deformado e decaído de quem destrata e desvaloriza não só a si próprio mas também quem está ficando?

Sabe, ao cultivar e tentar eliminar essas dúvidas que ecoam em minha cabeça deixo santarronice de lado. Me apresentar como moralista não convence ninguém nem cola comigo. Afinal de contas, quem nunca ficou? que atire o que? Realmente fico por entender...

__________

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Vaza Kassab!


Há menos de uma semana do segundo round das eleições municipais no Brasil, quero aproveitar este espaço virtual pra engrossar o movimento "Vaza Kassab" (numa óbvia propaganda política e partidária).


O povo deu um claro recado à classe política brasileira, varrendo para debaixo do tapete o DEMO (antigo PFL, Arena e PDS) e sua trupe: PSDB e PPS. O DEMO e seus companheiros pseudo-esquerdistas PSDB e PPS sofreram um revés nas urnas mostrando que o povo brasileiro reprovou o modelo político econômico entreguista, conservador, antipopular e obstinado a atender as demandas da burguesia. Também pudera: acharam que o povo é burro e tem memória fraca. Privilegiaram a burguesia e se esqueceram que "aqui embaixo" a lei não é diferente: o voto do operário vale tanto quanto o dos dominantes. E esse povo pobre, negro, jovem, mulher, índio, trabalhador, desempregado, sem-terra, sem-teto se mostrou coerente e coeso, passando uma rasteira contra aqueles que sempre lhe deram as costas, lhes impondo uma derrota nas câmaras e prefeituras Brasil afora.

Apesar disso, como "bons" brasileiros, os reaças DEMOs, tucanos e populistas não desistem nunca. Pintam um Brasil que não existe, mentem, escondem seu passado, maquiam números, correm para inaugurar projetos inacabados, adotam e copiam propostas dos seus oponentes: com a ajuda da mídia conservadora, manipuladora e golpista, travam uma luta desesperada pela (própria) vida e sobrevida no poder, dignos de um documentário do Mundo Animal.

É nesse contexto que, em São Paulo, foi estabelecida uma trincheira de resistência conservadora e retrógrada, que, com a ajuda do novo partido que surge no Brasil, o PIG (Partido da Imprensa Golpista) querem empurrar goela abaixo um emplumado e repaginado Kassab, que caiu de pára-quedas na prefeitura e está lucrando alto com isso (vide a evolução do seu patrimônio pessoal...) . E não há limites para o duascarismo e cascatismo: mentir nunca é pouco, esconder o passado a todo custo, enganar o povo acusar de preconceito aquela que sempre defendeu sua classe... A situação é tão grave que o nosso presidente sabiamente propôs a criação de mais um dia comemorativo no país, o "dia da hipocrisia".

Contudo, não se deixe enganar pela política da vida dupla e duascarismo. Diga um sonoro "vaza" ao Kassab aos que sempre
foram contra o povo brasileiro e o Brasil. Dê um chega-pra-lá aos que historicamente foram contra a democracia, liberdade e a favor das elites. Dia 26 de outubro, vote certo: vote 13, vote 65, vote 40, vote 15, vote a favor do Brasil. Deixa o lixo bem guardadinho embaixo do tapete!

__________

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Cadê a inspiração hein?

"Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?

amar o que o mar traz à praia,

o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,

o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,

distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita."


É, a inspiração foi dar uma volta de bicicleta, adminirar a lua que não era cheia nem minguante. Drummond, falou pouco mas falou acertado.

__________

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Toda nudez não será castigada

Olá amigos, leitores e companheiros de prosas e cafezinhos!

Bem, como o tempo anda mais curto que o salário, a produção literária por essas paragens anda em baixa. Mas, para não deixar vocês sem ter o que ler e comentar, aí vai uma reportagem repercutindo um discurso inflamado do ator Pedro Cardoso, sobre a pornografia e o constrangimento dos atores que, muitas vezes, se são obrigados a fazer cenas de sexo e nudez na TV e cinema...

Leia e comente!

__________

Pedro Cardoso diz que atores são obrigados a fazer pornografia

Pedro Cardoso fez um discurso exaltado e polêmico no lançamento do longa-metragem Todo Mundo Tem Problemas Sexuais, de Domingos de Oliveira, na noite desta quarta-feira no Festival do Rio.

O ator, que também produz o filme, acusou alguns diretores brasileiros de promoverem a pornografia na televisão e no cinema, obrigando a classe artística a participar de tais cenas.

"A pornografia tornou-se agora um modo de atrair o público. Temos visto cenas de nudez ou quase nudez em basicamente toda a programação dos programas de televisão", disparou.

"A constância com que isso aparece tem colocado em exposição a nudez dos atores. É raro um trabalho, seja flme, novela ou programa de humor que não inclua cenas deste tipo."

"A minha tese é de que a nudez impede a comédia e mesmo o próprio ato de representar. Quando estou nu, sou sempre eu a estar nu, nunca o personagem. Ao despir-se do figurino, o ator despe-se também do personagem", afirmou, ressaltando que Todo Mundo tem Problemas Sexuais, apesar do tema, não traz nenhum momento de nudez.

"Eu fiz algumas cenas de nudez muito parcial e me senti sempre muito mal. Esse absurdo causa grande desconforto ao ator e a atriz porque nos obriga a mentir", citou, recebendo aplausos. "A nudez produz uma sensação erótica. Neste filme, os atores estão vestidos para que os personagens possam estar desnudos."

"A pornografia está tão dissimulada em nossa cultura que não a reconhecemos como tal. Hoje qualquer diretor, medíocre ou não, se acha no direito de determinar que uma atriz possa ficar pelada numa cena ou parcialmente despida", disse, ressaltando, indiretamente, que os diretores da TV Globo também apelam para a "pornografia" televisiva.

"É frequente que cineastas de primeiro filme exibam para seus amigos em sessão privê as cenas privadas que conseguiu de uma determinada atriz", acusa. "Quando os atores se recusam a fazer nudez, os diretores ficam bravos e fazem malcriações, como crianças mimadas, porque se consideram no direito a ela".

O protesto de Cardoso abriu espaço para a discussão, especialmente entre os atores. Em tom revoltado, ele pediu que os artistas não se submetam a cenas de nudez.

"Até quando nós atores ficaremos atendendo ao voyeurismo e a disfunção sexual de diretores, roteiristas e produtores?", questiona.

"Eu penso num dia que não teremos medo do You Tube ou das sessões nostalgia do Canal Brasil. O dia que não teremos medo que nossos filhos tenham que responder perguntas constrangedoras dos colegas na escola."

"Um diretor não deveria pedir que faça algo que ele não pediria a uma filha sua. Se essa gente quer nudez, que fiquem nus eles mesmos."

"Atores e atrizes podem dizer não às cenas que se sintam desconfortáveis. Não temos uma obrigação de tirar a roupa, que esta não é uma exigência do ofício de ator e sim da indústria pornográfica. E a conclusão de sempre: o programa popular tem que ter calcinha e sutiã, como se a gente brasileira fosse assim medíocre", ressalta.

O discurso levou Cardoso a tocar no assunto da vida pessoal. Namorado da atriz Graziella Moretto, no ar na TV Globo com a novela Três Irmãs, insinuou que ela sempre é contrariada nos bastidores da produção televisiva.

"No ar, na novela das 19h, ou mesmo das 18h, criam-se cenas de estupro, de banho, exibicionismo e adultério. Tudo apenas para proporcionar as cenas de nudez e influenciar o tesão alheio."

"E para que não digam que estou transtornado com esse assunto só porque agora estou namorando com uma atriz: de fato, dói mais a dor que dói em nós mesmos."

"Agora ver a mulher que eu amo tendo que diariamente se defender no trabalho contra a pornografia tornou esse assunto a primeira ordem do meu dia. Se antes era apenas responsabilidade profissional me opor à pornografia, agora é também por amor", finaliza.

Tomada pelos aplausos, Claudia Abreu, que também está no elenco do filme, deu seu depoimento. "Já passei por uma situação como essas recentemente e ele está completamente certo. É exatamente isso que acontece", disse. Vale ressaltar que a atriz aparece completamente nua no filme Os Desafinados, de Walter Lima Jr., em cartaz em alguns cinemas do País.


Fonte: http://cinema.terra.com.br/festivaldorio/2008/interna/0,,OI3244301-EI12281,00-Pedro+Cardoso+diz+que+atores+sao+obrigados+a+fazer+pornografia.html

__________

terça-feira, 30 de setembro de 2008

La vita non è una tragedia messicana

Hoje recebemos vários assessores e consultores, professores de pós-graduação, reitores das melhores instituições de ensino superior do Brasil, para uma reunião administrativa na Fundação onde trabalho. Um desses professores (que só digo que não vou revelar a identidade porque ainda não sei quem ele é), chegou em minha sala numa lamúria de dar dó. Não gastou um tostão do próprio bolso, mas mesmo assim reclamou do hotel onde estava hospedado que não tinha wireless, reclamou da comida servida que, nas suas palavras, mais parecia um cozidão, reclamou dos computadores do meu trabalho... Foi uma comoção geral e, quando ele saiu da sala, disse a um estagiário "e eu pensei que tivesse problemas"...

Pois é. Chorar pitangas é algo que costuma encher a paciência das pessoas. Principalmente quando é perceptível que o reclamão quase não motivo para ficar lamuriando. Pessoas assim gostam de ignorar as coisas boas da vida e supervalorizam os revezes (quando existem), fazendo da vida um verdadeiro dramalhão mexicano. Sofrem de mania de perseguição, de incompreensão, autocomiseração. Quase estabelece um jogo com os espectadores, fazendo de tudo para sensibilizá-los e refenizá-los da sua dor, assumindo um papel de coitadinho, reclamando de toda a conjuntura de fatos que conspira contra, se esquecendo que há um mundo além do próprio umbigo.

Há dois caminhos que pessoas desse tipo podem tomar, se assemelhando a dois personagens antológicos da dramaturgia mundial: ou a pessoa fica igual à incansável pessimista Hardy, do "oh céus! oh vida! oh azar!", conformista inerte qual um cacto, ou fica igual à obstinada Maria do Bairro que vê não só nas circunstâncias da vida, mas também na família e amigos obstáculos para chegar à felicidade. Ora, em ambos os casos, o que na verdade há é uma certa dose de exibicionismo, onde a pessoa tenta tornar a vida numa vitrine um pouco mais interessante do que realmente é, ou não.

Um fato é triste mas real: no grosso, a vida costuma ter longo períodos de marasmo e insossidão. Querer viver uma vida de Maria do Bairro ou bancar a hiena Hardy é algo mais triste ainda. A vida real pode até parecer ser mais sem-graça, menos movimentada que costuma ser que na dramaturgia mexicana, mas não justifica o querer inventar problemas, fazer da vida uma saga obstinada em busca da felicidade. A real vida pode até ser menos menos complicada do que gostaríamos, mas não perde seu brilho, sua beleza. Problemas, quando existem, não devem ser maximinizados nem se tornar um breque, mas deve ser um estímulo para buscar superá-los.

Pense que há pessoas que verdadeiramente passam por problemas de verdade. A fome e a Aids não são problemas distantes da África, o alcoolismo não só vitima pessoas no Leste Europeu, o suicídio não só acontece nas famílias bálticas, drogas e violência não são problemas somente na Colômbia. Olhe para si próprio, sua vida pode até ser boa demais. Enxugue as lágrimas de saliva que a vida é bela!

__________

P.S. O título está propositalmente no idioma de Alighieri, da Vinci, Pavarotti, Michelangelo, etc, pois estou fazendo um cursinho de italiano básico... rs

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Na varanda, tomando suco de laranja

Do alpendre, a pasmanceira parece pesar os ponteiros do relógio e fazer o tempo se arrastar. A lua some, o sol nasce e preguiçosamente lança seus raios e irradia o calor... Também sem nenhuma pressa o sol vai embora, fechando assim mais um dia... Faz pouco de calor durante o dia e um pouquinho de frio à noite; e o ciclo se repete dia após dia.

Do alpendre, que frente pra rua, o balanço da "cadeira de macarrão" vermelha parece que dita ritmo aos poucos passantes na rua. Uma talagada de suco de laranja com limão rompe esse compasso tão entediante.

Se bem que o movimento nem é tão devagar assim. Na rua, passa um carteiro esbaforido que levou uma boa carreira do cachorro da vizinha que estava solto. Depois passa um casal aos namoricos, sendo que ela tenta esconder do sol sob uma sombrinha da Madonna. Passa também uma moça que tropeça quase cai: está distraída trançando o seu longo cabelo preto.

É... Pensando bem, o movimento não é tão lento quanto o balanço da cadeira, mas o suco está mais morno que o clima. Balança cadeira, balança, que o tempo passa. É melhor ficar na varanda, não tem nada pra fazer dentro de casa. Não acabou a energia nem está passando o horário eleitoral, mas é melhor desligar a televisão pra conta fica mais barata e evitar o apagão.

__________

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Anti trojan de Minas Gerais

Um embrulho ou uma caixa colorida com um simpático laçarote combinando. Até não parece haver de suspeito, nada de mais. Nem há um bilhete de letras recortadas de revistas ou se ouve um "tic-tac". Como um Cavalo de Tróia (sem ser o vírus de computador) não cabe numa caixa, muitas vezes recebemos presentes de grego sem nem perceber, por tão sutil e pela aparência inofensiva que ele tem.

Proponho um despretensioso e desordenado manual com precauções e dicas para que você não mais seja uma vítima deste velho truque batido, onde a palavra de ordem é ressabiar...

1) Não se deixe enganar pelas aparências
Nos menores potes estão os mais poderosos venenos. Outra máxima bastante batida mas ainda válida é "as aparências enganam". Realmente as aparências enganam e enganam feio. Tanto é que, ainda hoje, as pessoas desenvolvem a incrível capacidade de magoar, decepcionar e frustrar com as pessoas que conhecem há anos e anos. Uma circunstância pode ser muito oportuna ou muito favorável, mas você pode estar caminhando para uma arapuca bem armada.

2) Desconfie das benesses inesperadas e não-pedidas
Não perca a esperança na humanidade. Ainda há pessoas que gostam de surpreender e fazer o bem sem esperar nada em troca. Mas pessoas deste tipo não são maioria, enquanto interesseiros costumam ser mais comuns e efusivos. Fique atento para que, ao aceitar tal oferta, você não seja constrangido ou fique refém de quem te presenteou com algo.

3) Desconfie dos benevolentes de fim de semana
Atleta de fim de semana são pessoas normais que passam a semana inteira na correria do dia-a-dia. Ingerem milhares de milhares de calorias mas que só deixam pra cuidar do peso e da saúde no fim de semana, praticando horas e horas de esporte como se esforço concentrado tivesse efeito diluido no decorrer dos dias. Há pessoas que costumam fazer benesses aos fins de semana. Bem, siga a prescrição anterior, não se submeta ou dê espaço para que ninguém te constranja em nada. Não se obrigue a pessoas com as quais você mantém pouco contato, pouca ligação. Se você não é próximo dela, como saberá o coração e conhecerá qual a verdadeira intenção deste que, repentinamente, te oferece um mimo?

4) Pondere. Consulte a Deus e avalize pela paz que brotar em seu coração
Não sugiro isso como um dos últimos passos antes de uma decisão, principalmente a consulta a Deus como última instância. Mas o bom senso está aí pra ser usado. É possível que não seja necessário consultar a Deus em primeiro lugar, pela vivência que se desenvolve com ele. De qualquer forma, ainda que um presente ou oferta passe por todas as peneiras das dicas anteriores e, ainda assim não houver paz no coração, já sabe .

5) Não confie em bajuladores
Conversa doce e mole geralmente esconde intenções não muito boas como maria-mole. Grandes discursos emocionados e elogios ensaiados e ordenados caem bem em momentos especiais, mas soam muito estranho em momentos casuais. Se em seu dia-a-dia você perceber quem lhe presenteia vem com de galanteios e elogios superfaturados, fique ligado nas segundas, terceiras e quartas intenções do(a) camarada.

6) Comportamentos estranhos
Uma leve alteração no tom de voz ou imperceptível gaguejada, um tique nervoso, um sorriso contido ou amarelo, um olhar perdido, buscando o teto ou fugindo dos seus olhos são de que o corpo de quem esconde que há algo errado, muito errado. As pessoas podem até combinar bem as falas, amarrar e betumar a mais engendrada das histórias, mas o corpo não consegue segurar a barra. Criança em dia de festa costuma não agüenta a pressão e sem querer querendo acabam com a surpresa. A criança se torna adulta e só consegue não contar a surpresa, a linguagem corporal denuncia tudo. Afinal, máscara só não cai quando está colada com super bonder.

Enfim. Eis algumas dicas para você se precaver dos presentes de grego que eventualmente nos são oferecidos. Como dizem por aí, mineiro não perde a hora nem perde o trem. Mineiro esperto não pega o trem errado também.

__________

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Quo vadis

Te seguirei Senhor, enquanto eu viver.
Não há montanha tão alta, nem oceano tão profundo...
nada, ninguém vai me separar de ti Senhor,
nem do teu infinito amor.

Desde que o Senhor tocou meu coração,
dentro de mim eu soube:
não vou deixá-lo nunca mais.
Esse é meu destino:
Por onde quer que Ele vá
prosseguirei e o seguirei...
Pra sempre...




I will follow Him...
__________

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Brazil, seu Brasil, "brasileiro"

Grandes eventos internacionais como as Olimpíadas que se encerraram recentemente, fazem florescer em nossas mentes um certo sentimento patriótico nacionalista. Bem, não somos tão patriotas nem nacionalistas, mas pelo menos costumamos a acompanhar o quadro de medalhas e alguns esportes que gostamos.

Nesse último fim de semana o mundo se despediu de Pequim (ou Beijing), onde todos se sintonizaram para acompanhar a 29ª edição das Olimpíadas modernas. Quem acompanhou desde o início, extasiou-se com o grandiosa cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos. O espetáculo foi um show de que mesclou o tradicional e o moderno, o lirismo e a perfeição sincrônica das performances de milhares de artistas com o que há de mais moderno em termos de efeitos produzidos por computador, luzes e fogos (isso sem contar as instalações construídas para abrigar os jogos, algo que extrapola o modernismo ao futurismo arquitetônico).

Enfim. Pequim foi divisor de águas e marcou para sempre a recente história dos Jogos Olímpicos. Como Olimpíadas servem como uma vitrine cultural, política e econônica para o país que a organiza, o Comitê organizador de Pequim 2008 tratou de presentar uma China tradicional mas punjante, rica, harmônica. A cerimônia de abertura foi espetáculo quase impecável que dificilmente será superado em outra edição. Duro trabalho pela frente terá o Comitê Olímpico de Londres 2012 e qual venha a organizar as Olimpíadas de 2016.

Por falar em Olimpíadas de 2016, o Brasil, como é formado por milhões e milhões de brasileiros, não desiste nunca de sediar uma Olimpíada. A experiência bem-sucedida dos Jogos Panamericanos de 2007 e a escolha Fifa pelo Brasil como país sede Copa do Mundo em 2014 dão sobrevida à campanha candidatura de Rio de Janeiro aos Jogos Olímpicos de 2016, que disputa com Tóquio, Madrid e Chicago para ser sede dos Jogos.

A mídia brasileira tem repercutido e apoiado a candidatura de Rio 2016, que tem como embaixadores o rei do futebol, o Pelé e também a jogadora de basquete Janeth. O povo brasileiro também tem comentado a possível Olímpiada no Rio em 2016. Mas ouvi de algumas pessoas uma certa preocupação com o que o Brasil poderia oferecer ao mundo na cerimônia de abertura. "Samba? Mulher pelada?" Eis que dentro de mim escapole um "afe". (Por mais incrível que pareça, todos que disseram essas barbaridades são brasileiros, filhos de brasileiros...)

Ora, desde quando um país continental se resume a samba e mulher pelada? Não sei se pessoas que pensam assim vivem num mundo virtual ou estão buscando (exitosamente) o teto do burrismo. Mas prefiro pensar que, pessoas assim, são um certo tipo descrito por um sábio estudioso, que ele denominava "escravo da casa grande". São pessoas que se encantam com umas migalhas que lhes caem da mesa de iaiá e ioiô e se esforçam pra esquecer da senzala de onde vieram. São pessoas cínicas, que não perdem a oportunidade de falar mal de brasileiro, como se ele próprio fosse um marciano ou venusiano. São pessoas que se envergonham de sabe-se lá o que, se envergonham da sua origem e desconhecem a história, cultura e povo ao qual pertencem. São pessoas que se olham no espelho e se vêem mais brancas, mais loiras e mais ricas, tal qual suas/seus musas(os) da televisão.

É uma lástima que, rompido o século XXI, ainda possa existir pessoas tão alienadas, preconceituosas, burras e com um pensamento tão raso e atrasado! É triste ver que pessoas míopes criam em suas mentes a imagem um Brasil sem qualidades e acabam crendo piamente que isto é a mais óbvia realidade. O que há no Brasil que se possa mostrar ao mundo? Não se pode ignorar que a maior riqueza do Brasil é ser o Brasil, um país de diversidades. Uma vastidão de cores, formas, sons, luzes, misturas, sabores que não se encontra em outra parte do mundo. É impressionante que o mundo se encanta e se apaixona pelo Brasil e não poucos brasileiros se envergonham do Brasil e preferem se imaginar numa vida de novela (ou seriado), como que estrangeiros numa terra que relativamente conhecem. O Brasil virtual, que certos brasileiros se envergonham, não é o Brasil real que é muito amado e que enche de orgulho os demais brasileiros.
__________

sábado, 5 de julho de 2008

Uma carta não postada

Revirando gavetas, livrando-me da poeira, descobri uma carta que há muito havia esquecido de colocá-la no correio. Ei-la aqui, leia-a:

__________

Querido irmão, graça e mais graça da parte de nosso Senhor!

Fiquei muito feliz por poder ter lido sua carta. Apesar de sua carta não ter sido endereçada a nós, saiba que muito nos abençoou. Também temos saudades de você, muitas saudades mesmo, quase não conseguimos aguentar por esperar o dia em que nos veremos pessoalmente.

Sabe, uma das coisas que mais me chamou a atenção na sua carta foi a forma com que você a escreveu. É muito difícil alguém ter palavas tão adocicadas de amor e esperança como as você usou, estando em cadeias depois de ser espancado tantas vezes. Temos certeza, no Senhor, que esse momento de opróbrio é realmente leve e momentâneo e que redundará em glória e aleluia a Deus.

Nos sentimos constrangidos por sermos, de certa forma, motivo de tanta injustiça que você tem passado. Não somos dignos... Nunca pense que não nos envergonhamos de você, por causa desta situação. Se é para nos envergonhar, devemos sim nos envergonhar por causa de muitos dos nossos que tem sido ameaçados por agirem de forma errada e ter feito coisas reprováveis. Você não é assim. Está preso por causa do seu bom testemunho que acaba por despertar o ódio dos que não suportam ouvir o Evangelho do nosso Senhor.

Essas pessoas odiosas não vão deter o seu testemunho, o nosso testemunho. Eles podem até nos prender ou matar alguns de nós, mas a semente da Palavra é frutífera e não vai morrer. As cadeias que te prendem não deterão a pregação do Evangelho e soubemos que muitos aí inclusive se renderam ao Senhor. Glória a Ele por isso!

Mais uma vez repetimos que sentimos profundo orgulho de ter alguém a você, que é alguém como nós, sendo um exemplo de vida e serviço cristão e ser tribulado por causa disso. Ao mesmo tempo, nos sentimos extremamente constrangidos por não termos tido uma vida tranqüila, bem diferente da sua. Nos alegramos por saber que no final da sua carreira, Deus há de lhe entregar uma coroa de glória para compensar o que tens passado por causa do bom nome do Evangelho. Nenhum sacríficio, no Senhor é vão.

Muito saudoso termino esta aqui. Receba o carinho e saudação de todos que te amamos e que queremos ver-te em breve. A graça e a paz do Senhor estejam contigo, para que possas permanecer até o fim, irmão querido.

__________

quinta-feira, 12 de junho de 2008

O amor é...




Confira a letra:
__________________________________________________

O Amor É Filme
Cordel Do Fogo Encantado
Composição: Lirinha

O amor é filme
Eu sei pelo cheiro de menta e pipoca que dá quando a gente ama
Eu sei porque eu sei muito bem como a cor da manhã fica
Da felicidade, da dúvida, dor de barriga
É drama, aventura, mentira, comédia romântica

O amor é filme
Eu sei pelo cheiro de menta e pipoca que dá quando a gente ama
Eu sei porque eu sei muito bem como a cor da manhã fica
Da felicidade, da dúvida, dor de barriga
É drama, aventura, mentira, comédia romântica

Um belo dia a a gente acorda e hum...
Um filme passou por a gente e parece que já se anunciou o episódio dois
É quando a gente sente o amor se abuletar na gente tudo acabou bem,
Agora o que vem depois

O amor é filme
Eu sei pelo cheiro de menta e pipoca que dá quando a gente ama
Eu sei porque eu sei muito bem como a cor da manhã fica
Da felicidade, da dúvida, dor de barriga
É drama, aventura, mentira, comédia romântica

É quando as emoções viram luz, e sombras e sons, movimentos
E o mundo todo vira nós dois,
Dois corações bandidos
Enquanto uma canção de amor persegue o sentimento
O Zoom in dá ré e sobem os créditos

O amor é filme e Deus espectador!

__________________________________________________

Enquanto não nasce uma postagem nova, pra combinar com o simbolismo e o lirismo do dia de hoje, deixo pra vocês uma animação da música "O amor é filme" do Cordel de Fogo Encantado. Estou descobrindo essa "banda" e, o pouco que já conheço, me deixa aquela impressão de que que ela está passeando pela fronteira da genialidade.

Enfim. Pra quem está namorando, que Deus seja espectador e roteirista, e você que não está namorando, que chegue logo o dia de despertar com um aroma de menta no ar.

__________

terça-feira, 3 de junho de 2008

Préstumo

Ando meio consternado nesses últimos dias. A morte cirandou à minha volta, me deixando um bocado pensativo. Primeiro morreu o senador Jefferson Péres. Tá, tudo bem, ele não é meu conhecido nem parente, mas, sem dúvida alguma, foi uma grande perda para o Brasil. Depois a avó da minha madrasta faleceu, uma semana depois faleceu meu avô paterno. Esses sim deixam saudades e meu coração apertado. Nunca antes a morte havia passado tão perto de mim, nunca havia experimentado luto por familiares tão próximos assim. Mas isso valeu para que eu refletisse sobre a vida e a morte, de forma que eu nunca havia pensado antes.

Pessoalmente não espero morrer a qualquer momento. Mas, como para morrer basta estar vivo, não sai da minha mente a fragilidade e emergência da vida. Uma vez, num retiro espiritual ouvi algo parecido com "o maior depósitos de sonho do mundo é o cemitério". Bem, isso é meio infausto, mas tá, o mais importante é ater-se no lado positivo da coisa. Aliás, devemos nos ater também nas implicações negativas quanto a morte, que devemos ou não fazer ainda em vida (quando estamos ou estão vivos). Enumerei alguns pensamentos e quero muito usá-los como diretrizes para minha vida.
1) Devemos viver a vida intensamente como se cada minuto fosse o último da sua vida aqui na terra. Não devemos dormir além da conta, nem se perder com coisas desnecessárias, e nossas distrações devem ser que nos entretam. Enfim, devemos aproveitar bem o nosso tempo;

2) Não pense que a vida acaba aqui, ela entra numa nova, eterna e definitiva fase após morrermos. Tudo que fazemos aqui tem implicação direta nessa vida eterna;

3) Façamos sempre o bem, façamos sempre o que é certo. É melhor errar quando não queremos com coisas que não esperamos e que não conseguimos evitar;

4) Silêncio pra quê? Quebremos o silêncio, falemos coisas proveitosas, mas estejamos dispostos a ouvir se for preciso. Talvez sejamos a única pessoa que o outro alguém tem para ouvir. Ouvindo-a, podemos fazer toda a diferença;

5) Diga sempre "eu te amo", mesmo que essa verdade esteja em processo de concretização;

6) Cultivemos bons relacionamentos, cuidemos bem das pessoas que cruzam nosso caminho, tratemos como devem ser tratadas: únicas, imprescindíveis, indispensáveis; Afinal, não é por acaso que as pessoas cuidam nossos caminhos;

7) Não deixe pra depois um pedido de perdão. O tempo não cura nada, não há cura sem confronto, apesar que nem todo confronto é sempre belicoso.
Aplicar tudo isso não é uma tarefa fácil. Porém, até mesmo tentativa de se fazer é bastante positiva. O tempo verbal usado em cada tópico denuncia que contém dicas que julgo ser importantes. Certamente há outros tópicos que mereciam ser listados. Espero descobrí-los enquanto há tempo e passá-los pra frente. Caso você saiba de mais alguma dica, mande um recado!
__________

quarta-feira, 28 de maio de 2008

E a Dona Gê tem razão

Dona Geralda (ou Dona para os íntimos) é uma senhora muito engraçada, de idade avançada e indeterminada, avó de uns amigos queridos. Outro dia eu peguei carona com a mãe desses amigos e ela me contou a última da Dona : "Minha sogra perde a noção das coisas. Ela pensa que um dia vai voltar a fazer as coisas que fazia quando era moça. Ela acredita que vai voltar a andar de bicicleta".

De princípio, quando ouvimos isso, rimos muito. Fiquei imaginando a cena da Dona andando de bicicleta (imagine você também, clique aqui). Mas, passados bons minutos de gargalhadas me pus a pensar sobre essa última. Cheguei à conclusão que a Dona tem razão.

É fato que, a cada dia que passa, nosso corpo mortal envelhece e mortifica. Com o passar dos anos perdemos o vigor e força física. Passamos a depender das pessoas para alimentar, locomover, higienizar, etc. Contudo a Bíblia nos dá esperança de que haverá um dia que venceremos essa lógica perversa e a ditadura do relógio.

Quando Jesus ressuscitou ele passou a, naturalmente, usar alguns de seus poderes sobrenaturais. Se antes Ele sofria todas as limitações que seu corpo físico lhe impunha, depois de ressurreto, essas limitações foram anuladas. Repentinamente Jesus aparecia num lugar sem haver entrado pela porta (nem pela janela). Tão repentinamente Ele desaparecia desse lugar e reaparecia em outro lugar distante do primeiro. Mas essas aparições e reaparições transcorriam num espaço de tempo tão curto que nem com o mais eficiente transporte aéreo conseguiríamos chegar!

Para Jesus não havia limitações de tempo, espaço, massa, gravidade. Essas e outras propriedades que extrapolam a lógica e as leis da física são próprias do que chamamos, num bom teologiquês, de "corpo glorificado". É no corpo glorificado que é possível experimentar a nulidade dos poderes maléficos do pecado que se manifestam através do tempo, das doenças, da morte.

A boa notícia é que, quando passarmos da primeira morte para a vida eterna, nós receberemos um corpo igualzinho ao de Jesus, igualmente imune às doenças, velhice, ao cansaço, à morte, ao espaço, etc: "Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas" (Filipenses cap. 3 vv. 20 e 21).

Portanto, a Dona não tem que se preocupar se alguém rir dela ou pensar que ela está ficando lelé ou gagá quando diz que voltará a andar de bicicleta. Tanto ela vai voltar a andar de bicicleta quanto eu vou conseguir colocar o pé atrás da cabeça e dar estrelinha. Vamos voltar a fazer as coisas que fazíamos quando éramos moços e faremos outras coisas que nem cogitamos fazer! Quem sabe nós poderemos voar, não necessitar de beber e comer, ficar invisível, mergulhar sem precisar respirar, auto-regeneração, telecinesésia, super-força, supervelocidade, visão raio-x?!

__________

sexta-feira, 23 de maio de 2008

E volta o circo

A "turnê" havia sido muito longa, nunca o circo havia ido tão longe assim. A lona foi estendida nas areias praianas de norte a sul, mas, antes disso passou quase um mês em terras portenhas. Visitar lugares novos, conhecer pessoas novas, viver coisas novas, aspirar novos ares, tudo foi bastante animador e fez criar uma esperança que, sabe-se lá quando iria acontecer algo bom.

Na viagem de volta, a caravana fez um caminho diferente, vindo pelo interior desta vez. Outros novos lugares, alguns pareciam que nem tão desconhecidos assim... A memória meio que falhava na hora de lembrar de quando era conhecida a curva do rio, ou mesmo aquele ipê na beira da estrada... Mas, à medida que as cidades menudizavam e os casarios ficavam mais poeirentos e desbotados, a memória reacendia. É, aquele lugar era conhecido, tinha gosto e cheiro que lembravam a infância. Aquele céu furta-cor era inconfundível; foi ali, naquela cidadezinha onde nasceu o palhaço que resolveram armar o circo.

A "estréia" foi normal até que o palhaço avistou uma mocinha, sentada na quinta fileira da arquibancada. Como o espetáculo foi demorado! Bastante demorado mesmo. Como ela estava bonita! Aquele mesmo rosto rosado, aquele jeito meio meigo, meio tímido... Cada minuto parecia multiplicado por quatro tamanha era a ansiedade por reencontrar um amor de infância. Ela ainda lembrava dele e ele a reconheceu. No final de tudo ela foi falar com ele, mas atrás dela estava um homem. Era bonito, mas tinha uma cara de pastel. Segurava um algodão doce e um balão, ficou todo atrapalhado pra cumprimentar o palhaço. Quem era esse? Seu namorado? Um primo ou o irmão caçula, agora homem feito?
Não interessa quem era. Não mesmo. Ele se destraiu fácil, nem notou que o beijo nas mãos cheiro de tangerina fora demorado demais e que, ao mesmo tempo, havia lhe entregado um bilhetinho com um gracejo e a proposta de um encontro.
__________

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Presente no aniversário

Ganhei hoje um presente de aniversário muito especial: hoje comecei em um novo e empolgante trabalho. Fico impressionado como Deus se compraz em alegrar nossa vida, reavivando nossos sonhos. Foi assim que Ele agiu em minha vida.

Quero agradecer a Deus que, não só tem me acrescentados muitos dias de vida (e são tantos! rs) e também não poupa esforço para nos surpreender alegrar nosso coração. É como diz uma música: "Deus tem o seu tempo, o seu jeito e eu apenas servo sou!" E sou um servo muito grato ao Senhor.

Como um grande P.S., quero agradecer aos queridos amigos que lembraram do meu natalício e, em especial, aos melhores, que primeiro me felicitaram, dando-me além de muita comida, uma réplica de mim mesmo! rs Preciso de vocês, amo vocês!!!
__________

terça-feira, 13 de maio de 2008

“Antes, tudo bem” – Um diário de bordo

Este é o diário de bordo da minha viagem ao Rio de Janeiro. Aqui consta relatos de uma viagem que não queria ter feito, mas, por adversidades mil (na verdade cem... Era esse o valor que teria que desembolsar para ter o reembolso de uma passagem que custou R$ 96,00), acompanhei parte do grupo de teatro DiscípuLUZ que, nesta viagem, foi representado pelo Bruno, Talita, além do Fillipe Feitosa (vulgo Frango). Muitos fatos e relatos foram propositalmente suprimidos para que você não desistisse da leitura antes do final do primeiro parágrafo.


Dia 08 de maio (A ida) __________


Lavando cuecas

Insone noite antes da viagem. Dormi menos de duas horas e, antes das 9h da manhã, já estava eu acordado pra lavar louças e limpar minha casa. O tempo de preparativo foi alongado por conta disso. Preparar a mala foi até fácil. Nem pensava no que colocar: como a mala era enorme, acabei levando garrafa térmica, extensão elétrica de 15m, colchão de ar, etc. As roupas eram poucas, mas, talvez por conta da teoria da conspiração, o meu retorno ao Rio de Janeiro coincidiu com o término do meu suprimento de cuecas limpas. Tive que lavá-las todas, mas, como isso aconteceu 1h30min antes do vôo, elas chegaram molhadas ao destino.


Brincando nas esteiras

Antes de pendurá-las no varal, tenho que contar como foi o vôo. Antes do vôo o atraso rotineiro, embarque sem muitas emoções. Mas, dentro do avião, algumas emoções. Minha pressão estava baixa, o que me deixava meio eufórico e tenso. A vizinha de poltrona era muito bonita e simpática, mas tinha uma aliança enorme no anular direito. Tudo bem, que pode rolar entre duas pessoas que morrem de medo de voar, sendo que o cara tem crise de riso quando o avião decola? Nada mesmo, porque alguns bons minutos de conversa ela resolveu sentar com o restante da família. Antes disso, divertia-me internamente com a distribuição dos assentos (o que revelou muito sobre como seria o restante da viagem). A partir daí, nada memorável, a não ser a turbulência que me lembrava os quebra-molas do Guará, o manjar com gosto de sabão de coco. No aeroporto, antes do encontro emocionante com o pastor anfitrião, Pr. Marcos, aproveitamos pra brincar nas esteiras que ligam os terminais de embarque e desembarque.


Mistura explosiva

O cardápio de nosso primeiro jantar era por excelência flatulêntico: lentilhas e batata doce. Felizmente nosso sono não foi interrompido por nenhum incidente, exceto os celulares tocando Cancan e La bamba: era hora de acordar. Mas, antes de dormir, iniciei meus contatos com outra Talita (uma amiga meio paulista meio mineira) pra tentar conseguir marcar um encontro, mas não foi desta vez. Tudo bem. Teremos outras oportunidades e uma viagem gestacionada pro final do ano, se as Coquetéis nos ajudarem.



Dia 09 de maio (primeiro dia e segunda noite) __________


Tiroteio no mercado

2 horas depois, enfim despertamos de fato com uma leitura devocional aleatória sobre os preparativos para a construção do templo salomônico. Pra combinar com nossa viagem até então improdutiva, tivemos um ensaio musical também improdutivo: descobrimos que precisamos tomar muito café-com-leite pra cantar e tocar no violão as bat-músicas de sempre. Mas tudo bem, somos brasileiros e não desistimos fácil, havíamos de preencher o tempo de espera até nossa programação, depois do almoço. Antes disso, descobrimos que houve um tiroteio num mercado próximo onde nos hospedamos. Isso realmente foi frustrante pois, em minha cabeça, essa parte da Zona Sul onde estávamos era bastante tranqüila. Isso me fez ficar um pouco temeroso, mas não deixaríamos de fazer compras nesse mercado e jantar em alguma lanchonete próxima dali.


Vida de artista / Uma má idéia

Mas, antes disso, fizemos uma apresentação na Igreja de Evangelismo e Missões – Metodista (ou algo do tipo) que fica em Oswaldo Cruz, próximo a Madureira. Antes da apresentação, maquiados, fomos pras imediações do templo brincamos convidando as pessoas para o culto. Obviamente atraímos a atenção da criançada do bairro. O assédio foi grande: tivemos que nos trancar dentro do nosso camarim (realmente viramos um grupo de teatro “normal”! rs). Antes disso, antes das crianças serem retirada do nosso camarim, fizemos a besteira de brincar com elas de estátua. Como somos bons nisso, as crianças, entediadas, começaram a fazer cócegas pra que mexêssemos. Isso não deu certo: quando elas perceberam que a Tita (Talita), tem espasmos efusivos nessas situações, ela virou centro das atenções e dedos em riste rumo a suas axilas. As mesmas crianças que fizeram cócegas na Tita foram as mesmas que depois fizeram galanteios nada decorosos e próprios de sua idade. Mas tudo bem.


Reteté metódico

Fiquei impressionado com o culto que acontecia. Não imaginava que os cultos metodistas fossem tão pentecostais, oração em línguas e mistérios, rensga! Mas tudo bem. Após o culto fomos deixar uma irmã em casa e fizemos uma rápida parada para uma sessão de fotos e descobrimos uma nova gíria, “exquinixtro: mixtura de exquisito com sinixtro”, em dialeto local. Fim do dia de artista, só faltou darmos autógrafo. Mas, antes do final do nosso dia, altas emoções quando voltamos para nossa casa: o Pr. Marcos deu algumas pestanejadas ao volante e várias fechadas... Que medo de morrer! rs Mas, tudo bem.


Conhecimento inútil

Quando chegamos em casa, pegamos uma cópia da chave e partimos rumo ao mercado. Não sabia que whisky 20 anos fosse tão caro, R$ 772,00 a garrafa do mais famoso! Compramos leite, garrafa pra geladeira, suco de saquinho, papel higiênico, copos etc: coisas pra abençoar a família que nos hospeda. Antes de entregar as compras, conversamos e fomos dormir um pouco tarde demais. Cultura inútil: não somente humanos e cachorros roncam, frangos também roncam. Tudo devidamente registrado, em breve você poderá comprovar isso no Youtube. rs


Dia 10 de maio (penúltimo dia) __________


Sessão estresse

Sessão estresse logo pela manhã. Nosso programa previa Hora de acordar, Saída de casa, Reunião na igreja com devocional, Oração de Intercessão, Evangelismo de rua, Louvor, Peças, Palavra, mais Louvor, mais Peça, mais Palavra, mais Louvor de novo, mais Peça de novo, mais Palavra novamente, tudo isso antes do meio-dia. Me dei ao luxo de acordar antes das 9h, mas mesmo assim tive que esperar vastas horas para sairmos pro nosso destino-fim da viagem. Mas, como no molequismo há mais espaço para sonhar que a vontade de realização, saímos mais ou menos 11h30min, com atraso de três horas e meia, suficiente pra fechar o tempo sobre minha caixola. Mas tudo bem, que mal tem?


Ói, ói o trem

Pegamos um ônibus com destino a São Cristóvão e depois pegamos um trem com destino a Oswaldo Cruz. O trem demorou bastante e tirou toda alegria de andar de trem pela primeira vez no Rio de Janeiro. O tempo não estava fechado, não havia sol pra alongar ainda mais a demora. Demora que ajudou a travar tudo, mas, antes disso, almoçamos.


Amor que constrange

Como chegamos muito tarde, tivemos que esperar requentar o almoço. Isso foi na casa da irmã Luzia, uma simpática e comunicativa paraibana. Fomos muito bem recebidos em sua casa, com direito a nem ir ao fogão pra servir o almoço. Um mimo como diriam os patrícios. Quando estávamos de partida ela deu um presente a cada um de nós, indo às lágrimas como no dia anterior, agradecendo bastante nossa visita. Confesso que nem dá pra se sentir importante nessas horas. Ocasiões como essa prova que ainda há esperança para a humanidade, que o “amor que constrange” ainda não se esfriou de todo.


Diácono de fato

Como havia falado anteriormente sobre travamento, neste dia, resolvi ficar concentrado no nosso “camarim”. Queria descansar e orar um pouco, mas não deu. Cada momento entrava um irmão, sempre simpático e falante interrompendo esse meu momento. Desenvolvi a tese que os cariocas só precisam de alguém pra poder falar, não se preocupando com a atenção ou interesse do interlocutor. Mas tudo bem. Ouvi atentamente e só conseguia encaixar um “é verdade”, ou “com certeza” no meio da conversa. Quando não conseguia mais ouvir, pedia licença pra beber água ou ir ao banheiro. Foi numa dessas conversas que conheci o irmão Mazinho, um diácono de fato, não de cargo. Nunca vi alguém que tivesse compreendido o verdadeiro chamado e exercia tão bem o diaconato.


Tobi

Depois de tanta conversa e espera, começou o culto. Era pra ser dos jovens, mas acabou como homenagem ao Pr. Marcos, pelo seu aniversário. Uma das poses sessão de fotos foi estampada no bolo. Descobri que fiquei invisível na festa. Também pudera, estava amuado num canto da igreja com uma dor de cabeça e muito sono. Tudo bem, nem tava com tanta fome assim. As bandejas esquivantes não estavam tão atrativas quanto a zangante garrafa de Tobi sabor uva. Meu Deus, como deu água na boca, mas não bebi uma gota sequer do refrigerante. Mas tudo bem, dava mil reinos por uns instantes de sossego apoiado a cabeça na parede.


Voltando de van

Ufa, que alívio! A música alta e peculiar na festa do Pr. Marcos deu sobrevida à dorzinha que eu sentia. Mas, finalmente a viagem se aproximava do fim. Mas, antes, voltamos pra nossa casa no Leblon numa van alugada, que levava de volta algumas convidadas da Núbia (esposa do Pr. Marcos). Só tinha figura na van: um grupo de cantantes quarentonas (se alguma delas vier a ler isso, entenda por “trintonas” rsrs) que cantavam alto, faziam piadas, enfim, eram tão palhaças quanto a gente. Era como se fosse a gente entrasse numa reunião das nossas mães e suas amigas, só que poderíamos rir e zuar de cada uma delas.


Arranca-rabo

Calma, não fizemos nada de mal contra o rabo do Frango nem o depenamos... rs Criamos um momento pra discutir problemas e erros de cálculos da viagem. Pingos nos “is” e “ipisilones”, com um pouco de atraso, foi meio acalorado, mas tudo bem, valeu a pena. Mas antes disso, levamos a Núbia e o Pr. Marcos para comemorarmos, juntos, o seu aniversário. Comemos numa creperia não muito longe, o que deu pra andarmos um pouco a pé, pelas ruas do Leblon. O mais bacana de tudo foi o momento de bate-papo que tivemos, coisa que não havia rolado até então por causa da correria do dia-a-dia de todo mundo. Antes de voltarmos caiu uma chuva muito gostosa, deixando o clima mais aconchegante, desmitificando a máxima “Rio 40 Graus” (fazia 16° às 2h da manhã).



Dia 11/05 (A volta) __________


Cansaço mas nem tanto

Seguiu o frio da madrugada, foi difícil acordar pela manhã. Pra variar, acordamos bem em cima da hora, chegamos atrasados no aeroporto. Mas tudo bem. Antes disso, tivemos nosso último momento de comunhão com a família do Pr. Marcos. Recebemos uma maravilhosa ministração da Palavra de Deus, e, após a leitura bíblica e reflexão, oramos todos juntos. Antes disso, entregamos os presentes que havíamos comprado (um pouco de constrangimento nessa), além de presenteá-los com nosso uniforme ao Pr. Marcos e Núbia (muita alegria nessa hora, nem queriam lavar nossas camisetas, apesar delas terem sido usadas e suadas por dois longos dias). Enfim. O vôo de volta foi bem mais silencioso que o da ida. Todos estavam cansados e eu recluso ao meu mundo autista: o medo e a dorzinha tomaram conta de mim. Mas não tinha com quem compartilhar meu medo de cada manobra, cada nuvem, cada leve e momentânea turbulência. Mas tudo bem. Éramos só cansaço, mas, em chegando em Brasília ainda encontramos força pra assistir um filme antes do culto, “Homem de ferro” (aliás, indico esperar que chegue às Sessões da Tarde da vida... rs).


Mas tudo bem. Enfim. Eis um “breve” relato de uma viagem a uma terra que deixa saudades, de um povo simpático e hospitaleiro, dos quais aguardamos um convite de novo... rs

__________

sábado, 3 de maio de 2008

O que acontecerá?


O que acontecerá quando todos se reunirem em oração pelas nações?

Tudo começou há 7 anos atrás da na África do Sul. Milhares de pessoas se reuniram em oração pelo país e buscar a Deus. Com o passar dos anos, a campanha de oração se espalhou pelas nações da África e se tornou mundial, contando com a participação de mais de 200 países em 2008. A Campanha Mundial de Oração (CMO) são 10 dias de oração ininterrupta antes do dia de Pentecostes.

Hoje, dia 3 de maio, estamos no 3º dia de oração. Quero convidar a todos para participar da campanha. Clique aqui e veja quais são os motivos de oração.

"Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se desviar dos seus maus caminhos, então eu ouvirei do céu, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra".
II Crônicas cap. 7 v. 14


__________

domingo, 27 de abril de 2008

Parênteses III - Rodando e cantando em ritmo de festa

Com a licença dos meus vizinhos e leitores, a postagem de hoje é mais uma do tipo "nem tente entender"... rs

Como se não me batasse a anterior, esta nova semana promete. Como costumo dizer "não há nada que esteja tão ruim que não possa ficar pior ainda". rs Mas não há motivo para desespero, nem choro e ranger de dentes. Se você está igual a mim, não se esqueça que Deus não se esquece de nós. Portanto, não perca a fé nem o bom humor jamais. Rode, centrifugue, cante, dance, faça tudo para a glória de Deus e em ritmo de festa.

Quero dedicar este vídeo abaixo a todos que, igual a mim estão rodando e centrifugando. rs Com vocês, um vídeo non-sense, de uma música non-sense, numa versão acústica non-sense.




__________

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Varão de dores...

Apesar do feriado ter caído numa segunda-feira, para mim, essa semana começou dolorosamente. Literalmente falando. Como se não bastasse as dores lombares que há anos me acompanham, soma-se a elas a dor no estômago e náusea provocadas pelo remédio que eu, mais ainda dores no quadril, além de dor na gengiva, bochecha e língua (é... dois sisos resolveram despontar de uma única vez), dor por quem não é querido, dor no pulso de tanto jogar videogame, dor nos pés e bolhas no dedão... Enfim, dor de tudo que é tipo e intensidade, sou praticamente um "varão de dores", como diz a letra de uma música. rs

Na Escola Bíblica de domingo passado comentamos rapidamente da importância da dor. Citaram uma frase de C. S. Lewis que diz algo do tipo "a dor é o megafone de Deus para um mundo surdo". Além de Lewis, mencionaram outro importante escritor cristão, Phillip Yancey que defende a importância da dor, em um livro que escreveu. Nesse livro Yancey fala que uma das principais causas (por que não a principal causa?) da mutilação entre as pessoas que sofrem de lepra é sua insensibilidade à dor, pois assim, não se dão conta de quando se ferem.

Essas citações me ajudaram a pensar mais claramente sobre a questão da dor, do sofrimento e entendê-los como meio didático de Deus. Me ajudaram a pensar mas não clarearam tudo a ponto de conseguir entender o porquê de Deus permitir as inúmeras desgraças que assolam a humanidade, tampouco criar uma própria teodicéia. Longe de mim isso agora! rs Mas me lembrei de algo interessante da minha infância e acho que tem algumas implicações espirituais interessantes.

Quando eu era pequeno, sempre fui um bom garoto mas costumava (observe bem o tempo verbal usado! rs) ser muito teimoso em certas coisas. Minha vovó Maria sempre me falava: "Miniiino! Será que seu escutador tá na bunda? Aaaaah! Vou te dar uma 'tunda' pra você aprender a obedecer minino!" Veja que linha de pensamento interessante da vovó Maria: quando se fustiga uma criança com chicote ou vara de marmelo, ela aprende a dar ouvido e obedecer alguma coisa.

Penso que Deus não é tão intenso quanto a vovó Maria na hora de provocar a dor (se é que Ele só permite a dor), mas sabe como ninguém fazer uso dela pedagogicamente. A dor e o sofrimento, como mecanismos orgânicos ou sintomas, são muito importantes, sendo tanto ou mais importantes quando são emocional, não-física. Tornam-se meios pedagógicos divinos recorrentes. A dor ajuda a memória: quem leva uma "tunda'' não esquece do que não se pode fazer; ajuda também a delinear de limites: lembra dos ratinhos na caixa de Skinner?; ajuda ainda a melhorar o comportamento reflexo e nos proteger do perigo: quando se fura o dedo, as pessoas geralmente tendem a se livrar dela o quanto antes e não termina aqui.

Quando falamos da dor do ponto de vista cristão, a vemos (novamente falando pedagogicamente) como meio importantíssimo que Deus usa para forjar e refinar nosso caráter. Como eu e grande parte das pessoas que conheço estamos bem longe de poder ser comparados ao patriarca Jó ou ao verdadeiro Varão de Dores, não resisto a pensar que cada dor que sentimos tem lá seu motivo de ser. Hoje é sexta-feira e, felizmente, estou há 4 dias sem me medicar e sem sentir dor alguma. Mas quando a dor voltar, o que isso vai significar? Será que Deus quer me dar recado? Qual ensinamento Ele quer me com isso? Em qual área da minha vida ou do meu caráter Ele está trabalhando?

Eis que faltam palavras e, para não terminar aqui sem dizer nada e não ter que recorrer ao chávico termo "churi churin fun flais", termino com a expressão goiana "rensgas!"

__________

sábado, 19 de abril de 2008

O poder das palavras sem tempero

"Você não vai aprender nunca, seu burro!"
"Te odeio"
"Baixinha, gorducha e dentuça!"

Em momentos de grande destempero, não pensamos antes de falar. Dizemos coisas que nem sempre devemos falar e que, muitas vezes, não correspondem à realidade ou ao que realmente pensamos. Em momentos de ira, desferimos nossa metralhadora verbal contra quem quer que seja, até mesmo contra pessoas que amamos, sejam elas nossos pais, amigos, irmãos. Mas isso não tem importância, queremos mais é destruir, ferir, matar e arrasar aquela pessoa que, naquele momento odiamos. E, muitas vezes conseguimos isso.

Palavras são, segundo sábia analogia, como que penas jogadas de um alto de uma torre: é impossível recolhê-las todas outra vez. Nós não temos o menor controle sobre os efeitos das palavras que proferimos, principalmente quando não temos o bom hábito de nos colocar no lugar do nosso interlocutor. É de igual forma dificílimo reparar o estrago que as palavras destemperadas causam na vida das pessoas.

Costumam dizer por aí que as palavras tem poder. Essa é uma verdade que precisa ser retificada. Muitas pessoas falam nesse poder da palavra como se fosse algo mágico, como se a palavra tivesse vida em sim ou um poder místico criativo. Isso é bobagem e só se aplica em "alakazam","sinsalabim", "abracadabra". O verdadeiro poder da palavras reside no potencial destrutivo que elas possuem, quando proferidas destemperadamente.

Palavras destroem. Palavras ferem. Palavras matam. Palavras arrasam. Um xingamento, uma ofensa, uma humilhação, uma calúnia, uma mentira, uma difamação. Assim, as palavras adquirem poder de destruir sonhos, ferir sentimentos, matar a alegria de viver, arrasar com a auto-estima. Por conta disso é que a Bíblia diz em Provérbios cap.18 v.21 que "a morte e a vida estão no poder língua."

Por falar em língua, a mesma Bíblia nos ensina a vigiá-la, pois é um importante princípio da sabedoria. Estando vigilante com as palavras, pode-se assim viver uma vida de prudência e coerência (sugiro inclusive a leitura de todo o capítulo 3 do Livro de Tiago).

Para terminar, recorro mais uma vez à Bíblia, citando as sábias palavras do apóstolo Paulo: "A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um." (Colossenses cap.4 v.6).

__________

terça-feira, 15 de abril de 2008

Prazer, delícia!

Em mais um serviço de ultilidade pública, ricardoemprosa traz com exclusividade uma deliciosa receita de uma deliciosa sobremesa mais fácil e mais rápida que eu mesmo sei fazer - que ninguém duvide dos meu dotes culinários! rs

Lápis e papel na mão, lá vai a receita de:

__________________________________________________
Iogurte Petit Suisse (tipo Chambinho):

Ingredientes:
- 01 copo de iogurte natural, sem sabor
- 01 lata de leite condensado
- 02 caixas de creme de leite
- 01 pacote de suco sabor morango (sem fazer merchand, mas prefira o Tang).

Modo de preparo:
Coloque todos os ingredientes no liquidificador e bata por aproximadamente 2 minutos. Despeje em taças de sobremesa e leve à geladeira por aproximadamente 30 minutos. E é só!
__________________________________________________


Não se preocupe, não voltamos ao terrível tempo que, em protesto contra a ditadura militar, os editores censurados colocavam receitas de bolo de fubá na capa do jornal... Tampouco secou a fonte da criatividade. Vamos dar uma folguinha de textos indigestos e ácidos e aproveitar o prazer que essa deliciosa receita pode te proporcionar...

__________

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Meme

"Um meme, termo cunhado em 1976 Richard Dawkins no seu "best-seller" controverso O Gene Egoísta, é para a memória o análogo do gene na genética, a sua unidade mínima. É considerado como uma unidade de informação que se multiplica de cérebro em cérebro, ou entre locais onde a informação é armazenada (como livros) e outros locais de armazenamento ou cérebros. No que diz respeito à sua funcionalidade, o meme é considerado uma unidade de evolução cultural que pode de alguma forma propagar-se. Os memes podem ser idéias ou parte de idéias, línguas, sons, desenhos capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autônoma. O estudo dos modelos evolutivos da transferência de informação é conhecido como memética.

Quando usado num contexto coloquial e não especializado, o termo meme pode significar apenas a transmissão de informação de uma mente para outra. Este uso aproxima o termo da analogia da "linguagem como vírus", afastando-o do propósito original de Dawkins, que procurava definir os memes como replicadores de comportamentos."
(Meme. Internet: http://pt.wikipedia.org/wiki/Meme. Consulta 10/04/2008.)

Bom, pra quem é completamente leigo como eu e que não entendeu patavinas do significado de "meme" no nosso contexto bloguístico, eu acho (rs) que é um modismo em que os blogueiros convidados mostram como escrevem sem o auxílio do teclado.

Quem me convidou para um meme foi o Teo Victor, muito obrigado! Quero repassar o convite para um meme para dois amigos que tenho curiosidade de conhecer a letra, a Márcia Galdinho, vulgo "Márcia Téquis" e também o Leandro Bertoletti, vulgo "Billy, o Grande". Vamos ver se algum dos dois tem letra de professorinha ou escreve em hieroglifo. rsrs

__________

terça-feira, 8 de abril de 2008

Frankensteinouska

Por mais surpreendente que isso possa parecer, eu estou solteiro e, à beira dos 25 anos (porque não dizer 30? rs) e, casamento nem está no horizonte... Outro dia falei com Deus a respeito disso. Não resisti à tentação e segui uma fórmula que havia lido quando era recém-convertido. Não lembro qual é o título do livro que li isso, mas lembro quem era o autor, o Pr. David Paul Yonggi Cho. Em tal livro ele ensina que, muitas vezes, não recebemos a bênção porque nossos pedidos de oração são vagos demais. Cho ensina e exemplifica que Deus espera que sejamos específicos em nossas orações, pois, além de comprazer em atender às minúcias de nossos pedidos, não correremos o risco de receber uma "bênção-de-Tróia". Fiz que nem o Pr. Cho ensinou e, mais específico impossível: "cabelo igual ao da Maria, voz igual ao da Tereza, o humor igual ao da Marta, espiritualidade igual à da Joaquina", enfim, remendei várias características que queria, fazendo uma verdadeira Frankensteinouska, com quem queria passar o resto dos meus dias.

Tempos depois, como era de se esperar, a Frankie não veio, me dei conta que fui um pouco exigente demais e cheguei à conclusão de que esse negócio de fazer muita exigência e especificação não está certo.

Quando dizemos a Deus o que e a forma que queremos que Ele nos conceda o que precisamos, não há nada de errado nisso. Aliás, oração é pra isso mesmo: oramos porque temos a necessidade de expor a Deus aquilo o que nos aflige, o que precisamos, etc. Porém, quando se vincula que devemos detalhar sobre uma necessidade para podermos ser atendidos, incorremos em alguns erros.

Quando dizemos a Deus como e quando Ele deve agir, perdemos, de certa forma, a humildade própria de quem está pedindo algo a alguém que lhe é superior. Nossa postura diante de Deus quando vamos lhe pedir algo, deve ser da maior simplicidade e humildade possível. "Pedir, pedir" não só é uma atitude de perseverança, mas também é uma postura de humildade ao recorrer quantas vezes for preciso até ser atendido em sua necessidade.

Afinal de contas, antes de pedirmos algo, Ele já sabe o que precisamos e concederá o que pedimos se Ele quiser. "Porque, assim como o céu é mais alto do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e o meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos" (Isaías cap.55 v.9). Lá do alto, Deus vê melhor que a gente, o que torna desnecessário aportar a Ele um meio ou um caminho para vir nos ajudar...

Não podemos ser arrogantes ao ponto de achar que Deus se obriga a conceder aquilo que pedimos do jeito que pedimos, nem temos o direito de questioná-lo caso não nos atenda nisso. Ele é extremamente soberano e não vai ser fazendo birra que vamos fazê-lo mudar de idéia. Também não podemos subestimar a inteligência de Deus, nem pensar nele como um sádico, capaz de nos conceder algo que mais tarde viríamos a nos arrepender de termos pedido ou que venha a nos prejudicar. Se pedirmos a Deus um pão, um peixe ou um ovo, Ele não vai nos conceder pedra, serpente ou escorpião. "Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal" (Jeremias cap.29 v.11).

Falo essas coisas de vivência própria. Por muito tempo pedi algo a Deus (que não a Frankie) e Ele me concedeu há pouco tempo. Pedi algo e também disse como queria que Deus agisse. Porém, a forma com que Ele agiu em minha vida não deixou dúvida que os caminhos dele e os pensamentos dele são mais altos e melhores que os meus. Deus fez mais que eu pedi e fez o mundo dar uma volta apara me abençoar.

Pois é. Se você não incorrer nesses erros acima ou em outros não mencionados e, mesmo assim continua à espera da sua Frankensteinouska (ou qualquer outro tipo de bênção), é porque você deve estar na Prova do Calendário.

__________

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Campanha

Olá queridos amigos e leitores! Quero aproveitar este espaço aqui para criar uma campanha de oração, que vou chamá-la de "Lembrou? Orou!". Mas, em se lembrando de mim, pelo que você vai orar? rs Ok, vamos lá, compartilho aqui minhas necessidades de oração: visando resolver meus perrengues financeiros decidi entrar de cabeça no mundo dos concursos públicos. Depois de algumas "na trave", resolvi estudar pra valer. Daqui até o final do ano vou fazer muitas e muitas provas, concorrendo aos mais variados tipos de cargos e funções. Mas enfim. O que eu quero e o que eu preciso mesmo é passar o mais rápido possível em qualquer concurso. Mas, se eu for na minha própria força não vou conseguir ir muito longe...

Portanto, orem por mim! Ore para que eu tenha bom êxito nessas provas. Ore para que eu consiga ter disciplina pra estudar. Ore para que, na hora de fazer a prova, Deus me faça lembrar o que eu estudei e me revele coisas que não estudei... Ore para que caso eu não dê voz ao Espírito na hora de marcar as questões, que Deus envie o Anjo Gabaritador para consertar as marcações erradas...

Enfim. Todos os domingos de Abril estarei fazendo prova de concurso. Enquanto isso, vou orando por mim, vou estudando, fazendo minha parte. Lembrando de mim, ore por mim! rs

__________

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Música do Céu

Outro dia estava na minha igreja com meu grupo de teatro. Participaríamos de uma reunião e, pra preparar o ambiente, resolvemos orar. Sempre que oramos nós buscamos colocar um fundo musical para dar aquele clima. Vimos perto do aparelho de som um cd gravado com o título "Músicas do céu". Pensamos "é esse que vamos ouvir" mas, quando o cd tocou, fiquei um pouco frustrado: era um cd de coletânea com músicas do Diante do Trono. Desculpe-me os leitores que gostam do Diante do Trono, mas decidimos orar sem fundo musical.

Bem, essa história da "Música do Céu" é só uma introdução da postagem de hoje, pra não perder o hábito de ser prolixo. Enfim, a postagem de hoje vai ser curta, vou mostrar a vocês um vídeo que vi essa semana, que se chama "Dança do Céu". Mas vou terminando por aqui. Vocês vão entender o porquê deu falar pouco. Esse vídeo é uma paródia gospel de uma música bem conhecida. Bem que o tema mereceria uma postagem, mas vou deixar vocês, leitores, com crédito de um cafezinho.

Enfim, confiram. Tirem as crianças da sala. Não recomendado para mulheres grávidas e hipertensos.




__________

segunda-feira, 31 de março de 2008

Chocolatárnia

(Se ao ler este texto você tiver a sensação de déjà vu, não se engane: qualquer semelhança não é mera coincidência! rs)

No princípio, Deus criou o mundo, todas as coisas, o homem, a mulher. Eles eram muito felizes por ter comunhão plena com Deus. Ele, bondoso e maravilhoso, deu ao homem e à mulher o chocolate.

Deus prometeu que o homem e a mulher morariam num lugar intangível para a mente humana, onde as ruas são de chocolate em barra e o mar é do mais puro chocolate: a Chocolatárnia. Os que entenderam e creram nessa promessa se puseram em marcha rumo a Chocolatárnia. Porém, nem todos chegam tão rápido quanto deveria. Muitos ficam no meio do caminho, buscando juntar todo chocolate possível para comer durante a caminhada. Assim, eles perdem muito tempo, se esquecendo que, em chegando rápido em Chocolatárnia, eles podem desfrutar mais cedo de todos infindáveis tipos e da infinita quantia de chocolate que ali há.

A vida é assim. Durante nossa peregrinação rumo à Terra Prometida, podemos alcançar bom emprego, saúde, sabedoria, títulos, bens materiais, riquezas. Tudo isso são bênçãos que Deus nos dá, são motivos de alegrarmos e meios para atravessarmos o percurso da vida. Essas bênçãos bem que poderiam ser meios para fazermos a obra de Deus, mas acabam se tornando condicionantes para que possamos nos dedicar à obra. Essas coisas se tornam prioridade absoluta, passando de meio para fim, nos "refenizam", nos prendem e nos atrasam.

Não perca tempo! Não se deixe envolver por demais com os cuidados dessa vida: firme em sua mente o que é essencial, o ponto final. Não se distraia durante percurso, nem arme sua rede nos oásis da vida: beba água, descanse um pouco, encha seu cantil e volte o quanto antes para o seu caminho! O mais saboroso chocolate você só vai degustar quando alcançar seu destino final...

__________

terça-feira, 25 de março de 2008

De olhos bem fechados

Uma revista de circulação local, chamada Elohim, trouxe na capa de sua primeira edição uma entrevista com o deputado federal Robson Rodovalho (Demo-DF), proprietário-fundador da Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra.

Definitivamente não gosto de acompanhar mandatos de políticos "reaça". Mas, sabendo de detalhes espúrios de sua atividade parlamentar, não pude deixar de conferir a entrevista que trazia o o curioso título "Bispo Rodovalho um político de fé e seu testemunho".

Antes mesmo de começar a ler a entrevista, tinha certeza que leria muitas bobagens. Há muitas respostas bem engedradas, dando um tom de espiritualidade um tanto artificial, além dos detestáveis e previsíveis chavões neopentecostais. Não esperava começar a ler algo relevante, mas o pior estava por vir: o que o bispo Rodovalho falaria sobre política, de certa forma tem peso, pois, expressa sua opinião como quem fala em nome dos parlamentares evangélicos.

Ao bispo Rodovalho foi perguntado sobre o papel da Igreja na Política e ele respondeu: "A Igreja precisa participar politicamente. Hoje a guerra é política, através dos decretos e das leis. E, se a Igreja não tiver soldados, será um exército que ficará à mercê do inimigo. Por isso, agora é hora de fechar os olhos e de colocar gente que vai guerrear por nós".

Bem, quanto a Igreja participar da política, sou contra. Sendo eu um homem das esquerdas, sou absurdamente contrário à reaproximação do Estado com a Igreja (seja ela qual for), pois essa participação nasce necessariamente viciada. Vejo com muita preocupação os passos da IURD (Igreja Universal do Reino de Deus) num movimento "neomedieval" querendo, claramente, solapar a ICAR (Igreja Católica Apostólica Romana), tomando todo espaço que esta outrora ocupara. Isso pode parecer Teoria da Conspiração, mas este movimento "neomedievalista" se confirma quando observamos que há muito se tem construído a candidatura do bispo Marcelo Crivella ao Palácio do Planalto. Sob o pretexto de que o Brasil será um país justo, próspero e solidário se seu presidente for um cristão evangélico, muitas denominações abraçarão a candidatura de Crivella (ou qualquer outro político semelhante) da mesma forma que abraçaram a candidatura do Anthony Garotinho.

Bem, voltemos ao que foi dito pelo Rodovalho na entrevista (mas antes ressalto que não sou contrário que evangélicos se aventurem na política).

O bispo Rodovalho propõe que a relação da Igreja com a política deva ser como uma guerra, onde os seus representantes no Parlamento serão como soldados. Fala em guerra mas não especifica quem é o inimigo. Pois bem. Questão de ordem: quem é o inimigo da Igreja? A regra (Bíblia) é clara: o Inimigo da nossa alma é o Dragão, a Velha Serpente, Santanás. Será que o Diabo anda passeando pelo Congresso Nacional?! É, está aí um primeiro equívoco do pensamento de políticos do naipe do Rodovalho: satanizar os que tem opinião contrária à sua, jogando-os contra a Igreja mesmo que esta não tenha debatido sobre tal opinião.

Em segundo lugar (prosseguindo com a esquisita alegoria de guerra), me pergunto quais seriam as armas usadas nessa guerra? Oração? Jejum? Ou seriam os decretos, leis, MPs? E quem disse que lesgislar em causa própria é legislar bem? Esta é uma atitude questionável e, se observarmos o naipe dos parlamentares cristãos, não é nada avalizante... Mas o pior não é ruim o suficiente. Os políticos, que se dizem evangélicos, ao invés de fazerem um "choque de honestidade", se adequam rapidamente às regras do jogo, dançam muito bem conforme a música da vez e não demoram muito a perfilar nas manchetes de escândalos de corrupção entre outros.

Por fim, "fechar os olhos e colocar gente" é desrespeitoso e ofensivo a nós, eleitores. Esta é uma proposta tão indecente que, desconheço algum político que por mais sórdido e canalha que seja tenha proposto tamanho absurdo. Mas alguém pode ser dissimulado o suficiente para dizer que o "fechar os olhos" que o bispo Rodovalho propõe seria um ato de fé, ou ato profético... Não! Não é isso mesmo! O que ele nos propõe é fechar os olhos para competência, aptidão, honestidade, passado que são importantíssimos parâmetros para se escolher um político. Fechando os olhos, somos coniventes e co-responsáveis pela incompetência, inaptidão, desonestidade e mau-caratismo dos políticos cristãos que elegemos.

Sinceramente, acho que quando o bispo Rodovalho fala em fechar os olhos, ele fala em benefício próprio. Certamente qual dos seus mais de 70 mil eleitores estava de olhos abertos para sua competência e aptidão política, para sua honestidade e seu passado? Qual deles teria estômago para acompanhar os meandros sórdidos do seu mandato e, conseguiria fechar os olhos para nele votar outra vez? É, se o bispo Rodovalho tiver aspiração para prosseguir na carreira política, é mesmo conveniente ter todos os seus eleitores de olhos bem fechados mesmo.
__________

quarta-feira, 19 de março de 2008

Ócio criativo

Caros leitores. Aprendi a lição de que não adianta escrever e postar textos depois das quatro da manhã (confira "Somos todos canalhas" que ficou franco e rendeu uma revisão pra corrigir um monte de erro ortográfico, de concordância, etc).

Agora são quase 2h horas da manhã, em Brasília. Pra não perder o hábito de postar compulsivamente, sem incorrer no erro anterior, vou postar algo já pronto. Não é bem um texto, mas sim uns comentários sobre uma música um tanto peculiar, chamada "Ócio Criativo", de uma banda mineira chamada Manitu. Além de fazer um merchand da banda, quero que este post seja uma homenagem a duas pessoas especiais: minha sócia em trambicagens e uma amiga que consegue fazer comentários melhor que minhas postagens e delas extrair coisas boas.

Enfim, aí vai a música (comentários entre parênteses):

__________________________________________________

Ócio Criativo

Letra: Alexandre Maia / Música: Manitu

Menina, quando te vejo, me sinto um ócio criativo.
(Tá se achando o próprio ócio hein? Criatividade, só no nome, a rima passou longe também)


Nessa era pós-industrial,
(Bancando o intelectual hein? Bons jargões, só faltou ter sentido)

o teu olhar é o grande jogo.
(Jogo de esconde-esconde é o que tua mina vai brincar)

O meu estudo é pra te conquistar,
(Vamos estudar economia porque música não é teu forte...)

o meu trabalho é te ver passar.
(Ha, na certa você é peão de obra!)

Faço o que gosto, olha minha feição,
(Se continuar fazendo o que faz e não reparar na nossa feição, nós - o resto do mundo - vamos parar de gostar de música)

ao som do samba sinto um novo coração.
(Alguém aqui falou em samba?! Enfim alguma coisa que faz sentido nisso tudo? "samba-do-crioulo-doido"!)

Menina da Manitu... Menina!
(Não seria "Capitu"? Machado de Assis, já ouviu falar?)

Contrato o céu só pra te entender.
(Só pode ter fechado contrato com o Edir Macedo e ter pagado em dólar... Perdeu dinheiro se ela tiver tanto conteúdo como você diz...)

Nas coisas tolas lembro de você.
(Ih, a mina deve ter muito conteúdo!)

Vejo um casal apreciando o pôr-do-sol, mais uma vez eu lembro de você.
(A mina deve ter tanto conteúdo, deve ser tão recheada que deve valer por um casal!)

De fundo um som bate, brisa do mar, mais uma vez me faz lembrar de você.
("Ao fundo" por favor! Mar, baleia, queria que uma orca aparecesse do nada e te engolisse vivo...)

Meu universo expande natural.
(Brisa, expansão natural, só se for a bruma da maconha)

Nas coisas tolas que me faz lembrar de você.
(Cara, tudo bem sacanear tua mina, mas sacanear o português não dá. "Fazem", por favor!)


__________________________________________________


Enfim. Acho que o comentário mais adequado pra essa música é "
Putz gril, que raio de música maconhada!"
__________

sexta-feira, 14 de março de 2008

Somos todos canalhas

Era uma família, de cinco ou seis pessoas que moravam apertadas num barraco de madeirite. A mãe, chefe da família, tinha lá seus trinta e poucos anos. Analfabeta, só sabia escrever o próprio nome e sabia ler o itinerário do ônibus que pegava: W3 Sul. Trabalhava aqui e acolá fazendo diárias em casas nas quadras vizinhas do supermercado de onde sempre descolava alguma coisa pra comer. Tinha quatro filhos, uma escadinha: o mais velho tinha 6 anos, a menina 5 anos, outro 3 anos e o mais novo tinha 1 ano e 6 meses. Esse último sempre estava enganchado na cintura da mãe, por onde quer que ela fosse. Os demais, peraltas que só vendo, ajudava no sustento da família vendendo pano de chão e chicletes no sinal, enquanto a irmã do meio fazia piruetas e ponte, dava estrelinha e outras estripulias que seu corpinho magro e elástico permitia. Estudar? Nenhum deles tinha tempo. A "lida", por menos rentável que fosse, era uma boa ajuda. E, com a dificuldade que a mãe tinha para conseguir escola pra eles, menos interessante era estudar.

Quando o dia não tinha diária, a mãe ia pro outro lado do semáforo. Vestia as roupinhas mais gastas, se sujava e desgrenhava os cabelos. Seu filho de colo, brincava no chão em volta dela e só vestia uma fralda de pano quase sempre molhada. Todos os dias, eles não iam embora antes de conseguir uns R$ 20,00 além da passagem.

Numa quadra ao lado do mercado vivia um talentoso pianista de vinte e poucos anos. Muitas pessoas que paravam em baixo do seu prédio ficavam por não poucos minutos, ouvindo os extasiantes exercícios que ele praticava manhãs e tardes afora. Muitas vezes, começava a tocar quando acordava e terminava lá pras oito da noite. Também pudera, era o ministro de louvor da sua igreja. Tinha bom statu na igreja, cargo importante e até remuneração interessante. Assim sendo, tinha mesmo que ensaiar quantas horas fossem possíveis para estar afiadíssimo no culto de domingo.

Tudo parecia estar em perfeita ordem quando, certo dia, o tempo que o pianista dedicava aos estudos diminuiu abruptamente. Se antes ele acordava às nove para começar a tocar, agora, nunca começava a estudar antes do meio-dia. Os exercícios que antes lhe davam horas de satisfação, passaram a ser momentos de ansiedade que pareciam não passam nunca. Desde que "ela" apareceu em sua vida, essa passou a ser sua realidade. Ela quem? "Ela", a vizinha do bloco ao lado. Sempre chegava do trabalho no mesmo horário, faltando quinze minutos pras seis horas. Talvez por descuido, ela nunca fechava a janela nem fechava a persiana do seu quarto. Entrava lá, colocava música alta, tirava a blusa e o soutien, dançava e cantava com um microfone imaginário. Essa rotina era observada pelo jovem pianista, o ministro de louvor, que até comprou um bom par de binóculos. "Ela", a vizinha do bloco ao lado mudou-se. Foi assim que o pianista trocou o voyerismo pela pornografia na internet. De início, buscava fotos amadoras e caseiras; por fim, qualquer imagem de nu lhe satisfazia. Dizia a certas pessoas que já havia visto todas as mulheres nuas do mundo. Continuava a ministrar louvor na igreja, mas não da mesma. As músicas pareciam não ter o mesmo brilho, não tinham a mesma graça de antes. Não emocionava ninguém e ele mesmo não sentia problema algum em tocar hinos que exaltavam a santidade de Deus.

Em outra quadra próxima ao mercado vivia um velhinho há tempo muito aposentado. Jogar damas com os taxistas da quadra e fazer palavras cruzadas eram hobbies, mas, o hobby preferido era passar tempo em sua fazenda que, ficava no Entorno de Brasília. Nessa fazenda havia muitas vacas leiteiras, alguns cavalos de raça. Galinhas, porcos, as plantações e hortaliças, tudo o que era servido à mesa do velhinho vinha de lá.

Muitas pessoas trabalhavam na fazenda, dentre eles um sobrinho. Bem, ele era sobrinho de consideração, pois, na verdade, era um agregado que havia conquistado a simpatia do velhinho. O sobrinho e sua família vieram tentar a sorte em Brasília, mas viram seu sonho de conquistar uma vida digna ruir. Não queriam voltar para o interiorzão de Tocantins, mas "deram a sorte" de conhecer o velhinho que de pronto os ajudou.

O sobrinho era casado e tinha três filhos: sua mulher cuidava da casa do velhinho e da horta; dois filhos já ajudavam a tirar leite, tratar dos porcos e dos cavalos e o mais velho ajudava o pai na roça. Todos trabalhavam muito em troca de muito pouco (quase nada): um salário-mínimo e uma cesta básica por mês. De fato, aquilo era pouquíssimo e sempre passavam o mês com muita dificuldade. De sol a sol trabalhavam: não tinham feriados, férias ou descanso algum. Não tinham carteira-assinada nem nada. Não achavam que tinha direito algum de reclamar (nem tinha tempo pra isso), pois o velhinho se demonstrava convicto de que os ajudava mais do que podia.

Bem, voltando ao mundo onde as semelhanças não são coincidências, se preciso for, criamos uma lista enorme de coisas que justificariam nossas ações. É fato que as pessoas não nos conhecem quem somos por inteiro, nem conhecem nossas motivações. Nem todas as pessoas são gratas o suficientes para reconhecer quanta coisa boa achamos fazemos, que nem sempre é, além da nossa conta. Hum. São todos canalhas. Somos todos canalhas. Imagina se reclamássemos reciprocidade, e a recebêssemos, que caos não seriam seus relacionamentos?

Temos o péssimo hábito de achar que o que fazemos não é observado ou percebido por ninguém, como se a máscara que usamos fosse capaz de nos esconder por inteiro. Ledo engano! Bem sabemos quem somos além do que sabemos bem o terreno onde pisamos. Esperamos que as pessoas ajam conosco de tal e tal forma sendo que, nós mesmos somos incapazes de agir (em condições normais) de tal forma. A reciprocidade que reclamamos consiste em esperar atos mais nobres do que aqueles que apresentamos em contrapartida e mais nobres ainda em relação aos quais podemos praticar.

Mas enfim. Penso que a perfeição em reciprocidade se dará quando as pessoas não pensarem em reciprocidade, quando os atos forem de fato despretensiosos. Agiremos de acordo com o que achamos ser certo, sem a preocupação que isso causará (ou não) um efeito positivo que nos atingirá. Mas a nossa realidade, à cada dia que passa, mais se distancia da perfeição que idealizamos. Temos que nos contentar com o que na verdade somos e mas não nos acomodar sabendo que não somos os únicos canalhas.

__________

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Parênteses II

Hoje, num último ato do meu antigo trabalho, participei de uma licitação chatíssima. Meu Deus, como odeio aqueles lugares, aquelas pessoas, aquelas coisas todas... Mas, no meio da reunião eis que aparece do nada uma pessoa que usava uma perna mecânica. Por mais que ele aparentava ter desenvoltura com aquela parafernália toda, notei que ele manquejava.

Passei a pensar como seria a vida de um mutilado. Não sei se alguém pensa sempre numa perna como a parte preferida do corpo, ou um braço como a parte mais importante. Geralmente pensamos cada parte do corpo é importante porque integra o corpo. Talvez, só dimensionamos sua importância quando a perdemos e percebemos o quanto faz falta.

Hoje me senti assim. Não mutilado (estou inteirinho), mas me senti manquejando. Abrir mão de coisas que gostamos, que amamos é dificílimo. Mas, quando temos de abrir mão de algo que faz parte de nós, é tão doído quanto uma mutilação não avisada e não anestesiada. Qual será minha perna mecânica? A conferir.

__________

Parênteses I

Suas mãos salpicadas de pintinhas charmosas
Seus braços tão sedosos que me envolvem quando mais quero
Seus beijos que me acalmam e que eu almejo...

Claro que te amo!
Vai ser pra sempre.
Te amo mais que tudo na minha vida...

__________

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Lei da semeadura - uma lei que não pegou

“Não vos enganeis, de Deus não se zomba, pois tudo o que o homem semear, isto também ceifará". (Gálatas cap.6 v.7)

Não sei se vocês se lembram, mas em 2004, a relação dos Estados Unidos com o Brasil foi bastante turbulenta. Nesta época foi evocada a "Lei de Reciprocidade" (em que o governo brasileiro podia fazer exigências semelhantes às que os outros países lhe cobrava), obrigando aos turistas americanos pagar uma taxa de U$ 100,oo pelo visto de entrada e ser fotografado no processo de identificação. A aplicação do princípio de reciprocidade causou bastante polêmica até mesmo entre os americanos que acusavam o procedimento, por parte dos brasileiros, de imaturo e pré-histórico. Pra piorar a crise diplomática, além frequentes e polêmicas matérias assinadas pelo repórter Larry Rother, um piloto da American Airlines, Dale Robbin Hersh foi preso ao ser fotografado pela Polícia Federal mostrando o dedo médio (aquele dedo da malcriação).

A aplicação da Lei de Reciprocidade causou grande polêmica, chegando inclusive à internet, onde um site financiado pela American Airlines bloqueou o acesso de brasileiros ao seu conteúdo. Mas, esse recrudescimento não durou muito tempo. Setores do próprio governo brasileiro lutaram contra a aplicação desse princípio, argumentando que isso poderia desestimular a entrada de turistas estrangeiros no Brasil, prejudicando o setor do turismo. Pouco tempo depois foi aprovada no Congresso Nacional uma lei que flexibilizava a Lei de Reciprocidade, facilitando a entrada de turistas estrangeiros no Brasil.

Bem, mas o que tem a ver a Lei da Reciprocidade com a Lei da Semeadura? Simples, absulotamente tudo a ver: o princípio de ambas é que à cada pessoa é devolvido o que foi feito, quer seja bom ou ruim. A Lei da Semeadura é a versão bíblica e espiritualizada da Lei da Reciprocidade, sendo essa a versão mais requintada do Código Hammurabi. E, tal como a Lei da Reciprocidade não pegou, a Lei da Semeadura também não pegou. Palma, palma, não priemos cânico! Pode guardar seu "heresiômetro" que não tô doido por contrariar a Bíblia, vejamos:

A Lei da Semeadura funciona sim e perfeitamente bem. Ela só funciona no plano vertical dos relacionamentos, no plano espiritual da coisa. Se semearmos espírito, colheremos vida eterna; se semearmos carne, colheremos corrupção. É certo que, em Deus, tudo o que se planta dá. E essa colheita está intimamente relacionada à semeadura. Colhemos o que semeamos na proporção de 30, 60 ou 100 por 1.

Mas, no plano horizontal dos relacionamentos, a lógica da Lei da Semeadura (ou Reciprocidade) não funciona muito bem. Quem nunca semeou a mais canina da lealdade e, em troca, não foi sacaneadamente traído? Quem nunca dividiu o último Ferrero Rocher a quem nem lhe oferece um pedacinho de um Chokito (quer chocolate pior que o Chokito)? Quem nunca semeou gentileza e camaradagem e colheu rispidez e desprezo? Quem nunca ofereceu uma das faces e levou um tapa na outra?

É... A vida é assim mesmo, cheio dessas contradições. É norma, dar vontade de desistir e chutar o pau da barraca. Mas nem sempre vale a pena. Não podemos condenar ninguém por nos tratar de forma diferente da que a tratamos (ou trataríamos). Às vezes mudamos de lado do balcão, trocamos de papel e vamos do mais belo mocinho pro mais asqueroso monstro japonês. Nossa natureza é naturalmente má e são poucas as vezes que fazemos coisas boas sem querer algo em troca. Afinal, "Somos todos canalhas".
__________

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Ano novo, casa nova, sem carro de novo...

e vida nova!

Preocupar em comprar um suporte pro microondas, levar a máquina de lavar pra consertar o vazamento, dormir mais tarde pra poder lavar o banheiro, e outras coisas afins podem ser um tormento para alguns, mas, para mim, tem sido algo estimulante.

Conseguir enfim me libertar do meu emprego sem ao menos ter outro emprego encaminhado, não sabendo quando vou receber recisão, direitos trabalhistas etc, seria, antes, um tormento pra mim. Mas, agora, tem sido um exercício contra a ansiedade.

É impressionante a incrível capacidade que a vida tem de se aut0-estimular, animar... Coisas que poderiam ser o fim, tornam-se em um belo começo. Uma tragédia, torna-se numa esperança.

Viver na dependência de Deus é se abrir, diariamente, para conhecer e experimentar o "tudo [que] se fez novo". Vivendo em Deus, tiramos espaço das coisas velhas, desgastadas e subutilidazas e ocupamos com as coisas novas que Ele nos dá. Ano novo, casa nova, sem carro de novo, procurando emprego de novo: vida nova! Que coisa deliciosa!!!

__________

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

COMIC, por que não?

Carnaval está chegando e, por conseguinte, o COMIC. Quem não sabe o que significa COMIC, explico: é o Congresso das Mocidades das Igrejas de Cristo (denominação que sou membro desde que me converti), que é realizado anualmente em alguma cidade desse Brasil, mas mais concentradamente no Centro-Oeste. Como o COMIC faz parte da agenda oficial da Igreja de Cristo no Brasil, grande parte das igrejas enviam caravanas de jovens e adolescentes, propiciando (em tese) comunhão entre as diversas congregações.

A minha igreja, inclusive, já organizou um COMIC, em 2006, no qual trabalhei muito. Porém, neste ano, a minha igreja não se dedicou exclusivamente ao COMIC, decidindo organizar um Retiro para todos aqueles que não fossem ao COMIC. Ainda que a ênfase dada ao Retiro local tenha sido por um ataque direto ao projeto de promoção da unidade e união da Igreja de Cristo no Brasil (como dizem) tenho que discordar e argumentar contra o COMIC do jeito que está.

Digo que sou absurdamente a favor da unidade, comunhão com outras igrejas etc e tal. Mas, forçar essa unidade através do COMIC, não dá. Penso que união e unidade, em se tratando de Igreja de Cristo, nada mais é que utopia, sendo bobagem. É normal dentro da nossa denominação que as cogregações, ministérios e lideranças se isolem na auto-suficiência de seus próprios feudos. E esses feudos tem porteiras fechadas, e de lá, só olham pra outro feudo a fim de conquistar seus adeptos.

Penso que este desinteresse em comunhão é até compreensível. A Igreja de Cristo do Brasil se tornou um verdadeiro circo dos horrores, e, por conseguinte, algo repulsivo. Falo por mim mesmo: não tenho o menor interesse em ter comunhão com pessoas que me desrespeitam falando palavrões e “sacanagens” de púlpito. Não tenho o menor interesse em ter comunhão com mendigos da fé, que, no afã de conquistar vultosas ofertas me constrange e me faz pensar que estou sendo espoliado. Não tenho o menor interesse em ter comunhão com neo-judaizantes (desculpem pela mal-criação, mas é bem lá que quero que enfiem o shofar e bobagens afins). Não tenho o menor interesse em ter comunhão com os defensores da Teologia da Prosperidade, na verdade tenho é dó deles.

Agora, falo do outro lado, o lado das “bizarrices-irmãs”, se citados acima tem interesse em ter comunhão comigo? Não, nem um pouco. O nosso sistema de governo congregacional nos impede de ter comunhão. O COMIC, como forçação de barra pra essa comunhão, se tornou um circo de horrores, não servido para outra coisa que senão palco onde cada qual quer se auto-promover, divulgar seus périplos diante dos demais feudos.

Entendo tanto o porquê do COMIC não ter sido divulgado enquanto o Retiro tem sido amplamente divulgado quanto o porquê da ida a dos jovens da nossa igreja ao COMIC ter sido praticamente desencorajada: ainda resta um pouco de bom senso em nosso pastor. Além do COMIC ter perdido (há muito tempo) sua razão de ser, não servindo pra comunhão entre as igrejas. Diante dos últimos incidentes e tragédia, é uma irresponsabilidade mandar nossos jovens pra lá sem que vá alguém que deles cuidem (por isso, não faz o menor sentido mandar “fraldinhas” também).

Não acho (de forma alguma) que o incentivo para irmos ao Retiro seja manipulação, boicote ou outra coisa do tipo. Penso que nosso pastor foi até bonzinho demais nos dando a opção de irmos ao COMIC ou ao Retiro. Se ele houvesse nos proibido de ir ao COMIC obrigando-nos a ir ao Retiro, ainda assim seria uma decisão sensata, e a melhor pra todos: termos a certeza que, no Retiro, teremos edificação e crescimento espiritual, enquanto no COMIC, a possibilidade de se ouvir bobagens, pregações e ministrações péssimas é praticamente 100%.

O feriado de carnaval é o maior feriado do ano. É uma oportunidade única que podemos aproveitar de várias formas, sendo que, buscando a Deus, em união e unidade, é a melhor delas. Penso que ir ao COMIC do jeito que é/está é um grande desperdício de tempo.

O COMIC de 2009 deverá ser organizado pela UMIC (União das Mocidades das Igrejas de Cristo). Achei uma idéia sensacional, apesar de algumas restrições. Participei de quase todas as reuniões da UMIC-DF e, sinceramente acho que a UMIC não conseguirá organizar um COMIC em 2009. Mas caso venha a UMIC venha organizar um, repetindo os mesmos erros e vícios dos COMICs anteriores, vou continuar fazendo parte do grupo dos que não estão afim de ir pro COMIC e que certemente irá pro Retiro.
__________

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Diálogos entrecortados de encontros

- É, você deu uma encorpadinha, da última vez que nos vimos...
- Que nada, tô gordo mesmo...
- Não tá gordo nada... Ficou lindo!
- Que isso... (risos (amarelos))
“Já era né, fico mais”
(Esse internetês mata de raiva!) “Você quem ficou linda...”


Olhos distantes, circulantes e evitantes, buscam alguma coisa pra não se reencontrarem. É difícil, a chuva lá fora, o vidro do lado de dentro. Quanto tempo fazia, que lugar mais impensado pra se verem. (“Você sabe o significado do seu nome?” “Sim!”). O cruzamento foi inevitável.
- Oi!
Segundos depois 2 segundos, uma cara de esquecido olhando por cima do outro:
- Olá!
(Tchau!)

__________

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Vou te contar...

Como disse em outro oportunidade, meu relacionamento com números é bastente conflituoso. Tenho certa dificuldade com matemática, física, enfim, qualquer área do conhecimento que envolva cálculos. Nessas matérias, eu mal mal domino as 04 operações básicas e as operações matemáticas mais avançadas que eu aprendi e sei fazer é a Regra de 3 e o Teorema de Pitágoras.

Essa inimizade com os números vem desde o berço e perdura até hoje. Me lembro que no vestibular da UnB o Cespe até forneceu calculadorazinhas pra fazer os cálculos que a gente pensava ser necessários, mas eu preferi usar minhas técnicas infalíveis de contar nos dedos e o "sobe 2... toma 1 emprestado... cai 1" dentre outras... rs

Alguns anos antes disso, no segundo grau na época, estava eu pedindo explicação pra professora de Física, agachado ao lado da sua mesa. Ela me contou (depois) que no meio da explicação eu fiquei com olhos estatalados e fui caindo em "câmera lenta". Passei mal e caí em convulsões bem em frente da turma toda... Foi terrível! Acordei não sabia o que estava fazendo nem onde estava. Perdi a explicação da matéria (nada grave, não iria aprender nada mesmo). Meus amigos ficaram com medo de mim, pensando ser eu um epiléptico que poderia ter uma crise à qualquer momento e à todo instante...

Enfim.

Acho que estou me libertando desses problemas com os números. Vou te contar. Ontem, antes de dormir, ao invés de pegar meu livro de cabeceira vi um jornal jogado em cima da mesa. Fui ler um pouquinho sobre política, economia etc, mas, como o sono tava pegando, pulei pras palavras cruzadas. Meu pai havia resolvido as que eram mais fáceis mas, rapidamente, terminei todo o resto. Mas os 10 minutinhos que fiquei resolvendo a cruzadinha fez espantar meu sono. Olhei logo abaixo das cruzadinhas havia um sudoku. Dei uma risadinha de canto de boca, pensei comigo mesmo: "por que não tentar, afinal é nível fácil e eu não vou conseguir mesmo!" Ledo engano. Passados não mais que 30 minutos eu não só tinha pegado a manha do sudoku, bem como tinha preenchido todas as casinhas e com poucas rasuras! :-O

Realmente estou impressionado e orgulhoso de mim mesmo. Oswald de Souza que se cuide!!! rs

P.S. Geralmente as minhas postagens tem um final meio repentino, parecendo que está incompleto. Mas colorín colorado, este cuento está terninado. Este post pode até terminar incompleto, mas o sudoku tá completíssimo!
__________

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Se o rei está na barriga, quem estará no coração?

A resposta é simples e, contrariando a lógica de deixar a resposta pro final, vai a resposta: se o rei está na barriga, quem está entronizado no coração é a própria pessoa (com todas suas paixões, deleites, concupciências, vaidades). Deixe-me explicar.

Há um versículo bíblico que diz algo do tipo "onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração". Este versículo fala sobre algo muito interessante. Tesouro são coisas que damos valor, importância, e que guardamos com muito zelo e carinho. Muitas pessoas dão valor a coisas efêmeras, fúteis, secundárias, de pouco valor, coisas corruptíveis e que "a traça e a ferrugem corroem" e que "ladrões minam e roubam". Dão valor a status, fama, dinheiro, bens e valoram as pessoas de acordo com este padrão deturpado.

Jesus foi bastante enfático quando falou com dureza em relação aos ricos e a riqueza. Muitas pessoas tentam amenizar o que Ele disse em Marcos cap. 25 v.10 dizendo que "agulha" era o nome de uma porta estreita e baixa que havia em Jerusalém... Isto é engodo, pura bobagem! Ainda que Ele conhecesse uma porta com esse nome - não se engane - Jesus, sem sombra de dúvida, não se referiu a ela. Ele lançou mão de um recurso retórico chamado hipérbole. No argumento de Jesus, agulha é aquele objeto pequenino usado em costura e camelo é mesmo aquele bichão grande, comum no Oriente, com direito a duas corcovas e tudo mais.

De fato, Jesus disse que é impossível um rico entrar no Reino de Deus. Logo em seguida ele emenda dizendo que para Deus não há impossíveis. Mas pensemos no que torna impossível a entrada de um rico no Reino. Passemos a falar em generalidades.

Ricos vivem atarantados por conta de sua riqueza, ansiosos por preservá-la, mantê-la e aumentá-la. Há pouco tempo e espaço em seu coração para Deus e os semelhantes.

Ricos são ávaros e mesquinhos em essência. Preservar, manter, aumentar a riqueza deixa pouco espaço pra compaixão e caridade. Dividir com quem não tem chega a ser insano: "como posso ajudar a quem, em igual oportunidade e chances, não 'fez por onde' ter o que tenho?"

Ricos não dependem de Deus como provedor: Mamom (dinheiro em aramaico) é o seu deus provedor. Tudo o que precisam está ao alcance de suas mãos. Pode-se pagar por tudo o que quiser, nada precisa ser pedido a Deus (nem mesmo a salvação: é só quitar o carnê de sócio-fiel pra ter garantido seu lote no céu).

Ricos tem padrões de valores e mensuração peculiares: medem as pessoas pelo tem (ou aparentam ter) e não pelo que são. As pessoas são divididas entre os que tem e os que não tem. Dentre os que estão no grupo dos que tem, há uma classificação de acordo com o valor das suas posses: os que usam roupas de grife e os que compram na Renner, os que tem o carro do ano e os que suam pra quitar o leasing, e por aí vai. O círculo de amizade dos ricos não pode ser composto de pessoas de outro nível social, sob risco de se abrir a aproveitadores.

Há vastas características ruins que são empecilhos para que os ricos, de acordo com Jesus, adentrem ao Reino de Deus. "O amor ao dinheiro é raiz de todos os males" nos diz Paulo em I Timóteo cap. 6 v. 10. Menciono isso pra deixar claro que não estou fazendo apologia à pobreza, apesar de achar muito bacana os ensinamentos de São Francisco de Assis, nem um convite à inércia e ao conformismo. Reforço ainda que o que falo genericamente sobre ricos, é óbvio que existem gratas excessões. Defendo aqui que o relacionamento das pessoas com a riqueza e do rico com sua riqueza podem, quase que invariavelmente, tomar caminhos ruins.

Volto à pergunta inicial: se o rei está na barriga, quem estará no coração? Enquanto o Rei Jesus estiver longe e não assentar no trono dos nossos corações e nossos corações não forem rendidos a Ele, tendo nosso tesouro nEle, quem continua ocupando nossos são nossas paixões, desejos, concupciências, vaidades. E, estando neste segundo quadro, tudo está perdido: teremos pouco tempo pra desfrutar aquilo que a nossa riqueza nos proporciona, teremos dificuldade de relacionamentos, Deus será um acessório dispensável e as pessoas são meros objetos com valores agregados (ou não) e teremos uma visão de mundo e das pessoas irremediavelmente deturpadas.

__________

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Limonada

A vida tem sido muito legal comigo. Ela tem me dado muitos limões (alguns azedos que só), mas que estou aprendendo a fazer boas limonadas. Preciso aprender a regrar o açúcar que tenho, colocar na medida certa no meu café e na limonada também.

Muitas vezes é difícil resistir à tentação de me deixar levar pelo rio que se forma pelos baldes de água fria que muitos (até mesmo amigos) me jogam na cabeça, e desanimar. Mas tenho resistido. Isto tem sido ótimo, vai render até mesmo uma nova postagem, aguardem! rs

Mas enfim.

Algumas apostas são arriscadas demais, mas, insisto, certamente vale a pena. A arte da espera é um exercício de paciência, mas, só os que persistem nisso não desperdiçam cartas. Por falar em cartas, numa trinca de reis, a carta mais valorosa é o Rei de Copas.

Bom, tá bom de conversa truncada. A tecnologia bate na porta de ricardo em prosa. Confira esse vídeo inspirador:


__________

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Planejando, empacotando e indo preservando o gerúndio

Muitas vezes começamos o ano com planos de iniciar uma nova dieta, parar de fumar, matricular num curso de caligrafia, juntar dinheiro pra casar em maio, etc, etc, etc. Traçamos planos para o ano novo afora, mas deles nos esquecemos pouco tempo depois do carnaval.

Muitas vezes somos atropelados pela nossa rotina ou caímos na real que nossos planos são utópicos demais para serem colocados em prática. Planejamento é tudo, mas, nem sempre planejamos corretamente. Antes de tudo, devemos parar para fazer uma auto-avaliação: é preciso saber onde estamos e refletir sobre onde queremos chegar.

De fato, início de ano é a época do ano mais oportuna para fazermos esse balanço de vida. É imperativo avaliar onde estamos, quais são nossas demandas, problemas, sonhos, metas. Se possível, melhor seria se essa avaliação fosse comparativa com o ano anterior ou determinado período anterior de nossa vida.

Posteriormente a isto (somente) assim é que saberemos quais e quais caminhos a seguir, ou seja, aí está o planejamento. Traçamos as estratégias e, com aquela reflexão, vemos quais são os impeditivos para alcançarmos o que almejamos: empacotamos, guardamos ou jogamos fora. Empacotamos pessoas, sonhos e metas vencidas, modus operandi, vícios, lembranças enfim, qualquer coisa que seja impedimento ou atraso para que aquilo que planejamos não caia no esquecimento.

O ano de 2007 foi um ano de grandes conquistas para mim, coisas grandiosas, que jamais pensei alcançar. Deus cumpriu muitas promessas feitas para mim. Há muito mais ainda! A Ele sou grato por tudo isso. O ano de 2008 desponta com cara de que algo novo Deus está por fazer (aliás, vai continuar fazendo).

Enfim! Queridos leitores, me dêem licença pra falar de mim para mim mesmo. Este post escrevi pra mim mesmo, pra não esquecer de colocar em prática algumas coisas importantes que aprendi com uma vizinha minha... rsrs De qualquer forma, feliz ano novo pra todos!
__________

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

É proibido agir?

O famoso cantor e compositor João Alexandre lançou, há poucos meses, seu último trabalho entitulado “É proibido pensar”. A música principal, homônima ao título do álbum, traz uma letra um tanto polêmica por inferências indiretas a grandes figurões do cenário televisivo-musical gospel brasileiro. Menciona erros doutrinários, corrupção clerical, comercialização do Evangelho, simonia, etc.

Confira a letra da música:

"É proibido pensar" de João Alexandre ____________________

“Procuro alguém pra resolver meu problema
Pois não consigo me encaixar neste esquema
São sempre variações do mesmo tema
Meras repetições

A extravagância vem de todos os lados
E faz chover profetas apaixonados
Morrendo em pé rompendo a fé dos cansados
Com suas canções

Estar de bem com vida é muito mais que renascer
Deus já me deu Sua Palavra
E é por ela que ainda guio o meu viver

Reconstruindo o que Jesus derrubou
Re-costurando o véu que a cruz já rasgou
Ressuscitando a Lei pisando na graça
Negociando com Deus

No show da fé milagre é tão natural
Que até pregar com a mesma voz é normal
Nesse evangeliquez universal
Se apossando dos céus

Estão distante do trono, caçadores de Deus
Ao som de um shofar
E mais um ídolo importado dita as regras
Pra nos escravizar.


É proibido pensar (5x)

Procuro alguém pra resolver meu problema
Pois não consigo me encaixar neste esquema
São sempre variações do mesmo tema
Meras repetições
Meras repetições

É proibido pensar”
__________________________________________________

Fiquei impressionado ao ouvir essa música. Parece que João Alexandre leu meus pensamentos a eles deu rima e música. A pobreza e pouca criatividade das estrelas “góspeis” são uma lástima. Igualmente insuportáveis são as músicas infinitas que repetem e repetem e repetem e repetem duas a quatro palavras do fim da frase à exaustão. (Corrupção, simonia, mercantilismo da fé, extorsão, charlatanismo nem se fala).

O malabarismo exegético feito por telepastores e mesmo os músicos são estonteantes e um forte ataque ao ortodoxismo bíblico. Aberrações provocadas pelo crescente semitismo como o uso do shofar me fizeram um dia participar de uma campanha virtual “Não sou boi, eu sou ovelha. Não ao uso de berrante nas igrejas.”

Mas quem mais pensa assim? Somos poucos, somos como os sete mil companheiros de Elias que não beijaram os pés de Baal (nossa, que bonita comparação não acham? rs) O grosso número das ovelhas são de cristãos-médios, que estão apenas ávidos por adquirirem o mais rápido possível toda enxurrada de livros e cds e cuidam de estarem antenados nos últimos modismos “góspeis”.

Acho que essa música foi muito feliz em suas críticas e por conseguir embarcar tudo e todos na canção. Contudo, penso eu, ao levantar questões sem propor soluções, acabou ficando presa naquilo que critica, a superficialidade. O desabafo do autor da música faz parecê-lo um velho pessimista, conformado com o cataclisma anunciado. O convite ao arrazoamento e a instigação do senso-crítico são abafados e sutis.

O grande defeito dos críticos contumazes (que não é o caso) é que estes nunca apontam uma direção, uma solução para os problemas por eles levantados. Muitas vezes, em uma atitude rixosa, levantam críticas, agigantam os problemas e depois caem fora no calor do debate.

A crítica chamada construtiva (ou em um bom "teologiquês" chamando por “denúncia profética”), feita por pessoas inconformadas com o atual sistema e esquema das coisas, nunca deixa de denunciar sem apontar a cabível solução. Para tanto, é preciso pesar prós e contras Do contrário seria apenas bravata e maledicência.

Concordo com João Alexandre: o sistema e a lógica das coisas nos impõem opiniões formadas, nos vedam e coíbem o livre pensar. Mas há algo mais a fazer, além de denunciar isto. É proibido agir?
__________

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Nascido para morrer

Seu nascimento foi predito por reis, profetas e anjos. Por conta de um censo que aconteceu em Israel seus pais foram para uma pequenina cidade, onde acabou por nascer em um rude estábulo. Recebeu ilustres visitantes: pastores e magos do oriente que o presentearam com ouro, mirra, incenso... Ele foi apresentado por um ancião chamado Simeão que, tomando-o em seus braços disse “os meus olhos já viram a tua salvação, a qual tu preparaste ante a face de todos os povos; luz para revelação aos gentios, e para glória do teu povo Israel”.

Ele foi para o Egito, sob perseguição do rei Herodes. Tempos depois, voltou para Israel e foi morar em Nazaré da Galiléia, onde cresceu e tornou-se homem. Fez milagres, ressuscitou vários mortos, curou enfermos, andou sobre a água.

Seus parentes o tinham por louco. A multidão que estava com ele por vezes o seguia por interesse; ora queria fazê-lo rei, ora queria matá-lo apedrejado. Um de seus amigos o traiu com um beijo. Um dos seus melhores amigos o negou por três vezes. Foi réu num julgamento onde não havia acusação alguma e não se defendeu com palavra alguma. Declarado culpado, foi castigado, levando sobre si todo o castigo que deveria recair sobre cada pessoa que passou e passará por este planeta. Calado, sofreu muitos açoites e morreu sozinho numa cruz de humilhação.

Não houve, em toda a história da humanidade, alguém que se identificasse com sua humanidade caída como ele. Ele conheceu todo tipo de dor, decepção, frustração, medo, solidão. Mesmo assim ele decidiu entregar-se e morrer para que o mundo pudesse ser justificado pelo seu sangue. Ele morreu, mas lê-se em seu sepulcro “He is not here – He is risen”: “Ele não está aqui! Ele ressuscitou!”. Foi assunto aos céus, onde está à destra de Deus e de lá virá buscar o seu povo escolhido.

Esse alguém se chama Jesus, morreu por você, em seu lugar. Ninguém te amou tanto quanto ele...
__________

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

O amor comentado e aplicado

Ganhei um presente que me deixou bastante estimulado a ler a Bíblia: um Novo Testamento de estudo, versão King James. Espero que essa empolgação vare 2008 adentro e que eu consiga completar o Rally Bíblico. rs

Deus andou falando algumas coisas através da leitura da Palavra. Alguns textos maravilhosos com ótimos comentários. Como bom "crente-pá" vou transcrever alguns desses textos e comentários para que vocês também sejam abençoados...


Romanos cap. 12 vv. 3-18 ____________________

"Porquanto, pela graça que me foi concedida, exorto a cada um dentre vós que não considere a si mesmo além do que convém; mas, ao contrário, tenha uma auto-imagem equilibrada, de acordo com a medida da fé que Deus lhe proporcionou.
Pois assim como um corpo temos muitos membros, e todos os membros não têm a mesma função, assim também nós, embora muitos, somos um só corpo em Cristo, e cada membro está ligado a todos os outros.
Temos diferentes dons, de acordo com a graça que nos foi dada. Se alguém tem o dom de profetizar, use-o na proporção da sua fé. Se o teu dom é servir, sirva; se é ensinar, ensina; se é encorajar, aja como encorajador; o que contribui, coopere com generosidade; se é exercer liderança, que a ministre com zelo; se é demonstrar misericórdia, que a realize com alegria.
O amor seja sem qualquer fingimento. Odiai, sim, o mal e apegai-vos ao bem.
Amai-vos dedicadamente uns aos outros com amor fraternal. Preferindo dar honra a outras pessoas, mais do que a si próprios.
Não sejais descuidados do zelo; sede fervorosos no espírito. Servi ao Senhor. Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração.
Cooperai com os santos nas suas necessidades. Praticai a hospitalidade.
Abençoai os que vos perseguem; abençoai, e não amaldiçoeis.
Alegrai-vos com os que se alegram; chorai com os que pranteiam.
Vivem em concórdia entre vós. Não sejais arrogantes, mas adotai um comportamento humilde para com todos. Não sejais sábios aos vossos próprios olhos.
A ninguém devolvei o mal por mal. Procurai proceder corretamente diante de todas as pessoas. Empreendei todos os esforços para viver em paz com todos."


I Coríntios cap. 12 vv. 4-6 ____________________

"O amor é paciente; o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, nem é arrogante. Não se porta de maneira inconveniente, não age egoisticamente, não se enfurece facilmente, não guarda ressentimentos.
O amor não se alegra com a injustiça, pois sua felicidade está na verdade."

Comentário:

" O amor que vem de Deus tem dupla característica: a) Ativa: não espera ser amado primeiro para retribuir, mas toma a iniciativa e age com misericórdia (benignidade). b) Passiva: não se precipita em julgar e condenar, mas espera pacientemente (longanimidade) pela ação poderosa e perfeita do Senhor [...]"


Mateus cap. 7 v. 1 ____________________
"Não julgueis, para que não sejais julgados."

Comentário:

"Jesus mostra que é possível ajudar nosso semelhante com conselhos e críticas, bem como devemos estar dispostos a aprender, avaliar e ensinar. Entretanto, como cristãos, nosso dever é amar antes de julgar. Um coração repleto do amor de Deus não será acusador, mesquinho, invejoso, crítico contumaz ou difamador. A marca do cristão deveria ser seu amor irrestrito e altruísta pelo próximo, em especial por seus irmãos em Cristo."
__________

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Fabuleta perneta e cabeceta

Era uma vez um lindo porquinho chamado Arnaud. Desde pequeno ele foi criado como bichinho de estimação e morava dentro da casa dos Chermont. Seu lugar preferido na casa era a cama do seu dono, Henri (o filho mais moço dos Chermont). Aliás, Arnaud gostava mesmo era de estar onde Henri estava; gostava de segui-lo como uma sombra.

Madame Chermont adorava paparicar Arnaud. Como tinha obsessão por limpeza, gastava bastante tempo com a higiene do porquinho. Banhos mornos eram diários; Arnaud ficava tão limpinho e rosadinho que, por onde passava, deixava para trás um cheirinho de talco de nenê. Após o banho, madame Chermont dava o mimo final: trocava sua uma gravatinha amarela sempre bem laçada.

Aconteceu que, certo dia, Arnaud saiu pela porta da sala que estava entreaberta. Ele aproveitou que Henri não havia voltado da escola e madame Chermont, distraída, preparava o almoço. Arnaud aproveitou para sair e ver de perto o que antes via apenas pela janela da casa...

Como era bom andar pela grama verdinha em volta da casa... Arnaud ficou tão feliz que começou a correr focinho erguido... Ah, que sensação de liberdade, ar fresco! Ao correr, Arnaud cruzou o gramado que circundava a casa e passou por uma poça de lama. Ele nem se deu conta que havia se sujado e continuou seu curso. Quando percebeu que Henri já estava perto de chegar em casa, voltou correndo para dentro da casa para esperá-lo em cima de sua cama. Um rastro de lama seguiu Arnaud, suas patinhas não se limparam na grama nem no tapete. Depois que pulou na cama, os lençóis de Henri ficaram imundos.

Quando Henri chegou em seu quarto, de um grito expulsou Arnaud de lá. Logo veio atrás dele madame Chermont e subiu em seu quarto. De igual modo, madame Chermont começou a gritar por causa da imundícia que ficou a cama de Henri. Ambos expulsaram Arnaud da casa, aos gritos, praguejando-o.

Arnaud não entendeu o porquê de tanta gritaria. Tempo depois ele percebeu que havia sujado os lençóis de Henri... Mas, por que tanta gritaria? Tanta fúria e tanta ira pesaram o coração de Arnaud que mais se machucou com as reações que com as pedradas que levou de Henri.

Cansado e tendo em mente que jamais voltaria para a casa dos Chermont, Arnaud achou abrigo num celeiro abandonado, não muito próximo da casa. Ali um pouco mais adiante havia um lugar onde os fazendeiros vizinhos depositavam o lixo e que serviram de alimento para Arnaud. Aquele lugar parecia não ser tão ruim assim e Arnaud resolveu viver por lá.

Quando amanheceu, Arnaud acordou com seu corpo envolto em teias. Levou um susto: quando abriu os olhos deu de cara com dois seres horríveis, uma aranha e uma taturana. Coração acelerado, semblante assustado e olhos arregalados, Arnaud deu um pulo para trás. Mas a voz doce e a conversa mansa fizeram com que Arnaud não temesse a aranha (madame Bussey) e a taturana (Désirée).

Depois das apresentações, os três passaram horas e horas conversando. Ambas questionaram Arnaud o porquê dele ter saído do conforto da casa dos Chermont, mas não demorou muito para a conversa tomar outros rumos.

Como eram agradáveis e curtas as longas horas que os três passaram juntos. Madame Bussey era extremamente agradável, sua doce voz encantou Arnaud; Désirée era divertidíssima, sempre falava bastante besteira e muitas vezes havia bebido... Conversaram e conversaram, os assuntos eram vários e atravessavam a madrugada. Nos dias seguintes, assim que despertavam, voltavam a se ver e dá-lhe conversar...

Dias depois, a conversa dos três voltou a ser sobre os antigos donos de Arnaud. Madame Bussey e Désirée acordaram em falar mal dos Chermont. Disseram que eles não gostavam de Arnaud e ele seria o prato principal na ceia de natal da família. Disseram que quem o sacrificaria seria o monsieur Chermont e quem o cozinharia seria a madame Chermont...

Isso aterrorizou Arnaud. E o Natal de fato se aproximava. Eles combinaram que jamais iriam sair daquele esconderijo enquanto não passasse o Réveillon. Por conta do frio, madame Bussey teceu uma teia para aquecer Arnaud que parecia com uma caixinha. Dia após dia ela fazia uma parte da caixa, só deixando uma abertura por cima e outra para a entrada (mal percebeu Arnaud que ele estava sendo cercado). Como era aconchegante aquela armadilha (madame Bussey e Désirée combinaram que no Dia de Reis seria o dia que sacrificariam e devorariam Arnaud).

O fatídico dia chegou: pela madrugada madame Bussey se apressou em tecer a última parte da armadilha, que ficou pronta antes do amanhecer. Arnaud dormia profundamente, os primeiros raios de sol despontavam. Madame Bussey e Désirée estavam prontas para o ataque, quando entraram no celeiro dois homens. Com um chute, um dos homens, o monsieur Chermont jogou longe a aranha e a taturana. O segundo homem, o capataz da fazenda, agarrou o porquinho pelas orelhas. Sem muitas dificuldades, cravou-lhe uma afiada faca embaixo da pata dianteira, fazendo gritar bastante e jorrar sangue até sua morte.

Madame Bussey tinha razão: Arnaud acabou indo para a mesa dos Chermont. Monsieur Chermont foi quem o sacrificou e, quem o preparou como prato principal no jantar oferecido ao duc de Saint-Simon foi madame Chermont.
__________

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Sexta beneficente

Puxa, que saudades de postar aqui no meu blog... Ando trabalhando tanto que, minhas idéias fervilhantes pro meu blog ficaram todas encalhadas, uma fábula que de tão sem pé nem cabeça, acaba que empacou as outras idéias e acabaram morrendo... rsrs Mas enfim, enquanto não termino o próximo post, vou relatar o que me aconteceu na semana passada (sexta-feira, dia 30, dia do Evangélico aqui em Brasília).

Estava eu afim curtir meu "feriado" dormindo até mais tarde, não trabalhando direito e voltando pra casa mais cedo... Mas meus planos forma frustrados por meu pai, me surpreendendo com um convite para apresentar teatro, compromisso este que nem me lembrava direito. Alguns desencontros e brigas, mas não tive como fugir (nem queria): se eu não cumprisse este compromisso, eu teria que trabalhar no feriado e sem descanso... rs Então, já viu né?

Procurei pelos meus discipulitos ("discipulitos" segundo Ricardo Aurélio, membros da equipe de evangelismo através do teatro chamado DiscípuLUZ) e quase nenhum deles puderam me acompanhar nesta apresentação, exceto dois fraldinhas ("fraldinhas" = pequenos jovens com idades inferiores a 18 anos). E lá fomos nós.

Acordei-os bem cedo pra um feriado, numa sexta-feira (antes das 7h). Atrasamos, mas fomos pro local da apresntação, uma escola num setor de chácaras em Planaltina de Goiás. Eram mais de 500 crianças, o lugar estava meio lameado e começou a chover. Parecia que os meus fraldinhas não iam gostar muito do passeio, mas, no final, eles até me agradeceram. Sempre é gratificante fazer a obra de Deus e abençoar as pessoas que mais precisam...

Por lá ficamos um tempinho depois do almoço e voltamos pra civilidade. Sem nada pra fazer, não querendo que eles fossem fazer outra coisa que não fossem supervisionados, fomos pra Igreja fazer nada. Ficamos jogando "adedonha" e acabei ganhando de ambos! Rs

Depois de tanta inutilidade, fomos ao shopping pagar um boleto e comer alguma coisa. Chegando lá, vimos uma grande aglomeração na porta... Pensamos ser mais um emo suicida, ou então uma estúpida flash mob. Encontramos com a mãe de uma fraldinha que tava passando mal e intoxicada... Ela conseguiu explicarque havia explodido uma bomba no 3º pavimento do shopping. Todo mundo saiu ao mesmo tempo, foi uma bagunça geral... Um tempo depois descobrimos que na verdade havia rompido um cano de água, o que causou o grande estrondo. Mas enfim. Comemos e voltamos pra igreja de novo.

Resolvemos que, pela noite, iríamos a um concerto do Coro Comunitário da UnB no Teatro Nacional: música erudita, de alta qualidade, coisa que nossos ouvidos não estão acostumados. Do início ao fim tive que ficar explicando a música e pedir silêncio, etc. Mas aparentemente eles gostaram, apesar de terem dito que preferiria ouvir funk ou axé. Rs

O Inimigo de nossas almas tem muito a ofertar aos fraldinhas em geral e para nós todos. A adolescência é uma fase muito conturbada: queremos experimentar e vivenciar tudo o que o mundo pode nos oferecer. Os hormônios fervilhantes nos levam a fazer coisas que mais tarde nos arrependeremos. Me senti um pouco pai nesse fim de semana, ocupando o dia desses fraldinhas com coisas positivas. É muito fácil estar na corte e se contaminar com os manjares do rei. Às vezes é bom percebermos que somos acompanhados, que tem alguém que se interessa pelo que fazemos, pelos nossos problemas muitas vezes bobos e virtuais. Ter, por vezes, alguém mais velho por perto, não só nos ajuda a ponderar sobre que fazemos e pensamos, bem como nos ajuda a lembrar o que na verdade somos.
__________

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Dança com dinossauros

Esta semana está prometendo. Meu tempo que já era corrido que nem que nem perna de cobra tá menor ainda. Amanhã tenho que terminar um edital de licitação com mais ou menos 1.200 intens para serem orçados. Enfim. Pra não perder um hábito cá estou eu postando mais um texto antigo, mas nem tanto...


Divirtam-se!
__________________________________________________

Quem não se lembra, da década de 90, o episódio da Família Dinossauro que falava da “dança do acasalamento”? Lembro que, na época, estudava nas primeiras classes do ensino fundamental e entre a garotada não se falava de outra coisa. Qualquer movimento sinuoso ou esquisito era zuação na certa. Mas em meio a tantas brincadeiras nós não tínhamos a dimensão daquilo que ensinava aquele programa infantil talvez não tão despretensioso.

Assisti um dia destes um episódios em que o Bob, um adolescente com hormônios borbulhantes foi aconselhado várias vezes por outros dinossauros mais experientes. Fiquei encafifado com uma frase interessante que foi repetida várias vezes pelos simpáticos dinossauros. Fazendo uma paráfrase do que eles falavam, poderiam ter dito algo do tipo: "a relação sexual deve existir num relacionamento afetuoso, monogâmico e preferencialmente depois do casamento". Achei isto muito interessante.

Mas, mais interessante ainda é pensar que, um ensinamento bastante cristão foi defendido num programa nada cristão. Assistindo a programação da TV aberta vejo uma situação ainda mais interessante: a Rede Record, uma emissora não-cristã, comprada por bispos de uma igreja meio-cristã, exibe uma novela em que um dos pares românticos será formado por um casal gay (um relacionamento nem um pouco cristão).

Diante de tudo isto, passo a pensar de quem é a responsabilidade pela educação e orientação sexual das crianças e dos adolescentes com hormônios efervescentes que povoam nossas Igrejas. Sem dúvida alguma, este papel é, principalmente, dos pais. Mas este monopólio é da família? Creio que não. A escola, a sociedade e também a Igreja são co-responsáveis por isto (ou pelo menos deveriam ser). E, dentre estes três, destaco ainda a Igreja como principal responsável pela educação e orientação sexual, uma vez que tem como obrigação comunicar os valores éticos e morais do Reino e de Deus.

Mas o que a Igreja tem a dizer e ensinar aos jovens sobre sexualidade? Exemplificando num caso hipotético de uma gravidez na adolescência: o que a Igreja pode fazer? Expulsar ou excluir o jovem casal da comunhão? Constrangê-los a confessar o pecado diante de toda a congregação? Obrigá-los a casar? Que se pode fazer com incautos que porventura geraram outra criança? Quais tipos de medidas se devem ser tomadas para sanar este e outros problemas de forma eficaz, exemplar e definitiva? Qual tipo de referenciais tem sido nossos pais, líderes, pastores etc e até quando estes são exemplos positivos e aplicáveis?

Informação, (comunicação), exemplo são boas medidas. Em uma passagem da Bíblia Deus fala para aprendermos com as formigas... Penso que Deus também nos fala para aprendermos um pouco com os dinossauros.
__________

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Anexo ao "Pretos também sofrem, pobres também morrem..."

Bem, como suspeitei desde o princípio, vi que algo faltava em meu texto "Pretos também sofrem, pobres também morrem..." Infelizmente perdi o texto integral, que havia postado também no sítio SuperGospel. Mas fazer o que né?

Acho que o que faltava no texto seria a menção ao assassinato de Balbina Alves da Silva, que ocorreu na mesma semana da morte da Maria Claudia Del'Isola. O crime contra D. Balbina foi pouco noticiado, talvez pelo fato do povo não ter qualquer tipo de empatia por uma senhora pobre, negra, talvez não muito bonita, moradora de um local pobre da periferia do Entorno de Brasília.

Este fato corrobora com minha argumentação de que a mídia brasileira é elitista, preconceituosa, bairrista, parcialista, tendenciosa (e porque não dizer direitista?): um crime tão bárbaro como o assasinato da D. Balbina virou apenas uma nota curta nos jornais de Brasília.

Leia a curtíssima e talvez única matéria sobre o caso e pense sobre o que norteia a a empatia do zé-povão e os noticiários brasileiros:
___________________________________________________
Crime bárbaro 17/12/2004

A noite de quarta-feira de Balbina Alves da Silva, 74 anos, tinha tudo para terminar bem. A moradora de Edilândia — pequeno município localizado a 25km de Águas Lindas, em Goiás — estava feliz por ter participado de um amigo oculto com os colegas do Grupo Escolar. No meio da madrugada, no entanto, foi brutalmente assassinada. A Polícia Civil de Águas Lindas, que investiga o caso, ainda não tem pistas do assassino.

Eram 22h quando Balbina foi vista pela última vez. Saiu do colégio e foi para casa. Quem a conhecia garante que faria a última oração do dia, antes de se deitar. Católica fervorosa, tinha santinhos espalhados pelos cômodos.

Nesta quinta-feira, quando a sobrinha Dirce Bento Rodrigues chegou à casa, por volta de meio-dia, se deparou com a cena chocante. Balbina estava nua , estirada no chão da sala, coberta por um lençol e um cobertor. Foi sufocada com fita adesiva e tinha a parte central do crânio afundada por um golpe de marreta. De acordo com o chefe da equipe de investigação de homicídios, agente Carlos Brandão Júnior, essas foram a causa da morte. A Polícia Civil suspeita que ela tenha sido vítima de violência sexual.

A crueldade não parou aí. Balbina teve o tórax golpeado mais de 50 vezes com tesoura. Outra perfuração, mais profunda, foi feita do lado direito do peito. ‘‘Diversos crucifixos foram desenhados com gilete no tronco da mulher. Além disso, ovos de galinhas foram introduzidos na vagina’’ , disse Brandão.

Para completar o quadro macabro, alguns terços estavam espalhados ao redor de Balbina, um deles enrolado em sua mão. O corpo estava coberto por farinha e açúcar. Ao lado, um castiçal com vela.

Apesar da casa ter sido revirada e duas bolsas com documentos e dinheiro terem desaparecido, a polícia descarta a hipótese de latrocínio. ‘‘O bandido não se preocuparia em montar uma cena tão terrível’’, explicou Brandão.

Apesar da casa ter sido revirada e duas bolsas com documentos e dinheiro terem desaparecido, a polícia descarta a hipótese de latrocínio. ‘‘O bandido não se preocuparia em montar uma cena tão terrível’’, explicou Brandão.
__________

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Pretos também sofrem, pobres também morrem...

Neste último fim de semana recebi uma mensagem de uma desconhecida no Orkut. Ela comentava sobre um texto que escrevi na época em que a jovem brasiliense Maria Claudia Del’Isola foi brutalmente assassinada pelo casal de caseiros que trabalhavam em sua casa.

Acabei publicando este texto numa comunidade do Orkut Homenagem à Maria Claudia e, por conta disto, recebi pedrada de tudo que era lado. rs (Se você quiser conferir a reação e repercussão que o "inoportuno" texto causou, clique aqui
).

Bem, o caso do assassinato desta menina deve ter um desfecho por estes dias. Salvo engano, o julgamento do casal começa hoje, onde vão responder pelos crimes de homicídio triplamente qualificado ocultação de cadáver, estupro e atentado violento ao pudor.

Vou aproveitar o ensejo e copiar o texto pra cá. O texto não está na íntegra, porque tive que condensá-lo pra que coubesse nos padrões do Orkut na época (o final, quase que de praxe, parece que merece uma continuação rsrs). Apesar de ter 03 anos, acho que continua atual e não perdeu a força e a pimenta da polêmica. rs

Divirtam-se...
___________________________________________________

Ela era estudante, moradora do nobríssimo bairro do Lago Norte, pele clara, cabelos lisos, jovem, rica, bonita. Sua morte foi noticiada nacionalmente. O Correio Braziliense dedicou dezenas de páginas pra descrever o fato e acompanhar o andamento da perseguição dos culpados. No Orkut, milhares de pessoas prestam homenagens e destilaram os mais amargos sentimentos de injustiça e comoção. O Brasil ficou perplexo com tamanha crueldade e frieza com que assassinaram a jovem Maria Claudia Del’Isola.

Diante de barbaridades como essa e, com tamanha comoção, tento repensar a situação da seguinte forma: imagino se o mesmo crime tivesse acontecido no Setor O, se a vítima se chamasse “Claudete” e fosse uma "da Silva e Souza", se ela tivesse pele escura, cabelo crespo, se ela fosse feia, se fosse babá, pobre e se fizesse supletivo do 1º grau... Imagino se tal pessoa tivesse sido assassinada não por empregados, mas à semelhança do que ocorreu, à traição e com crueldade. Será que, nesta situação hipotética causaria toda esta comoção nacional? Será que o Fantástico destinaria preciosos minutos de sua programação para noticiar o caso? Será que o Correio destinaria inúmeras páginas com minúcias do crime? Será que o programa da Sônia Abrão faria nauseantes reconstituições, será que o Clodovil teria chiliques ao refletir, noticiar e aprofundar em tal caso?

Observo a forma com que o populacho brasileiro indigna-se: se for uma pessoa pobre, preta e favelada diz: "é apenas mais um que foi vítima da violência urbana e da instabilidade sócio-econômica" agora, se tiver o sobrenome complicado (Staheli, Von Richtenhofen, Del'Isola), se for branca e loira, rica, aristocrata, morador de bairro chique, a situação muda: é motivo de revolta, indignação e comoção nacional. Vira mote pra campanhas publicitárias antiviolência, vai ser tema debatido nas novelas e programas televisivos, tem espaço garantido na impressa marrom e vermelha.

Os brancos ricos sofrem, devem ser velados com flores, choros e coroas enquanto os pretos e pobres não são dignos das nossas condolências ou lembranças, não nos interessamos por eles. É preciso repensar nosso modo de sentir injustiça e indignação.
__________

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Côvado sonoro

Quinta-feira de um ano qualquer antes de 2006, 07h da manhã, numa parada de ônibus da EQ 34/36 do Guará II. Várias pessoas estão esperando passar o ônibus (como é de se esperar). Todas pessoas estão esperando os velhos e lotados ônibus da Viplan, exceto uma pessoa: o doido do fone de ouvido. Ele está lá, todos os dias. Quando ele não vai, quem vai é o doido do sombreiro, mas esta doido fica pra próxima.

Me veio à mente a cena deste estranho doido, que tantas vezes me deixou intrigado. Quem era este? O que ouvia? Alguém disse que ele era um grande estudioso, que de tanto se aprofundar em cálculos matemáticos acabou surtando. História intrigante, figura intrigante. Está sempre ali, de pé, um sujeito que mexe os dedos e balança a cabeça e o corpo pra frente e pra trás. Sempre quietinho na dele ouvindo sabe se lá o que em seu fone de ouvido, não é incomodado com os olhares curiosos e recriminantes, nem incomoda a ninguém.

Partamos. Penso que o fone de ouvido é um invento fabuloso. Muitas vezes me irrito quando falo com alguém que acha que consegue prestar atenção no que digo e na música que está ouvindo. Outras vezes fico aliviado quando alguém com gosto musical duvidoso ouve suas músicas, em silêncio, por um fone de ouvido.

Às vezes penso que estou ficando velho, não suporto barulho, ruído, alto ou constante. Meus irmãos correndo e gritando pela casa ou pela igreja faz com que eu deseje ter uma pistola a laser e acertar na testinha deles. Meu vizinho com seu “novo” CD do Raimundos me faz ter vontade de derrubar o poste de energia da rua. Meus novos vizinhos com hábitos sexuais intensos e regulares, me fazem amaldiçoar a Pfizer.

Volto a dizer, o fone de ouvido é um invento fabuloso. Não só é a porta de entrada pro incrível mundo do autismo, bem como é um eficiente meio de manter-se à um côvado do seu próximo. “Use fone de ouvido”... Vou sugerir que o Pedro Bial use esta frase... rs
__________

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Buuuu!!!

Meu gosto pra filmes não está sintonizado com o gosto dos donos de cinemas e meus amigos que vão comigo: não gosto de filmes de ação, romance, comédia romântica, enfim, não gosto de filmes americanos. Por causa disso, ir ao cinema, geralmente, é uma experiência meio frustrante. Foram inúmeras as vezes que fui ao cinema com amigos que, ao final da sessão, disseram “nunca mais volto aqui com você”. rs

Quer relatar a minha ida ontem ao cinema. Na verdade, o filme foi a primeira parte do tratamento que estou prescrevendo à uma amiga minha: nos divertiríamos primeiro, conversaríamos depois. Na verdade, eu iria me divertir primeiro (pois o filme pré-selecionado prometia ser mesmo aterrorizante) e depois quem conversaria mais seria esta amiga.

Quando fomos perder tempo tentando achar outro filme, como de praxe, gostei apenas de uma das dúzias de filmes em cartaz. Mas, como sempre sou voto vencido, não fiz muita oposição ao filme que fosse o menos pior e escolhemos assistir o filme “1408”. Vi que os produtores deste filme foram os mesmos de “Constantine” e “Transformers”, dois filmes que não gostei. Respirei fundo, mas estava disposto a não ser balde e tentar me assustar um pouco.

O filme conta a história de um escritor, Michael, que passou a escrever sobre assombrações, casas, hotéis mal-assombrados etc. Ele era um cético que não acreditava em Deus nem assombrações. Passava noites mal-dormidas, e sempre suficientemente abugigangado na tentativa de captar atividades paranormais. O início foi água-com-açúcar até o momento em que Michael recebeu um desconvite a não ir à suíte nº 1408 do Hotel Dolphin, em Nova Iorque. Blablablablá e enfim ele conseguiu entrar no tal quarto mal assombrado. Sem muitos detalhes, caso você queira assistir o filme, várias coisas estranhas aconteceram. No desenr
olar da trama Michael ficou perturbado com as assombrações que ele via e com as coisas que aconteceram ao seu redor. Realmente o filme é assustador; teve um momento que eu até gritei, mas logo depois caí na gargalhada, claro. rs

O que mais me chamou atenção neste filme e que me motivou a prosear sobre ele, é o fato de que as assombrações que o nosso tão cético e destemido Michael existiram apenas na sua mente. Na trama, volta e meia as suas frustrações, falhas, omissões bailavam assombrosamente torturando-lhe em seu subconsciente. Era um embaralhado de fatos do passado com do presente, fazendo prognósticos nada animadores sobre seu futuro. Se o que aconteceu ao Michael fosse apenas um pesadelo, sem dúvida este foi o mais real e sinistro pesadelo que alguém já teve o desprazer de sonhar. Aquilo era tão real e sinistro que, até a parte em que ele dialogou com sua filha e seu pai mortos, foi irreal mas real, ilusório e sinistro.

Penso que, na vida real, as coisas funcionam como os acontecidos da vida do nosso amigo Michael na suíte 1408. Por mais que a gente não creia e se recuse a enxergar as assombrações que nos perturbam a vida, e, por mais que estas pareçam ser irreais, elas existem e tem um porquê de existir. Se algo nos perturba, tira nosso sono ou martela em nossa cabeça como um tronco de sequóia se rachando ao meio sobre nossa cabeça (que nem que nem no desenho do Pica Pau), não ignore nem fuja: é real. Nosso subconsciente sempre dá seu jeito de gritar quando algo está errado. Por mais que a nossa consciência esteja cauterizada, Deus sempre prefere falar com a gente através dela (não espere por uma mula dando bobeira pra Deus falar!)

Por fim, este filme nos deixou algumas lições de moral bastante interessantes, herói o antigo cético e auto-suficiente Michael: se algo é importante pra você, não desista, não se menudize, mas enfrente seus pesadelos e assombrações. Corra atrás do que foi perdido e do que se vai perdendo, quer seja o tempo, amor, respeito ou pessoas e relacionamentos. Não tenha medo de assombrações, algumas sequer existem. Já as que existem servem para nos confrontar e medir nossa coragem e apurar nosso caráter.
__________

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Lá se foi o circo

O palhaço sentado no seu banquinho improvisado, se olha no espelho do seu “camarim” das duas lâmpadas quebradas. A maquiagem é difícil de sair e feia, mas ameniza sua feiúra do pobre artista. Vida de palhaço é dura. Levar pipoca na cara, canelada de criança mal-criada é pouca bobagem. Que tédio agüentar as vovozinhas, mamães e papais, moças e velhos, tudo é suplício e tédio. Trazer um riso no rosto quando há choro no coração só não é pior que o ordenado no fim do mês. Nesse caso nem dá pra encenar o descontentamento.

Às vezes tem vontade de sair, procurar outra coisa melhor que fazer. Talento tem de sobra, há que ter um pouco acrobata, manusear malabares e fazer mágicas e não subir no trapézio. Vida dura, não poder receber carta, ter sempre que bater as botas antes de calçá-las, fincar a estaca apenas o suficiente para que não vire a armação, saber que não poderá levar pra casa (e que casa?) sorriso que você conquistou.

É hora de enrolar a lona, o circo já virou um amontoado de tábuas e grades. É hora de socar tudo no caminhão e encaixotar as coisas e guardar na jaula ops! no trailer. Pé na areia, a barriga não tá cheia. Há muito chão pra rodar, muitos lugares a conhecer nesse emaranhado de caminhos que se entrelaçam Brasil adentro e afora.
__________

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Maçã podre

Você já ouviu falar em pessoas que, por causa do joanete, dizem conseguir prever quando vai chover ou fazer frio? Há tempos as atrás eu li algum estudo que falava sobre a relação entre os joanetes e tempo, mas nada cientificamente fidedigno. Mesmo que esta relação careça de base científica ou explicação lógica, algumas pessoas juram de pé junto (se os joanetes permitirem) que conseguem mesmo prever o tempo.

Tão incerto e inexplicável é o poder prognosticador dos portadores de joanete assim sou eu em meus pitacos que beiram ao agourismo. Às vezes, eu puxo a ficha criminal das pessoas (mentalmente) só de olhar nos olhos e observar um pouco. Outras vezes, em determinadas situações, consigo delinear um futuro possível (bom ou ruim) e costumo não errar nestes meus prognósticos. Como disse, isto não tem explicação alguma. Falando como cristão, nem arrisco dizer que isto é um dom espiritual. Nem tenho muita preocupação em qualificar, determinar o que é isto. Uso isto, poucas vezes não deu certo. rs

Ultimamente tenho tido alguns presságios. Nada animadores. Estes presságios são sobre a congregação que faço parte. Por uma questão ética e por puro desconhecimento do que está por vir, prefiro omitir nomes e fatos. Tenho visto que algumas coisas não estão certas, outras tantas que não estão nada retas. Tudo, aparentemente, está na santa paz de Deus. Mas é tudo aparência. Muitas movimentações estranhas, quase que um xadrez de influências, muita gente que amamos na alça de mira do Inimigo e iminente queda.

Sinceramente sequer sei explicar o que está acontecendo. Também não sei com muita certeza o que vai acontecer. Mas, à cada dia que passa, aparecem confirmações de minhas suspeitas: como diria meu pastor Edson “tá tudo atrapaiado”.

Uma coisa eu sei: há algo de podre no Reino da Dinamarca. Mas, felizmente, estas coisas não ficarão em oculto nos porões e nos bastidores. Tenho orado a respeito disto. Os porquinhos vão sair da sala. O que está escondido não vai ficar assim por muito tempo. Máscaras vão cair, muita gente vai cair torta no chão. Fico triste, mas fico feliz, sei que tudo o que acontece e vai acontecer está sob os atentos olhos de Deus. Outra coisa eu sei, não vai ficar pedra sobre pedra. O momento é crucial, ou dá ou desce, ou vai ou racha. Quem está de pé que se cuida pra que não caia (se nossos joanetes não nos atrapalhem, claro...)
__________

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Jesus no mercado

Quando eu era menino pequeno lá nas bandas de Ipameri, assistia todas as tardes, na TV Bandeirantes, um programa de TV que chamado SuperMarket, apresentado pelo meu xará Ricardo Corte Real. No último quadro (o que eu mais gostava), várias duplas saiam às compras, como loucos, jogando tudo que viam na frente pra dentro do carrinho. Fazer parte deste quadro deste programa foi, por muito tempo, um sonho (aliás mais um dos sonhos de consumismo, como ficar preso num shopping center fechado... rs).

Ontem passei por uma experiência parecida. Eu e mais alguns amigos especiais, digo, Bruno e Talita (Ferrari, Rafael e Tchaina chegaram depois) fomos à um hipermercardo atacadista comprar algumas coisinhas... Eram fardos e fardos de comida, produtos de higiene e limpeza... Zoação manjada quando fomos pegar o papel higiênico pela quantidade que levávamos e pelo quase test drive que fizemos. rsrs Dúvida cruel quanto as cores de escova de dente e modelo de absorvente (mais uma aula de cultura geral com a Tita sobre o uso deste aparato mensal feminino). Muitas e muitas contas de custo-benefício pra melhor comprar molho de tomate, macarrão, detergente, sabão em pó...

Sabe, estas compras foram as mais divertidas de toda minha vida, talvez mais prazeirosas que as compras que um dia faremos pra abastecer nossa futura República "Independência ou Morte". Grande animação tomou conta do meu coração, me senti muito, muito importante. Importante não pelo ato de nobreza - não sei se você está sabendo, mas tantas "coisinhas" que andamos comprando são doações que levaremos no Dia das Crianças para o orfanato Recanto Cristo Vivo
. Eu me sentia importante não pelo que fazia, mas por quem eu representava enquanto fazia aquilo. Se bem que não havia sequer espaço pra me gabar, me sentindo tão imporante assim, pois faz parte das minhas obrigações cristãs. Parafraseando meu sábio e velho amigo Caju, não era sequer preciso agradecer pelo que estava fazendo pois não fazia pra quem niguém que não seja pra Jesus em primeiro lugar.

Quem me conhece sabe que sou petista das linhas radicais marxista, trostskista etc, contra qualquer tipo assistencialismo: muito mais importante que dar o peixe é ensinar a pescar. Porém é muito estranho ver a necessidade imediata de uma pessoa sem se compadecer, sem tentar remediar esta situação, ainda que seja por pouco tempo. Me sinto muito incomodado por poder comer em restaurantes caros e fast food quando quiser, sabendo que existem pessoas tão pertinho de mim, que quando tem um cardápio requintado talvez vá comer ovo frito.

É grande a sensação de impotência diante de tanto que se tem por fazer pelas pessoas menos favorecidas neste sistema capitalista antropofágico. Por mais que a gente tente abraçar o mundo com as pernas é aflitivo ver que qualquer esforço neste sentido é pouco, quase nada.

Muitas pessoas gostam de fazer muitas macaquices em nome de Jesus (acho que nem convêm exemplificar). Quero desafiar você (leitor ou curiador, real ou virtual), em excelência, que faça algo, em nome de Jesus: haja conforme a Palavra em Marcos cap. 9 v. 21.
__________

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Le Petit Prince

Tava passando da hora de postar algo novo né? Pois bem! Minha pauta de coisas pra fazer está tão extensa e o tempo que sobra (se sobrar) dificilmente fica pra adminisrar esses recônditos cibernéticos. Como a fase de produção de textos vai ficar pra um pouquinho depois, degustemos um trecho de "O Pequeno Príncipe" de Antoine de Saint-Exupéry... Apreciem! (Á! Eu já estava esquecendo! Quem gosta de prosear pelos blogs da vida deve se lembrar que o jejum da Márcia em nos deixar órfãos de sua sabedoria literária deve terminar em 4 dias... Vamos pentelhando ela desde já e provar do seu próprio remédio! rs)


"- Que é um rito? perguntou o principezinho.

- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!

Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:

- Ah! Eu vou chorar.

- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...

- Quis, disse a raposa.

- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.

- Vou, disse a raposa.

- Então, não sais lucrando nada!

- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.

Depois ela acrescentou:

- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.

Foi o principezinho rever as rosas:

- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela á agora única no mundo.

E as rosas estavam desapontadas.

- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.

E voltou, então, à raposa:

- Adeus, disse ele...

- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.

- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.

- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...

- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar."
__________

terça-feira, 25 de setembro de 2007

O que na verdade somos I

Um fenômeno curioso que se observa na Igreja da modernidade e pós-modernidade é nominalismo religioso. Hoje em dia Europa e Estados Unidos, espiritualmente falando, estão mais frios que a Sibéria. Templos religiosos se tornaram atrações turísticas, pastores verdadeiramente cristãos são disputados aos tapas pelos velhinhos que sobraram nas poucas congregações ativas. Por mais irônico que seja, esta frente fria espiritual está avançando sobre o Brasil, "O País do Futuro" em termos de avivamento espiritual.

As pipocantes igrejas neo-pentecostais, com seu fast-food espiritual, tem contribuído bastante para o aumento do rebanho de cristãos nominais. (Por falar em “nominar”, eu prefiro denominar este tipo de cristão de "crente enrustido", aquele crente que um dia termina de matar sufocada a nova criatura). Mal você entra numa igreja deste tipo que você é logo abordado por um monte de líderes sempre simpáticos e sorridentes. São, na maioria, neófitos e mal-preparados e que, às vezes, compraram seu diploma de pastores pela internet ou contam com seu carisma junto ao pastor continuar sendo líder sabe lá Deus do que. O culto destas igrejas te teletransporta para platéia do extinto "Topa Tudo Por Dinheiro": um animador de palco devidamente engomado, muita música, alegria e ritmo de festa que balança o coração e dinheiro rolando. As programações-extra mostram o quanto a igreja tá na moda abrindo as pernas pro mundo entrar como quiser, mas sempre se precavendo com o sutil e atraente rótulo "gospel". "Rodeio gospel", "rave gospel", "quermesse gospel", "trance gospel", "quadrilha gospel", "lingerie erótica gospel (para mulheres casadas)", "gummy gospel", "quentão gospel", não me surpreendo se no meio destas bizarrices góspeis não aparecer "maconha gospel" que não vicia e "suruba gospel" para casais casados...

Como se tudo isto não fosse pouco, teologia rala (se houver) produz em escala industrial uma enormidade de "cristãos" descompromissados com Jesus, sua cruz, sua espada e seu Reino. Crentes enrustidos são cínicos e dissimulados, fingindo enganar-se e enganar aos outros quanto às suas inclinações ao pecado, não assumindo as próprias tentações. É muito mais fácil assumir um papel de inquisidor ou de supra-crente é caminho mais fácil que confrontar as próprias debilidades. Crentes enrustidos são fracos e covardes por nunca tomarem uma atitude: ou se ficam com Cristo, ou se ficam com o mundo. Ledo engano querer agradar a Deus desfrutando do mundo. Crentes enrustidos são frustrados por não se deliciarem com as alfarrobas que o mundo oferece, por medo da reação dos inquisidores irmãos em Cristo. Cada oportunidade de dar uma pecadinha é bem aproveitada se não houver ninguém conhecido por perto.

Lembro-me uma vez de uma viagem que fiz com alguns amigos para Goiás Velho. Na volta, entre brincadeiras e cantorias começamos a falar sério sobre a vida. Um deles falou da ironia que, em algumas vezes, pessoas que não tem compromisso com Deus tem certas revelações de verdades profundas acerca dEle. Lembramos de um trecho de uma música do Capital Inicial que diz: “O que você faz quando / Ninguém te vê fazendo / Ou que você queria fazer / Se ninguém pudesse te ver?”. Esta música me faz concluir que o que na verdade somos é o que fazemos quando pensamos que não estamos sendo observados. Assim temos toda liberdade para dar vazão a todo tipo de bizarrice que porventura esteja enrustida pelo medo da acusação ou da exposição da figura.

Faço aqui um convite à reflexão: o que você tem feito de bom, ou deixado de fazer, é para quem? Será que Deus não te vê quando ninguém mais te vê?
__________

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Deleite

Depois de quase uma semana com algumas postagens enormes, espinhentas e intragáveis, aí vai a letra de uma música que eu gosto muito de uma banda muito legal que descobri há pouco tempo e que se tornou uma das minhas favoritas.

Contrastando com o clima desértico destes últimos dias aqui no Planalto Central, esta música faz possível sentir uma brisa soprando no rosto... Inspire-se!


“Na Varanda” – O Teatro Mágico

Na varanda
Onde o ar anda depressa
Vai embora na conversa
Nossa pressa de ficar

Na varanda
Onde a flor se arremessa
Onde o vento prega peça
Nos traz festa pelo ar

Na varanda
A criança se debruça
Mãe, menina ainda fuça
Nos cabelos a ninar

Na varanda
Onde a lua se levanta
Nossa rede se balança
Serenata pra acordar

Joga a trança
Busca o chão e não o céu
Qual barquinho de papel
Sonha ir de encontro ao mar

Joga a trança...

E a noite vem
Sendo o descanso do sol
E a ponte vem
Sendo a distância de quem tá só

Um sol
Com a cabeça na lua
A lua que gira, que gira, que gira...

E a noite....

Um sol
Com a cabeça na lua
A lua que gira, que gira, que gira só.
__________

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Se revoltar pra quê?

No dia 12 de Setembro (ontem) o plenário do Senado Federal secretamente rejeitou o relatório que efendia a cassação do presidente da casa, o alagoano Renan Calheiro (PMDB) por quebra de decoro parlamentar. O processo foi iniciado por uma denúncia apresentada pela revista Veja que acusa Calheiros de manter relações financeiras no mínimo suspeitas com o famoso lobista Cláudio Gontijo da empreiteira Mendes Júnior. Apesar de imprevisível, muitos se decepcionaram com o resultado da votação em que 40 senadores optaram pela absolvição, 35 pela cassação e 6 se abstiveram de votar.

Em um serviço de utilidade pública, ricardoemprosa traz com exclusividade uma pesquisa feito pela sítio de notícias Terra onde os senadores informaram se votaram a favor pela a cassação do mandato de Renan Calheiros. Confira:

Votaram pela cassação:
Adelmir Santana (Demo-DF)
Alvaro Dias (PSDB-PR)
Arthur Virgílio (PSDB-AM)
Augusto Botelho (PT-RR)
César Borges (Demo-BA)
Cícero Lucena (PSDB-PB)
Cristovam Buarque (PDT-DF)
Demóstenes Torres (Demo-GO)
Eduardo Azeredo (PSDB-MG)
Eduardo Suplicy (PT-SP)
Efraim Morais (Demo-PB)
Eliseu Resende (Demo-MG)
Flávio Arns (PT-PR)
Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN)
Gerson Camata (PMDB-ES)
Heráclito Fortes (Demo-PI)
Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE)
Jayme Campos (Demo-MT)
Jonas Pinheiro (Demo-MT)
José Agripino (Demo-RN)
José Nery (Psol-PA)
Kátia Abreu (Demo-TO)
Lúcia Vânia (PSDB-GO)
Magno Malta (PR-ES)
Mão Santa (PMDB-PI)
Marco Maciel (Demo-PE)
Mário Couto (PSDB-PA)
Marisa Serrano (PSDB-MS)
Osmar Dias (PDT-PR)
Papaléo Paes (PSDB-AP)
Paulo Paim (PT-RS)
Pedro Simon (PMDB-RS)
Raimundo Colombo (Demo-SC)
Renato Casagrande (PSB-ES)
Romeu Tuma (Demo-SP)
Rosalba Ciarlini (Demo-RN)
Sérgio Guerra (PSDB-PE)
Sérgio Zambiasi (PTB-RS)
Tasso Jereissati (PSDB-CE)

Pausa. Beba um gole de água... Pronto, mais outro. Esta é dura de engolir. Você parou pra contar quantos senadores e senadoras declararam seu voto pela cassação de Renan Calheiros? Pois é, conta aí... (Até eu vou contar de novo). Quantos senadores você contou? 40? Eu também! Mas continuemos com as listas...

Não revelaram o voto:
Antônio Carlos Valadares (PSB-SE)

Delcidio Amaral (PT-MS)
Edison Lobão (Demo-MA)
Fátima Cleide (PT-RO)
Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC)
Ideli Salvatti (PT-SC)
Inácio Arruda (PCdoB-CE)
João Durval (PDT-BA)
João Pedro (PT-AM)
João Ribeiro (PR-TO)
João Vicente Claudino (PTB-PI)
José Sarney (PMDB-AP)
Leomar Quintanilha (PMDB-TO)
Marcelo Crivella (PRB-RJ)
Maria do Carmo Alves (Demo-SE)
Neuto de Conto (PMDB-SC)
Romero Jucá (PMDB-RR)
Roseana Sarney (PMDB-MA)
Sibá Machado (PT-AC)
Tião Viana (PT-AC)
Valdir Raupp (PMDB-RO)
Valter Pereira (PMDB-MS)

Não foram encontrados:
Antonio Carlos Júnior (Demo-BA)

Expedito Júnior (PR-RO)
Jefferson Peres (PDT-AM)
Marconi Perillo (PSDB-GO)
Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR)
Patrícia Saboya (PSB-CE)
Paulo Duque (PMDB-RJ)
Serys Slhessarenko (PT-MT)

Mais uma pausa. Vamos às contas. 22 senadores e senadoras preferiram não revelar seu voto e 8 não foram encontrados pela reportagem. Se 40 senadores disseram que votaram pela cassação, mas o painel do senado registrou apenas 35 votos, a conta não fecha. Levando em conta que não seria surpresa alguma que alguns dos senadores dentre os que não declararem seu voto ou não foram encontrados votaram pela cassação (como por exemplo: Antônio Carlos Valadares, Delcidio Amaral, João Pedro, João Vicente Claudino, Jefferson Peres, Patrícia Saboya, Serys Slhessarenko dentre outros) aí que a conta não fecha mesmo! Será que o espírito do velho ACM anda assombrando pelo Senado, por isso deu tilt no painel? Á... Das duas as duas: temos vários senadores que mentiram aos repórteres sobre seu voto e muitos outros que traíram a opinião pública.

Mas vamos continuar com os dados da pesquisa...

Votaram pela absolvição:
Almeida Lima (PMDB-SE)
Epitácio Cafeteira (PTB-MA)
Euclydes Mello (PTB-AL)
Francisco Dornelles (PP-RJ)
Gilvam Borges (PMDB-AP)
Gim Argello (PTB-DF)
João Tenório (PSDB-AL)
José Maranhão (PMDB-PB)
Renan Calheiros (PMDB-AL)
Wellington Salgado de Oliveira (PMDB-MG)

Se absteve de votar:
Aloizio Mercadante (PT-SP)

Diante de tudo isto, vemos uma avalanche de revoltados no orkut, comentaristas políticos mais azedos que nunca, enfim, o quiprocó da absolvição de Renan Calheiros toma conta da conversa do zé-povão brasileiro. Mas eu me pergunto, de que adianta tanta revolta? Falar mal, xingar, protestar, nada disto resolve o problema da política brasileira. Porque nas próximas eleições (assim como nas anteriores) o povão e o povinho devolve o mandato aos políticos cassados, investigados, réus, condenados, culpados...

Portanto, não adianta fazer uma reforma política radical e adotar as mais severas leis contra os políticos enquanto o povo brasileiro não mudar de atitude na hora da eleição.

Além do mais, reza a lenda que o povo tem os governantes que merece (ou que merece os governantes que tem). Outros dizem que os representates eleitos são o reflexo do povo... É... [...] Se os políticos brasileiros são corruptos, o povo brasileiro não fica atrás também. Acho que os problemas da política brasileira não são causados nem pela lei burlável ou pelos políticos canalhas. O cerne do problema está nas más culturas e nos mau hábitos que facilmente absorvidos e assimilados pelo povo brasileiro.
__________

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Osama é um bom companheiro...

Já deve ser hora de enrolar os tapetes, afrouxar os turbantes, limpar o chão dos restos de hirici, mamoul, halawi etc. Já não se pode mais ouvir as alegres músicas, as dançarinas exibindo seus abdômens "torneados" já foram dispensadas, nem se sente o perfume do arguile. Acabou a festa em comemoração aos seis anos da mais importante e famosa obra de engenharia concebida pelo gênio humano, a implosão dos dois edifícios do World Trade Center, pelas bandas de Nova Iorque.

Minutos de silêncio e homenagens acontecidas em Nova Iorque foram noticiadas pela imprensa brasileira mas ouvi dizer que os jornais norte-americanos pouco noticiaram sobre o aniversário da implosão do WTC. Também pudera, quem agüenta tanto chororô pelas pessoas que morreram porque estavam lá bem na hora em que as torres gêmeas foram abaixo?

Não entendo porque tanta comoção! Comoção é bom mas enjoa. Além do mais, nem sei se as quase 3 mil vítimas sejam tão vítimas assim... Estavam lá porque quiseram; até Fidel Castro (no alto do seu isolamento político-geográfico e ideológico) disse que mandou avisar as autoridades americanas sobre a implosão inusitada. E, se for pra ficar lamuriando, haja lágrimas de crocodilo pra lamentar as quase 25 mil pessoas que morrem diariamente pelas conseqüências da fome mundo afora! Isso sim é uma tragédia! Mas a impresa imperial-capicolonialista se ocupa com outras coisas e deve ter se cansado de ter que anunciar todo dia a mesma notícia "a cada 3,6 segundos uma pessoa morre de fome pelo mundo".

Mas é isso aí, a vida continua. Uns morrem, outros tantos nascem e o mundo anda mais cheio do que nunca. Um viva à memória curta e seletiva, um viva à empatia e solidariedade racista e elitista, um viva a Osama Bin Laden, popstar messiânico mais lúcido que conheço (que não me ouça Fidel! hehehe).
__________

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

SOS quero ir pra Malibu!

Uma das poucas coisas na vida que faço sem ter o mínimo de prazer algum é acordar para ir ao trabalho. Cedo de manhã meu celular ativa a função soneca por pelo menos 3 vezes. Aliás, eu programo meu despertador pra mais cedo que o necessário, só pra ter a sensação de que pude aproveitar um pouco mais a minha agradável cama. Mas não tem jeito, a terceira sessão de "Cancan" traz a impiedosa lembrança que estou quase atrasado pra pegar no batente.

Até que gosto de trabalhar, mas quase tudo no meu trabalho coopera para o cultivo da minha gastrite de estimação. Eu odeio ter que abrir as pesadas e quentes portas da minha loja, odeio ter que largar meu trabalho pra atender aos inúmeros telefonemas, odeio ter que tirar milhares de cópias de trabalhos escolares e RGs e CPFs, odeio ter que explicar que minha loja não vende CDs do Tiririca ou do Valdick Soriano mas apenas e exclusivamente mídias virgens. Odeio muito tudo isto.

Mas, por incrível que parece, tem coisas que conseguem me aborrecer ainda mais, como por exemplo, o fato de trabalhar com meus pais. Nosso trabalho em comum altera não só nossa rotina bem como nosso relacionamento e nossos diálogos comuns: Pela manhã: “Isso são horas de tomar o café? Vá logo abrir a loja!”; horário de almoço (família reunida em torno da mesa): “Já ligou negociando um desconto com nosso fornecedor? O cliente Y já pagou a fatura atrasada?”; pela noite, quando enfim penso que vou ter paz para descansar e cuidar do resto da minha vida: “Amanhã você vai no primeiro horário pegar a certidão no cartório, depois tem que ir 890 mil clientes, tem que entregar aquele monte de caixas pesadas no nosso cliente que fica naquele prédio sem elevador... E não demore, resolva tudo isto a tempo de fazer aquela pilha de orçamentos!”.

Cara, ninguém merece trabalhar em condições tão adversas! Salário? Lembra daquele antológico professor Raimundo? Pois é, pra fazer o “e o salário ó” ele teria que usar uma lupa poder ter certeza que o seu dedo indicador não está colado no polegar.

Preciso de férias, preciso de um aumento. Ultimamente meu sonho de consumo e meus pedidos de oração é para ser um funcionário público bem daquele tipo do “ Os Aspones”. Na verdade nem queria tanta vida mansa! Juro que não faltaria ao trabalho, cumpriria meus horários, deixaria pra levar a vovó pra academia só nos finais de semana e até seria um funcionário público prestativo e bem humorado. O jeito que estou vendo é que preciso meter as caras nas apostilas de concursos... Enquanto não chegar lá, se você souber de um empreguinho mais ou menos me dê um toque! rs

__________

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Nocaute

Blogs também servem pra gente poder abrir o coração não é mesmo? Vou fazer isto não porque me faltem amigos pacientes pra ouvir meus problemas mas porque esses amigos não me saciam a minha incrível necessidade de escrever (a não ser que eles deixem uma agenda em branco dando sopa ou uma mão limpa convidando a ser rabiscada... rs).

Mas é isso aí. Vamos ao que interessa.

Faz alguns meses que minha vida estava meio capenga e eu vinha levando um fardo pesado que não devia carregar. Isto trouxe muitas dores, não nas costas, mas no coração. Me sentia envergonhado, triste e decepcionado comigo mesmo. Tive uma amizade que foi interrompida pelos percalços da vida e a situação desconfortável ficou como estava, pendente de solução. A restauração deste relacionamento não acontecia e o processo de perdão havia sido abortado.

Sofri calado por longos meses. Eu achava que não devia falar sobre isso com ninguém pois tenho o mau hábito de minimizar meus problemas e coisas que me entristecem. Se de um lado estava o Senhor Orgulho (nenhum prazer em conhecer) lutando e resistindo em meu forte (quem tem olhos para ler que entenda! rs), do outro estavam Deus e minha consciência me cobrando uma atitude cristã de humildade.

Cada oportunidade que Deus tinha pra falar comigo (seja em meu coração ou em uma pregação ou aula da Escola Dominical) Ele não deixava por menos: “perdão” aqui, “relacionamentos horizontais” ali, “cura da alma” acolá... Isto não era uma pressão negativa, mas ajudava bastante a cultivar a enorme angústia que crescia em meu coração.

O tempo passando e tudo que era conhecimento intelectual sobre o perdão eu já havia ajuntado até então. A única coisa que me restava era colocar isto tudo em prática.

Eu sempre tive um desejo grande de ser como Deus realmente quer que eu seja. De fato estava (e ainda hoje) disposto a levar isto às últimas conseqüências este meu desejo, mesmo que preciso fosse tratar esta situação em questão. “Devagar com o andor porque o santo é de barro”, dizia eu. Ai de mim que esqueci que de barro Deus entende bem (afinal Ele é o oleiro) e dá-lhe amassar o barro aqui. rs

Orei e orei bastante, até Deus não me agüentar mais. Suplicava por sua ajuda para que eu pudesse a consertar este problema que havia se agigantado na minha frente. Era sobrenatural a minha sensação de impotência e incapacidade de pedir perdão. Era demais pra mim, só faria isto na força do Senhor. Cada dia que passava mais aumentava a crise que vivia. Resisti bravamente, mas, felizmente, foi em vão. Neste último final de semana Deus nocauteou-me e decidi firmemente que queria resolver aquela situação.

Abri meu coração para alguns amigos, pedi que me ajudassem em oração para que eu agisse da maneira mais humilde e prudente quando eu fosse procurar meu amigo ofendido. E assim o foi. Apesar do amigo ofendido ter dito que havia me perdoado, vejo que o processo de perdão no meio do caminho rumo ao desfecho. Apesar de tudo ser bastante recente, Deus me deu uma certeza enorme de que restauração está por vir.

A intenção de estar escrevendo isto tudo aqui não é apenas abrir o coração a quem quiser ler. Tenho aprendido muitas vezes sobre perdão e gostaria de compartilhar isto com quem quer que leia.

Perdão? Reconhecer que está errado mesmo quando se tem razão.
Quem? Você, quer seja ofendido ou ofensor.
Quando? Agora, não deixe pra depois!
Onde? Qualquer lugar.
__________

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Jogo da vida

Há momentos patéticos que a vida mais parece um roteiro de novela mexicana mal-adaptado. É como se fosse um dramalhão qualquer, daqueles bem manjados, com mocinhas desidratadas de tanto chorar, vilões malvados, pessoas feias e bobas e divertidas... E nesta trama, algumas vezes me sinto como se fosse um protagonista canastrão, outras vezes me sinto um coadjuvante água-com-açúcar e que vai crescendo em importância ao desenrolar da trama.

Pessoalmente adoro frases feitas e anedotas e consigo me divertir muito com elas. Ultimamente ando dizendo que a vida é um "grande jogo de xadrez". O jogo de xadrez é bastante complexo e nele poucas vezes podemos contar com o fator sorte. Também quase sempre é preciso ter uma estratégia ou tática bem definida na cabeça do jogador, e, pra prevenir, ter um plano “B”.

Em algumas situações da vida, penso que pessoas mais parecem estar jogando. Fico observando e lances normais da vida que mais parecem movimentações de ataque e defesa e, muitas vezes, as pessoas blefam e mentem. Tudo isto pode realmente ser lances naturais da vida e do relacionamento entre as pessoas, atitudes e palavras completamente despretensioso, mas nada passa despercebido pelo meu olhar atento e fica tudo registrado como jogadas.

Adoro observar e observar as pessoas que estão ao meu redor. Adoro sempre estar no comando da situação, ou pelo menos em uma posição confortável e longe de imprevistos. Traço estratégias e táticas para lidar com as pessoas, tento prever situações e reações, e, se preciso for, sempre ter cartas na manga.

Sem medo de me gabar muito a ponto de perder minha grande humildade, digo que grande parte dos lances e jogadas da vida são mesmo completamente previsíveis e nulificáveis. Ainda bem que cada lance e jogada não deixa de ter sua carga de emoção.

Fico encabulado comigo mesmo. Chego a pensar que posso ser muito maquiavélico e um completo maluco. Posso até mesmo estar jogando sozinho e consigo mesmo. Mas levo a vida assim e estou me divertindo à beça! Nesse tabuleiro quadriculado eu sou o rei! :-D
__________

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Saudação!

Hái!

Saudações a todos os cibernautas desocupados! Sejam bem vindo ao meu canto virtual, o entediante e hermético mundo da verborragia. Criei este espaço aqui é pra poder divulgar ao quatro cantos da terra e deixar resgistrado para a posteridade todas seleções das minhas idéias estaparfúdias, opiniões e comentários aleatórios, "joselitices", percepções peculiares do mundo enfim, coisas que vagam em minha caixola.

Vou publicando, por enquanto, algumas coisas que escrevi em meu fotolog, não deixe de visitá-lo também:
www.fotolog.com/3dedosdeprosa.

Obrigado pela visita, não deixe de comentar, ok?

[ ]'s ricardo
__________