Este é o diário de bordo da minha viagem ao Rio de Janeiro. Aqui consta relatos de uma viagem que não queria ter feito, mas, por adversidades mil (na verdade cem... Era esse o valor que teria que desembolsar para ter o reembolso de uma passagem que custou R$ 96,00), acompanhei parte do grupo de teatro DiscípuLUZ que, nesta viagem, foi representado pelo Bruno, Talita, além do Fillipe Feitosa (vulgo Frango). Muitos fatos e relatos foram propositalmente suprimidos para que você não desistisse da leitura antes do final do primeiro parágrafo.
Dia 08 de maio (A ida) __________
Lavando cuecas
Insone noite antes da viagem. Dormi menos de duas horas e, antes das 9h da manhã, já estava eu acordado pra lavar louças e limpar minha casa. O tempo de preparativo foi alongado por conta disso. Preparar a mala foi até fácil. Nem pensava no que colocar: como a mala era enorme, acabei levando garrafa térmica, extensão elétrica de 15m, colchão de ar, etc. As roupas eram poucas, mas, talvez por conta da teoria da conspiração, o meu retorno ao Rio de Janeiro coincidiu com o término do meu suprimento de cuecas limpas. Tive que lavá-las todas, mas, como isso aconteceu 1h30min antes do vôo, elas chegaram molhadas ao destino.
Brincando nas esteiras
Antes de pendurá-las no varal, tenho que contar como foi o vôo. Antes do vôo o atraso rotineiro, embarque sem muitas emoções. Mas, dentro do avião, algumas emoções. Minha pressão estava baixa, o que me deixava meio eufórico e tenso. A vizinha de poltrona era muito bonita e simpática, mas tinha uma aliança enorme no anular direito. Tudo bem, que pode rolar entre duas pessoas que morrem de medo de voar, sendo que o cara tem crise de riso quando o avião decola? Nada mesmo, porque alguns bons minutos de conversa ela resolveu sentar com o restante da família. Antes disso, divertia-me internamente com a distribuição dos assentos (o que revelou muito sobre como seria o restante da viagem). A partir daí, nada memorável, a não ser a turbulência que me lembrava os quebra-molas do Guará, o manjar com gosto de sabão de coco. No aeroporto, antes do encontro emocionante com o pastor anfitrião, Pr. Marcos, aproveitamos pra brincar nas esteiras que ligam os terminais de embarque e desembarque.
Mistura explosiva
O cardápio de nosso primeiro jantar era por excelência flatulêntico: lentilhas e batata doce. Felizmente nosso sono não foi interrompido por nenhum incidente, exceto os celulares tocando Cancan e La bamba: era hora de acordar. Mas, antes de dormir, iniciei meus contatos com outra Talita (uma amiga meio paulista meio mineira) pra tentar conseguir marcar um encontro, mas não foi desta vez. Tudo bem. Teremos outras oportunidades e uma viagem gestacionada pro final do ano, se as Coquetéis nos ajudarem.
Dia 09 de maio (primeiro dia e segunda noite) __________
Tiroteio no mercado
2 horas depois, enfim despertamos de fato com uma leitura devocional aleatória sobre os preparativos para a construção do templo salomônico. Pra combinar com nossa viagem até então improdutiva, tivemos um ensaio musical também improdutivo: descobrimos que precisamos tomar muito café-com-leite pra cantar e tocar no violão as bat-músicas de sempre. Mas tudo bem, somos brasileiros e não desistimos fácil, havíamos de preencher o tempo de espera até nossa programação, depois do almoço. Antes disso, descobrimos que houve um tiroteio num mercado próximo onde nos hospedamos. Isso realmente foi frustrante pois, em minha cabeça, essa parte da Zona Sul onde estávamos era bastante tranqüila. Isso me fez ficar um pouco temeroso, mas não deixaríamos de fazer compras nesse mercado e jantar em alguma lanchonete próxima dali.
Vida de artista / Uma má idéia
Mas, antes disso, fizemos uma apresentação na Igreja de Evangelismo e Missões – Metodista (ou algo do tipo) que fica em Oswaldo Cruz, próximo a Madureira. Antes da apresentação, maquiados, fomos pras imediações do templo brincamos convidando as pessoas para o culto. Obviamente atraímos a atenção da criançada do bairro. O assédio foi grande: tivemos que nos trancar dentro do nosso camarim (realmente viramos um grupo de teatro “normal”! rs). Antes disso, antes das crianças serem retirada do nosso camarim, fizemos a besteira de brincar com elas de estátua. Como somos bons nisso, as crianças, entediadas, começaram a fazer cócegas pra nos mexermos. Isso não deu certo: quando elas perceberam que a Tita (Talita), tem espasmos efusivos nessas situações, ela virou centro das atenções e dedos em riste rumo a suas axilas. As mesmas crianças que fizeram cócegas na Tita foram as mesmas que depois fizeram galanteios nada decorosos e próprios de sua idade. Mas tudo bem.
Reteté metódico
Fiquei impressionado com o culto que acontecia. Não imaginava que os cultos metodistas fossem tão pentecostais, oração em línguas e mistérios, rensga! Mas tudo bem. Após o culto fomos deixar uma irmã em casa e fizemos uma rápida parada para uma sessão de fotos e descobrimos uma nova gíria, “exquinixtro: mixtura de exquisito com sinixtro”, em dialeto local. Fim do dia de artista, só faltou darmos autógrafo. Mas, antes do final do nosso dia, altas emoções quando voltamos para nossa casa: o Pr. Marcos deu algumas pestanejadas ao volante e várias fechadas... Que medo de morrer! rs Mas, tudo bem.
Conhecimento inútil
Quando chegamos em casa, pegamos uma cópia da chave e partimos rumo ao mercado. Não sabia que whisky 20 anos fosse tão caro, R$ 772,00 a garrafa do mais famoso! Compramos leite, garrafa pra geladeira, suco de saquinho, papel higiênico, copos etc: coisas pra abençoar a família que nos hospeda. Antes de entregar as compras, conversamos e fomos dormir um pouco tarde demais. Cultura inútil: não somente humanos e cachorros roncam, frangos também roncam. Tudo devidamente registrado, em breve você poderá comprovar isso no Youtube. rs
Dia 10 de maio (penúltimo dia) __________
Sessão estresse
Sessão estresse logo pela manhã. Nosso programa previa Hora de acordar, Saída de casa, Reunião na igreja com devocional, Oração de Intercessão, Evangelismo de rua, Louvor, Peças, Palavra, mais Louvor, mais Peça, mais Palavra, mais Louvor de novo, mais Peça de novo, mais Palavra novamente, tudo isso antes do meio-dia. Me dei ao luxo de acordar antes das 9h, mas mesmo assim tive que esperar vastas horas para sairmos pro nosso destino-fim da viagem. Mas, como no molequismo há mais espaço para sonhar que a vontade de realização, saímos mais ou menos 11h30min, com atraso de três horas e meia, suficiente pra fechar o tempo sobre minha caixola. Mas tudo bem, que mal tem?
Ói, ói o trem
Pegamos um ônibus com destino a São Cristóvão e depois pegamos um trem com destino a Oswaldo Cruz. O trem demorou bastante e tirou toda alegria de andar de trem pela primeira vez no Rio de Janeiro. O tempo não estava fechado, não havia sol pra alongar ainda mais a demora. Demora que ajudou a travar tudo, mas, antes disso, almoçamos.
Amor que constrange
Como chegamos muito tarde, tivemos que esperar requentar o almoço. Isso foi na casa da irmã Luzia, uma simpática e comunicativa paraibana. Fomos muito bem recebidos em sua casa, com direito a nem ir ao fogão pra servir o almoço. Um mimo como diriam os patrícios. Quando estávamos de partida ela deu um presente a cada um de nós, indo às lágrimas como no dia anterior, agradecendo bastante nossa visita. Confesso que nem dá pra se sentir importante nessas horas. Ocasiões como essa prova que ainda há esperança para a humanidade, que o “amor que constrange” ainda não se esfriou de todo.
Diácono de fato
Como havia falado anteriormente sobre travamento, neste dia, resolvi ficar concentrado no nosso “camarim”. Queria descansar e orar um pouco, mas não deu. Cada momento entrava um irmão, sempre simpático e falante interrompendo esse meu momento. Desenvolvi a tese que os cariocas só precisam de alguém pra poder falar, não se preocupando com a atenção ou interesse do interlocutor. Mas tudo bem. Ouvi atentamente e só conseguia encaixar um “é verdade”, ou “com certeza” no meio da conversa. Quando não conseguia mais ouvir, pedia licença pra beber água ou ir ao banheiro. Foi numa dessas conversas que conheci o irmão Mazinho, um diácono de fato, não de cargo. Nunca vi alguém que tivesse compreendido o verdadeiro chamado e exercia tão bem o diaconato.
Tobi
Depois de tanta conversa e espera, começou o culto. Era pra ser dos jovens, mas acabou como homenagem ao Pr. Marcos, pelo seu aniversário. Uma das poses sessão de fotos foi estampada no bolo. Descobri que fiquei invisível na festa. Também pudera, estava amuado num canto da igreja com uma dor de cabeça e muito sono. Tudo bem, nem tava com tanta fome assim. As bandejas esquivantes não estavam tão atrativas quanto a zangante garrafa de Tobi sabor uva. Meu Deus, como deu água na boca, mas não bebi uma gota sequer do refrigerante. Mas tudo bem, dava mil reinos por uns instantes de sossego apoiado a cabeça na parede.
Voltando de van
Ufa, que alívio! A música alta e peculiar na festa do Pr. Marcos deu sobrevida à dorzinha que eu sentia. Mas, finalmente a viagem se aproximava do fim. Mas, antes, voltamos pra nossa casa no Leblon numa van alugada, que levava de volta algumas convidadas da Núbia (esposa do Pr. Marcos). Só tinha figura na van: um grupo de cantantes quarentonas (se alguma delas vier a ler isso, entenda por “trintonas” rsrs) que cantavam alto, faziam piadas, enfim, eram tão palhaças quanto a gente. Era como se fosse a gente entrasse numa reunião das nossas mães e suas amigas, só que poderíamos rir e zuar de cada uma delas.
Arranca-rabo
Calma, não fizemos nada de mal contra o rabo do Frango nem o depenamos... rs Criamos um momento pra discutir problemas e erros de cálculos da viagem. Pingos nos “is” e “ipisilones”, com um pouco de atraso, foi meio acalorado, mas tudo bem, valeu a pena. Mas antes disso, levamos a Núbia e o Pr. Marcos para comemorarmos, juntos, o seu aniversário. Comemos numa creperia não muito longe, o que deu pra andarmos um pouco a pé, pelas ruas do Leblon. O mais bacana de tudo foi o momento de bate-papo que tivemos, coisa que não havia rolado até então por causa da correria do dia-a-dia de todo mundo. Antes de voltarmos caiu uma chuva muito gostosa, deixando o clima mais aconchegante, desmitificando a máxima “Rio 40 Graus” (fazia 16° às 2h da manhã).
Dia 11/05 (A volta) __________
Cansaço mas nem tanto
Seguiu o frio da madrugada, foi difícil acordar pela manhã. Pra variar, acordamos bem em cima da hora, chegamos atrasados no aeroporto. Mas tudo bem. Antes disso, tivemos nosso último momento de comunhão com a família do Pr. Marcos. Recebemos uma maravilhosa ministração da Palavra de Deus, e, após a leitura bíblica e reflexão, oramos todos juntos. Antes disso, entregamos os presentes que havíamos comprado (um pouco de constrangimento nessa), além de presenteá-los com nosso uniforme ao Pr. Marcos e Núbia (muita alegria nessa hora, nem queriam lavar nossas camisetas, apesar delas terem sido usadas e suadas por dois longos dias). Enfim. O vôo de volta foi bem mais silencioso que o da ida. Todos estavam cansados e eu recluso ao meu mundo autista: o medo e a dorzinha tomaram conta de mim. Mas não tinha com quem compartilhar meu medo de cada manobra, cada nuvem, cada leve e momentânea turbulência. Mas tudo bem. Éramos só cansaço, mas, em chegando em Brasília ainda encontramos força pra assistir um filme antes do culto, “Homem de ferro” (aliás, indico esperar que chegue às Sessões da Tarde da vida... rs).
Mas tudo bem. Enfim. Eis um “breve” relato de uma viagem a uma terra que deixa saudades, de um povo simpático e hospitaleiro, dos quais aguardamos um convite de novo... rs
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