Terça-feira, 13 de Maio de 2008

“Antes, tudo bem” – Um diário de bordo

Este é o diário de bordo da minha viagem ao Rio de Janeiro. Aqui consta relatos de uma viagem que não queria ter feito, mas, por adversidades mil (na verdade cem... Era esse o valor que teria que desembolsar para ter o reembolso de uma passagem que custou R$ 96,00), acompanhei parte do grupo de teatro DiscípuLUZ que, nesta viagem, foi representado pelo Bruno, Talita, além do Fillipe Feitosa (vulgo Frango). Muitos fatos e relatos foram propositalmente suprimidos para que você não desistisse da leitura antes do final do primeiro parágrafo.


Dia 08 de maio (A ida) __________


Lavando cuecas

Insone noite antes da viagem. Dormi menos de duas horas e, antes das 9h da manhã, já estava eu acordado pra lavar louças e limpar minha casa. O tempo de preparativo foi alongado por conta disso. Preparar a mala foi até fácil. Nem pensava no que colocar: como a mala era enorme, acabei levando garrafa térmica, extensão elétrica de 15m, colchão de ar, etc. As roupas eram poucas, mas, talvez por conta da teoria da conspiração, o meu retorno ao Rio de Janeiro coincidiu com o término do meu suprimento de cuecas limpas. Tive que lavá-las todas, mas, como isso aconteceu 1h30min antes do vôo, elas chegaram molhadas ao destino.


Brincando nas esteiras

Antes de pendurá-las no varal, tenho que contar como foi o vôo. Antes do vôo o atraso rotineiro, embarque sem muitas emoções. Mas, dentro do avião, algumas emoções. Minha pressão estava baixa, o que me deixava meio eufórico e tenso. A vizinha de poltrona era muito bonita e simpática, mas tinha uma aliança enorme no anular direito. Tudo bem, que pode rolar entre duas pessoas que morrem de medo de voar, sendo que o cara tem crise de riso quando o avião decola? Nada mesmo, porque alguns bons minutos de conversa ela resolveu sentar com o restante da família. Antes disso, divertia-me internamente com a distribuição dos assentos (o que revelou muito sobre como seria o restante da viagem). A partir daí, nada memorável, a não ser a turbulência que me lembrava os quebra-molas do Guará, o manjar com gosto de sabão de coco. No aeroporto, antes do encontro emocionante com o pastor anfitrião, Pr. Marcos, aproveitamos pra brincar nas esteiras que ligam os terminais de embarque e desembarque.


Mistura explosiva

O cardápio de nosso primeiro jantar era por excelência flatulêntico: lentilhas e batata doce. Felizmente nosso sono não foi interrompido por nenhum incidente, exceto os celulares tocando Cancan e La bamba: era hora de acordar. Mas, antes de dormir, iniciei meus contatos com outra Talita (uma amiga meio paulista meio mineira) pra tentar conseguir marcar um encontro, mas não foi desta vez. Tudo bem. Teremos outras oportunidades e uma viagem gestacionada pro final do ano, se as Coquetéis nos ajudarem.



Dia 09 de maio (primeiro dia e segunda noite) __________


Tiroteio no mercado

2 horas depois, enfim despertamos de fato com uma leitura devocional aleatória sobre os preparativos para a construção do templo salomônico. Pra combinar com nossa viagem até então improdutiva, tivemos um ensaio musical também improdutivo: descobrimos que precisamos tomar muito café-com-leite pra cantar e tocar no violão as bat-músicas de sempre. Mas tudo bem, somos brasileiros e não desistimos fácil, havíamos de preencher o tempo de espera até nossa programação, depois do almoço. Antes disso, descobrimos que houve um tiroteio num mercado próximo onde nos hospedamos. Isso realmente foi frustrante pois, em minha cabeça, essa parte da Zona Sul onde estávamos era bastante tranqüila. Isso me fez ficar um pouco temeroso, mas não deixaríamos de fazer compras nesse mercado e jantar em alguma lanchonete próxima dali.


Vida de artista / Uma má idéia

Mas, antes disso, fizemos uma apresentação na Igreja de Evangelismo e Missões – Metodista (ou algo do tipo) que fica em Oswaldo Cruz, próximo a Madureira. Antes da apresentação, maquiados, fomos pras imediações do templo brincamos convidando as pessoas para o culto. Obviamente atraímos a atenção da criançada do bairro. O assédio foi grande: tivemos que nos trancar dentro do nosso camarim (realmente viramos um grupo de teatro “normal”! rs). Antes disso, antes das crianças serem retirada do nosso camarim, fizemos a besteira de brincar com elas de estátua. Como somos bons nisso, as crianças, entediadas, começaram a fazer cócegas pra nos mexermos. Isso não deu certo: quando elas perceberam que a Tita (Talita), tem espasmos efusivos nessas situações, ela virou centro das atenções e dedos em riste rumo a suas axilas. As mesmas crianças que fizeram cócegas na Tita foram as mesmas que depois fizeram galanteios nada decorosos e próprios de sua idade. Mas tudo bem.


Reteté metódico

Fiquei impressionado com o culto que acontecia. Não imaginava que os cultos metodistas fossem tão pentecostais, oração em línguas e mistérios, rensga! Mas tudo bem. Após o culto fomos deixar uma irmã em casa e fizemos uma rápida parada para uma sessão de fotos e descobrimos uma nova gíria, “exquinixtro: mixtura de exquisito com sinixtro”, em dialeto local. Fim do dia de artista, só faltou darmos autógrafo. Mas, antes do final do nosso dia, altas emoções quando voltamos para nossa casa: o Pr. Marcos deu algumas pestanejadas ao volante e várias fechadas... Que medo de morrer! rs Mas, tudo bem.


Conhecimento inútil

Quando chegamos em casa, pegamos uma cópia da chave e partimos rumo ao mercado. Não sabia que whisky 20 anos fosse tão caro, R$ 772,00 a garrafa do mais famoso! Compramos leite, garrafa pra geladeira, suco de saquinho, papel higiênico, copos etc: coisas pra abençoar a família que nos hospeda. Antes de entregar as compras, conversamos e fomos dormir um pouco tarde demais. Cultura inútil: não somente humanos e cachorros roncam, frangos também roncam. Tudo devidamente registrado, em breve você poderá comprovar isso no Youtube. rs


Dia 10 de maio (penúltimo dia) __________


Sessão estresse

Sessão estresse logo pela manhã. Nosso programa previa Hora de acordar, Saída de casa, Reunião na igreja com devocional, Oração de Intercessão, Evangelismo de rua, Louvor, Peças, Palavra, mais Louvor, mais Peça, mais Palavra, mais Louvor de novo, mais Peça de novo, mais Palavra novamente, tudo isso antes do meio-dia. Me dei ao luxo de acordar antes das 9h, mas mesmo assim tive que esperar vastas horas para sairmos pro nosso destino-fim da viagem. Mas, como no molequismo há mais espaço para sonhar que a vontade de realização, saímos mais ou menos 11h30min, com atraso de três horas e meia, suficiente pra fechar o tempo sobre minha caixola. Mas tudo bem, que mal tem?


Ói, ói o trem

Pegamos um ônibus com destino a São Cristóvão e depois pegamos um trem com destino a Oswaldo Cruz. O trem demorou bastante e tirou toda alegria de andar de trem pela primeira vez no Rio de Janeiro. O tempo não estava fechado, não havia sol pra alongar ainda mais a demora. Demora que ajudou a travar tudo, mas, antes disso, almoçamos.


Amor que constrange

Como chegamos muito tarde, tivemos que esperar requentar o almoço. Isso foi na casa da irmã Luzia, uma simpática e comunicativa paraibana. Fomos muito bem recebidos em sua casa, com direito a nem ir ao fogão pra servir o almoço. Um mimo como diriam os patrícios. Quando estávamos de partida ela deu um presente a cada um de nós, indo às lágrimas como no dia anterior, agradecendo bastante nossa visita. Confesso que nem dá pra se sentir importante nessas horas. Ocasiões como essa prova que ainda há esperança para a humanidade, que o “amor que constrange” ainda não se esfriou de todo.


Diácono de fato

Como havia falado anteriormente sobre travamento, neste dia, resolvi ficar concentrado no nosso “camarim”. Queria descansar e orar um pouco, mas não deu. Cada momento entrava um irmão, sempre simpático e falante interrompendo esse meu momento. Desenvolvi a tese que os cariocas só precisam de alguém pra poder falar, não se preocupando com a atenção ou interesse do interlocutor. Mas tudo bem. Ouvi atentamente e só conseguia encaixar um “é verdade”, ou “com certeza” no meio da conversa. Quando não conseguia mais ouvir, pedia licença pra beber água ou ir ao banheiro. Foi numa dessas conversas que conheci o irmão Mazinho, um diácono de fato, não de cargo. Nunca vi alguém que tivesse compreendido o verdadeiro chamado e exercia tão bem o diaconato.


Tobi

Depois de tanta conversa e espera, começou o culto. Era pra ser dos jovens, mas acabou como homenagem ao Pr. Marcos, pelo seu aniversário. Uma das poses sessão de fotos foi estampada no bolo. Descobri que fiquei invisível na festa. Também pudera, estava amuado num canto da igreja com uma dor de cabeça e muito sono. Tudo bem, nem tava com tanta fome assim. As bandejas esquivantes não estavam tão atrativas quanto a zangante garrafa de Tobi sabor uva. Meu Deus, como deu água na boca, mas não bebi uma gota sequer do refrigerante. Mas tudo bem, dava mil reinos por uns instantes de sossego apoiado a cabeça na parede.


Voltando de van

Ufa, que alívio! A música alta e peculiar na festa do Pr. Marcos deu sobrevida à dorzinha que eu sentia. Mas, finalmente a viagem se aproximava do fim. Mas, antes, voltamos pra nossa casa no Leblon numa van alugada, que levava de volta algumas convidadas da Núbia (esposa do Pr. Marcos). Só tinha figura na van: um grupo de cantantes quarentonas (se alguma delas vier a ler isso, entenda por “trintonas” rsrs) que cantavam alto, faziam piadas, enfim, eram tão palhaças quanto a gente. Era como se fosse a gente entrasse numa reunião das nossas mães e suas amigas, só que poderíamos rir e zuar de cada uma delas.


Arranca-rabo

Calma, não fizemos nada de mal contra o rabo do Frango nem o depenamos... rs Criamos um momento pra discutir problemas e erros de cálculos da viagem. Pingos nos “is” e “ipisilones”, com um pouco de atraso, foi meio acalorado, mas tudo bem, valeu a pena. Mas antes disso, levamos a Núbia e o Pr. Marcos para comemorarmos, juntos, o seu aniversário. Comemos numa creperia não muito longe, o que deu pra andarmos um pouco a pé, pelas ruas do Leblon. O mais bacana de tudo foi o momento de bate-papo que tivemos, coisa que não havia rolado até então por causa da correria do dia-a-dia de todo mundo. Antes de voltarmos caiu uma chuva muito gostosa, deixando o clima mais aconchegante, desmitificando a máxima “Rio 40 Graus” (fazia 16° às 2h da manhã).



Dia 11/05 (A volta) __________


Cansaço mas nem tanto

Seguiu o frio da madrugada, foi difícil acordar pela manhã. Pra variar, acordamos bem em cima da hora, chegamos atrasados no aeroporto. Mas tudo bem. Antes disso, tivemos nosso último momento de comunhão com a família do Pr. Marcos. Recebemos uma maravilhosa ministração da Palavra de Deus, e, após a leitura bíblica e reflexão, oramos todos juntos. Antes disso, entregamos os presentes que havíamos comprado (um pouco de constrangimento nessa), além de presenteá-los com nosso uniforme ao Pr. Marcos e Núbia (muita alegria nessa hora, nem queriam lavar nossas camisetas, apesar delas terem sido usadas e suadas por dois longos dias). Enfim. O vôo de volta foi bem mais silencioso que o da ida. Todos estavam cansados e eu recluso ao meu mundo autista: o medo e a dorzinha tomaram conta de mim. Mas não tinha com quem compartilhar meu medo de cada manobra, cada nuvem, cada leve e momentânea turbulência. Mas tudo bem. Éramos só cansaço, mas, em chegando em Brasília ainda encontramos força pra assistir um filme antes do culto, “Homem de ferro” (aliás, indico esperar que chegue às Sessões da Tarde da vida... rs).


Mas tudo bem. Enfim. Eis um “breve” relato de uma viagem a uma terra que deixa saudades, de um povo simpático e hospitaleiro, dos quais aguardamos um convite de novo... rs

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Sábado, 3 de Maio de 2008

O que acontecerá?


O que acontecerá quando todos se reunirem em oração pelas nações?

Tudo começou há 7 anos atrás da na África do Sul. Milhares de pessoas se reuniram em oração pelo país e buscar a Deus. Com o passar dos anos, a campanha de oração se espalhou pelas nações da África e se tornou mundial, contando com a participação de mais de 200 países em 2008. A Campanha Mundial de Oração (CMO) são 10 dias de oração ininterrupta antes do dia de Pentecostes.

Hoje, dia 3 de maio, estamos no 3º dia de oração. Quero convidar a todos para participar da campanha. Clique aqui e veja quais são os motivos de oração.

"Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se desviar dos seus maus caminhos, então eu ouvirei do céu, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra".
II Crônicas cap. 7 v. 14


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Domingo, 27 de Abril de 2008

Parênteses III - Rodando e cantando em ritmo de festa

Com a licença dos meus vizinhos e leitores, a postagem de hoje é mais uma do tipo "nem tente entender"... rs

Como se não me batasse a anterior, esta nova semana promete. Como costumo dizer "não há nada que esteja tão ruim que não possa ficar pior ainda". rs Mas não há motivo para desespero, nem choro e ranger de dentes. Se você está igual a mim, não se esqueça que Deus não se esquece de nós. Portanto, não perca a fé nem o bom humor jamais. Rode, centrifugue, cante, dance, faça tudo para a glória de Deus e em ritmo de festa.

Quero dedicar este vídeo abaixo a todos que, igual a mim estão rodando e centrifugando. rs Com vocês, um vídeo non-sense, de uma música non-sense, numa versão acústica non-sense.




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Quinta-feira, 24 de Abril de 2008

Varão de dores...

Apesar do feriado ter caído numa segunda-feira, para mim, essa semana começou dolorosamente. Literalmente falando. Como se não bastasse as dores lombares que há anos me acompanham, soma-se a elas a dor no estômago e náusea provocadas pelo remédio que eu, mais ainda dores no quadril, além de dor na gengiva, bochecha e língua (é... dois sisos resolveram despontar de uma única vez), dor por quem não é querido, dor no pulso de tanto jogar videogame, dor nos pés e bolhas no dedão... Enfim, dor de tudo que é tipo e intensidade, sou praticamente um "varão de dores", como diz a letra de uma música. rs

Na Escola Bíblica de domingo passado comentamos rapidamente da importância da dor. Citaram uma frase de C. S. Lewis que diz algo do tipo "a dor é o megafone de Deus para um mundo surdo". Além de Lewis, mencionaram outro importante escritor cristão, Phillip Yancey que defende a importância da dor, em um livro que escreveu. Nesse livro Yancey fala que uma das principais causas (por que não a principal causa?) da mutilação entre as pessoas que sofrem de lepra é sua insensibilidade à dor, pois assim, não se dão conta de quando se ferem.

Essas citações me ajudaram a pensar mais claramente sobre a questão da dor, do sofrimento e entendê-los como meio didático de Deus. Me ajudaram a pensar mas não clarearam tudo a ponto de conseguir entender o porquê de Deus permitir as inúmeras desgraças que assolam a humanidade, tampouco criar uma própria teodicéia. Longe de mim isso agora! rs Mas me lembrei de algo interessante da minha infância e acho que tem algumas implicações espirituais interessantes.

Quando eu era pequeno, sempre fui um bom garoto mas costumava (observe bem o tempo verbal usado! rs) ser muito teimoso em certas coisas. Minha vovó Maria sempre me falava: "Miniiino! Será que seu escutador tá na bunda? Aaaaah! Vou te dar uma 'tunda' pra você aprender a obedecer minino!" Veja que linha de pensamento interessante da vovó Maria: quando se fustiga uma criança com chicote ou vara de marmelo, ela aprende a dar ouvido e obedecer alguma coisa.

Penso que Deus não é tão intenso quanto a vovó Maria na hora de provocar a dor (se é que Ele só permite a dor), mas sabe como ninguém fazer uso dela pedagogicamente. A dor e o sofrimento, como mecanismos orgânicos ou sintomas, são muito importantes, sendo tanto ou mais importantes quando são emocional, não-física. Tornam-se meios pedagógicos divinos recorrentes. A dor ajuda a memória: quem leva uma "tunda'' não esquece do que não se pode fazer; ajuda também a delinear de limites: lembra dos ratinhos na caixa de Skinner?; ajuda ainda a melhorar o comportamento reflexo e nos proteger do perigo: quando se fura o dedo, as pessoas geralmente tendem a se livrar dela o quanto antes e não termina aqui.

Quando falamos da dor do ponto de vista cristão, a vemos (novamente falando pedagogicamente) como meio importantíssimo que Deus usa para forjar e refinar nosso caráter. Como eu e grande parte das pessoas que conheço estamos bem longe de poder ser comparados ao patriarca Jó ou ao verdadeiro Varão de Dores, não resisto a pensar que cada dor que sentimos tem lá seu motivo de ser. Hoje é sexta-feira e, felizmente, estou há 4 dias sem me medicar e sem sentir dor alguma. Mas quando a dor voltar, o que isso vai significar? Será que Deus quer me dar recado? Qual ensinamento Ele quer me com isso? Em qual área da minha vida ou do meu caráter Ele está trabalhando?

Eis que faltam palavras e, para não terminar aqui sem dizer nada e não ter que recorrer ao chávico termo "churi churin fun flais", termino com a expressão goiana "rensgas!"

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Sábado, 19 de Abril de 2008

O poder das palavras sem tempero

"Você não vai aprender nunca, seu burro!"
"Te odeio"
"Baixinha, gorducha e dentuça!"

Em momentos de grande destempero, não pensamos antes de falar. Dizemos coisas que nem sempre devemos falar e que, muitas vezes, não correspondem à realidade ou ao que realmente pensamos. Em momentos de ira, desferimos nossa metralhadora verbal contra quem quer que seja, até mesmo contra pessoas que amamos, sejam elas nossos pais, amigos, irmãos. Mas isso não tem importância, queremos mais é destruir, ferir, matar e arrasar aquela pessoa que, naquele momento odiamos. E, muitas vezes conseguimos isso.

Palavras são, segundo sábia analogia, como que penas jogadas de um alto de uma torre: é impossível recolhê-las todas outra vez. Nós não temos o menor controle sobre os efeitos das palavras que proferimos, principalmente quando não temos o bom hábito de nos colocar no lugar do nosso interlocutor. É de igual forma dificílimo reparar o estrago que as palavras destemperadas causam na vida das pessoas.

Costumam dizer por aí que as palavras tem poder. Essa é uma verdade que precisa ser retificada. Muitas pessoas falam nesse poder da palavra como se fosse algo mágico, como se a palavra tivesse vida em sim ou um poder místico criativo. Isso é bobagem e só se aplica em "alakazam","sinsalabim", "abracadabra". O verdadeiro poder da palavras reside no potencial destrutivo que elas possuem, quando proferidas destemperadamente.

Palavras destroem. Palavras ferem. Palavras matam. Palavras arrasam. Um xingamento, uma ofensa, uma humilhação, uma calúnia, uma mentira, uma difamação. Assim, as palavras adquirem poder de destruir sonhos, ferir sentimentos, matar a alegria de viver, arrasar com a auto-estima. Por conta disso é que a Bíblia diz em Provérbios cap.18 v.21 que "a morte e a vida estão no poder língua."

Por falar em língua, a mesma Bíblia nos ensina a vigiá-la, pois é um importante princípio da sabedoria. Estando vigilante com as palavras, pode-se assim viver uma vida de prudência e coerência (sugiro inclusive a leitura de todo o capítulo 3 do Livro de Tiago).

Para terminar, recorro mais uma vez à Bíblia, citando as sábias palavras do apóstolo Paulo: "A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um." (Colossenses cap.4 v.6).

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Terça-feira, 15 de Abril de 2008

Prazer, delícia!

Em mais um serviço de ultilidade pública, ricardoemprosa traz com exclusividade uma deliciosa receita de uma deliciosa sobremesa mais fácil e mais rápida que eu mesmo sei fazer - que ninguém duvide dos meu dotes culinários! rs

Lápis e papel na mão, lá vai a receita de:

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Iogurte Petit Suisse (tipo Chambinho):

Ingredientes:
- 01 copo de iogurte natural, sem sabor
- 01 lata de leite condensado
- 02 caixas de creme de leite
- 01 pacote de suco sabor morango (sem fazer merchand, mas prefira o Tang).

Modo de preparo:
Coloque todos os ingredientes no liquidificador e bata por aproximadamente 2 minutos. Despeje em taças de sobremesa e leve à geladeira por aproximadamente 30 minutos. E é só!
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Não se preocupe, não voltamos ao terrível tempo que, em protesto contra a ditadura militar, os editores censurados colocavam receitas de bolo de fubá na capa do jornal... Tampouco secou a fonte da criatividade. Vamos dar uma folguinha de textos indigestos e ácidos e aproveitar o prazer que essa deliciosa receita pode te proporcionar...

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Sexta-feira, 11 de Abril de 2008

Meme

"Um meme, termo cunhado em 1976 Richard Dawkins no seu "best-seller" controverso O Gene Egoísta, é para a memória o análogo do gene na genética, a sua unidade mínima. É considerado como uma unidade de informação que se multiplica de cérebro em cérebro, ou entre locais onde a informação é armazenada (como livros) e outros locais de armazenamento ou cérebros. No que diz respeito à sua funcionalidade, o meme é considerado uma unidade de evolução cultural que pode de alguma forma propagar-se. Os memes podem ser idéias ou parte de idéias, línguas, sons, desenhos capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autônoma. O estudo dos modelos evolutivos da transferência de informação é conhecido como memética.

Quando usado num contexto coloquial e não especializado, o termo meme pode significar apenas a transmissão de informação de uma mente para outra. Este uso aproxima o termo da analogia da "linguagem como vírus", afastando-o do propósito original de Dawkins, que procurava definir os memes como replicadores de comportamentos."
(Meme. Internet: http://pt.wikipedia.org/wiki/Meme. Consulta 10/04/2008.)

Bom, pra quem é completamente leigo como eu e que não entendeu patavinas do significado de "meme" no nosso contexto bloguístico, eu acho (rs) que é um modismo em que os blogueiros convidados mostram como escrevem sem o auxílio do teclado.

Quem me convidou para um meme foi o Teo Victor, muito obrigado! Quero repassar o convite para um meme para dois amigos que tenho curiosidade de conhecer a letra, a Márcia Galdinho, vulgo "Márcia Téquis" e também o Leandro Bertoletti, vulgo "Billy, o Grande". Vamos ver se algum dos dois tem letra de professorinha ou escreve em hieroglifo. rsrs

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Terça-feira, 8 de Abril de 2008

Frankensteinouska

Por mais surpreendente que isso possa parecer, eu estou solteiro e, à beira dos 25 anos (porque não dizer 30? rs) e, casamento nem está no horizonte... Outro dia falei com Deus a respeito disso. Não resisti à tentação e segui uma fórmula que havia lido quando era recém-convertido. Não lembro qual é o título do livro que li isso, mas lembro quem era o autor, o Pr. David Paul Yonggi Cho. Em tal livro ele ensina que, muitas vezes, não recebemos a bênção porque nossos pedidos de oração são vagos demais. Cho ensina e exemplifica que Deus espera que sejamos específicos em nossas orações, pois, além de comprazer em atender às minúcias de nossos pedidos, não correremos o risco de receber uma "bênção-de-Tróia". Fiz que nem o Pr. Cho ensinou e, mais específico impossível: "cabelo igual ao da Maria, voz igual ao da Tereza, o humor igual ao da Marta, espiritualidade igual à da Joaquina", enfim, remendei várias características que queria, fazendo uma verdadeira Frankensteinouska, com quem queria passar o resto dos meus dias.

Tempos depois, como era de se esperar, a Frankie não veio, me dei conta que fui um pouco exigente demais e cheguei à conclusão de que esse negócio de fazer muita exigência e especificação não está certo.

Quando dizemos a Deus o que e a forma que queremos que Ele nos conceda o que precisamos, não há nada de errado nisso. Aliás, oração é pra isso mesmo: oramos porque temos a necessidade de expor a Deus aquilo o que nos aflige, o que precisamos, etc. Porém, quando se vincula que devemos detalhar sobre uma necessidade para podermos ser atendidos, incorremos em alguns erros.

Quando dizemos a Deus como e quando Ele deve agir, perdemos, de certa forma, a humildade própria de quem está pedindo algo a alguém que lhe é superior. Nossa postura diante de Deus quando vamos lhe pedir algo, deve ser da maior simplicidade e humildade possível. "Pedir, pedir" não só é uma atitude de perseverança, mas também é uma postura de humildade ao recorrer quantas vezes for preciso até ser atendido em sua necessidade.

Afinal de contas, antes de pedirmos algo, Ele já sabe o que precisamos e concederá o que pedimos se Ele quiser. "Porque, assim como o céu é mais alto do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e o meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos" (Isaías cap.55 v.9). Lá do alto, Deus vê melhor que a gente, o que torna desnecessário aportar a Ele um meio ou um caminho para vir nos ajudar...

Não podemos ser arrogantes ao ponto de achar que Deus se obriga a conceder aquilo que pedimos do jeito que pedimos, nem temos o direito de questioná-lo caso não nos atenda nisso. Ele é extremamente soberano e não vai ser fazendo birra que vamos fazê-lo mudar de idéia. Também não podemos subestimar a inteligência de Deus, nem pensar nele como um sádico, capaz de nos conceder algo que mais tarde viríamos a nos arrepender de termos pedido ou que venha a nos prejudicar. Se pedirmos a Deus um pão, um peixe ou um ovo, Ele não vai nos conceder pedra, serpente ou escorpião. "Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal" (Jeremias cap.29 v.11).

Falo essas coisas de vivência própria. Por muito tempo pedi algo a Deus (que não a Frankie) e Ele me concedeu há pouco tempo. Pedi algo e também disse como queria que Deus agisse. Porém, a forma com que Ele agiu em minha vida não deixou dúvida que os caminhos dele e os pensamentos dele são mais altos e melhores que os meus. Deus fez mais que eu pedi e fez o mundo dar uma volta apara me abençoar.

Pois é. Se você não incorrer nesses erros acima ou em outros não mencionados e, mesmo assim continua à espera da sua Frankensteinouska (ou qualquer outro tipo de bênção), é porque você deve estar na Prova do Calendário.

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Sexta-feira, 4 de Abril de 2008

Campanha

Olá queridos amigos e leitores! Quero aproveitar este espaço aqui para criar uma campanha de oração, que vou chamá-la de "Lembrou? Orou!". Mas, em se lembrando de mim, pelo que você vai orar? rs Ok, vamos lá, compartilho aqui minhas necessidades de oração: visando resolver meus perrengues financeiros decidi entrar de cabeça no mundo dos concursos públicos. Depois de algumas "na trave", resolvi estudar pra valer. Daqui até o final do ano vou fazer muitas e muitas provas, concorrendo aos mais variados tipos de cargos e funções. Mas enfim. O que eu quero e o que eu preciso mesmo é passar o mais rápido possível em qualquer concurso. Mas, se eu for na minha própria força não vou conseguir ir muito longe...

Portanto, orem por mim! Ore para que eu tenha bom êxito nessas provas. Ore para que eu consiga ter disciplina pra estudar. Ore para que, na hora de fazer a prova, Deus me faça lembrar o que eu estudei e me revele coisas que não estudei... Ore para que caso eu não dê voz ao Espírito na hora de marcar as questões, que Deus envie o Anjo Gabaritador para consertar as marcações erradas...

Enfim. Todos os domingos de Abril estarei fazendo prova de concurso. Enquanto isso, vou orando por mim, vou estudando, fazendo minha parte. Lembrando de mim, ore por mim! rs

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Quarta-feira, 2 de Abril de 2008

Música do Céu

Outro dia estava na minha igreja com meu grupo de teatro. Participaríamos de uma reunião e, pra preparar o ambiente, resolvemos orar. Sempre que oramos nós buscamos colocar um fundo musical para dar aquele clima. Vimos perto do aparelho de som um cd gravado com o título "Músicas do céu". Pensamos "é esse que vamos ouvir" mas, quando o cd tocou, fiquei um pouco frustrado: era um cd de coletânea com músicas do Diante do Trono. Desculpe-me os leitores que gostam do Diante do Trono, mas decidimos orar sem fundo musical.

Bem, essa história da "Música do Céu" é só uma introdução da postagem de hoje, pra não perder o hábito de ser prolixo. Enfim, a postagem de hoje vai ser curta, vou mostrar a vocês um vídeo que vi essa semana, que se chama "Dança do Céu". Mas vou terminando por aqui. Vocês vão entender o porquê deu falar pouco. Esse vídeo é uma paródia gospel de uma música bem conhecida. Bem que o tema mereceria uma postagem, mas vou deixar vocês, leitores, com crédito de um cafezinho.

Enfim, confiram. Tirem as crianças da sala. Não recomendado para mulheres grávidas e hipertensos.




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Segunda-feira, 31 de Março de 2008

Chocolatárnia

(Se ao ler este texto você tiver a sensação de déjà vu, não se engane: qualquer semelhança não é mera coincidência! rs)

No princípio, Deus criou o mundo, todas as coisas, o homem, a mulher. Eles eram muito felizes por ter comunhão plena com Deus. Ele, bondoso e maravilhoso, deu ao homem e à mulher o chocolate.

Deus prometeu que o homem e a mulher morariam num lugar intangível para a mente humana, onde as ruas são de chocolate em barra e o mar é do mais puro chocolate: a Chocolatárnia. Os que entenderam e creram nessa promessa se puseram em marcha rumo a Chocolatárnia. Porém, nem todos chegam tão rápido quanto deveria. Muitos ficam no meio do caminho, buscando juntar todo chocolate possível para comer durante a caminhada. Assim, eles perdem muito tempo, se esquecendo que, em chegando rápido em Chocolatárnia, eles podem desfrutar mais cedo de todos infindáveis tipos e da infinita quantia de chocolate que ali há.

A vida é assim. Durante nossa peregrinação rumo à Terra Prometida, podemos alcançar bom emprego, saúde, sabedoria, títulos, bens materiais, riquezas. Tudo isso são bênçãos que Deus nos dá, são motivos de alegrarmos e meios para atravessarmos o percurso da vida. Essas bênçãos bem que poderiam ser meios para fazermos a obra de Deus, mas acabam se tornando condicionantes para que possamos nos dedicar à obra. Essas coisas se tornam prioridade absoluta, passando de meio para fim, nos "refenizam", nos prendem e nos atrasam.

Não perca tempo! Não se deixe envolver por demais com os cuidados dessa vida: firme em sua mente o que é essencial, o ponto final. Não se distraia durante percurso, nem arme sua rede nos oásis da vida: beba água, descanse um pouco, encha seu cantil e volte o quanto antes para o seu caminho! O mais saboroso chocolate você só vai degustar quando alcançar seu destino final...

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Terça-feira, 25 de Março de 2008

De olhos bem fechados

Uma revista de circulação local, chamada Elohim, trouxe na capa de sua primeira edição uma entrevista com o deputado federal Robson Rodovalho (Demo-DF), proprietário-fundador da Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra.

Definitivamente não gosto de acompanhar mandatos de políticos "reaça". Mas, sabendo de detalhes espúrios de sua atividade parlamentar, não pude deixar de conferir a entrevista que trazia o o curioso título "Bispo Rodovalho um político de fé e seu testemunho".

Antes mesmo de começar a ler a entrevista, tinha certeza que leria muitas bobagens. Há muitas respostas bem engedradas, dando um tom de espiritualidade um tanto artificial, além dos detestáveis e previsíveis chavões neopentecostais. Não esperava começar a ler algo relevante, mas o pior estava por vir: o que o bispo Rodovalho falaria sobre política, de certa forma tem peso, pois, expressa sua opinião como quem fala em nome dos parlamentares evangélicos.

Ao bispo Rodovalho foi perguntado sobre o papel da Igreja na Política e ele respondeu: "A Igreja precisa participar politicamente. Hoje a guerra é política, através dos decretos e das leis. E, se a Igreja não tiver soldados, será um exército que ficará à mercê do inimigo. Por isso, agora é hora de fechar os olhos e de colocar gente que vai guerrear por nós".

Bem, quanto a Igreja participar da política, sou contra. Sendo eu um homem das esquerdas, sou absurdamente contrário à reaproximação do Estado com a Igreja (seja ela qual for), pois essa participação nasce necessariamente viciada. Vejo com muita preocupação os passos da IURD (Igreja Universal do Reino de Deus) num movimento "neomedieval" querendo, claramente, solapar a ICAR (Igreja Católica Apostólica Romana), tomando todo espaço que esta outrora ocupara. Isso pode parecer Teoria da Conspiração, mas este movimento "neomedievalista" se confirma quando observamos que há muito se tem construído a candidatura do bispo Marcelo Crivella ao Palácio do Planalto. Sob o pretexto de que o Brasil será um país justo, próspero e solidário se seu presidente for um cristão evangélico, muitas denominações abraçarão a candidatura de Crivella (ou qualquer outro político semelhante) da mesma forma que abraçaram a candidatura do Anthony Garotinho.

Bem, voltemos ao que foi dito pelo Rodovalho na entrevista (mas antes ressalto que não sou contrário que evangélicos se aventurem na política).

O bispo Rodovalho propõe que a relação da Igreja com a política deva ser como uma guerra, onde os seus representantes no Parlamento serão como soldados. Fala em guerra mas não especifica quem é o inimigo. Pois bem. Questão de ordem: quem é o inimigo da Igreja? A regra (Bíblia) é clara: o Inimigo da nossa alma é o Dragão, a Velha Serpente, Santanás. Será que o Diabo anda passeando pelo Congresso Nacional?! É, está aí um primeiro equívoco do pensamento de políticos do naipe do Rodovalho: satanizar os que tem opinião contrária à sua, jogando-os contra a Igreja mesmo que esta não tenha debatido sobre tal opinião.

Em segundo lugar (prosseguindo com a esquisita alegoria de guerra), me pergunto quais seriam as armas usadas nessa guerra? Oração? Jejum? Ou seriam os decretos, leis, MPs? E quem disse que lesgislar em causa própria é legislar bem? Esta é uma atitude questionável e, se observarmos o naipe dos parlamentares cristãos, não é nada avalizante... Mas o pior não é ruim o suficiente. Os políticos, que se dizem evangélicos, ao invés de fazerem um "choque de honestidade", se adequam rapidamente às regras do jogo, dançam muito bem conforme a música da vez e não demoram muito a perfilar nas manchetes de escândalos de corrupção entre outros.

Por fim, "fechar os olhos e colocar gente" é desrespeitoso e ofensivo a nós, eleitores. Esta é uma proposta tão indecente que, desconheço algum político que por mais sórdido e canalha que seja tenha proposto tamanho absurdo. Mas alguém pode ser dissimulado o suficiente para dizer que o "fechar os olhos" que o bispo Rodovalho propõe seria um ato de fé, ou ato profético... Não! Não é isso mesmo! O que ele nos propõe é fechar os olhos para competência, aptidão, honestidade, passado que são importantíssimos parâmetros para se escolher um político. Fechando os olhos, somos coniventes e co-responsáveis pela incompetência, inaptidão, desonestidade e mau-caratismo dos políticos cristãos que elegemos.

Sinceramente, acho que quando o bispo Rodovalho fala em fechar os olhos, ele fala em benefício próprio. Certamente qual dos seus mais de 70 mil eleitores estava de olhos abertos para sua competência e aptidão política, para sua honestidade e seu passado? Qual deles teria estômago para acompanhar os meandros sórdidos do seu mandato e, conseguiria fechar os olhos para nele votar outra vez? É, se o bispo Rodovalho tiver aspiração para prosseguir na carreira política, é mesmo conveniente ter todos os seus eleitores de olhos bem fechados mesmo.
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Quarta-feira, 19 de Março de 2008

Ócio criativo

Caros leitores. Aprendi a lição de que não adianta escrever e postar textos depois das quatro da manhã (confira "Somos todos canalhas" que ficou franco e rendeu uma revisão pra corrigir um monte de erro ortográfico, de concordância, etc).

Agora são quase 2h horas da manhã, em Brasília. Pra não perder o hábito de postar compulsivamente, sem incorrer no erro anterior, vou postar algo já pronto. Não é bem um texto, mas sim uns comentários sobre uma música um tanto peculiar, chamada "Ócio Criativo", de uma banda mineira chamada Manitu. Além de fazer um merchand da banda, quero que este post seja uma homenagem a duas pessoas especiais: minha sócia em trambicagens e uma amiga que consegue fazer comentários melhor que minhas postagens e delas extrair coisas boas.

Enfim, aí vai a música (comentários entre parênteses):

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Ócio Criativo

Letra: Alexandre Maia / Música: Manitu

Menina, quando te vejo, me sinto um ócio criativo.
(Tá se achando o próprio ócio hein? Criatividade, só no nome, a rima passou longe também)


Nessa era pós-industrial,
(Bancando o intelectual hein? Bons jargões, só faltou ter sentido)

o teu olhar é o grande jogo.
(Jogo de esconde-esconde é o que tua mina vai brincar)

O meu estudo é pra te conquistar,
(Vamos estudar economia porque música não é teu forte...)

o meu trabalho é te ver passar.
(Ha, na certa você é peão de obra!)

Faço o que gosto, olha minha feição,
(Se continuar fazendo o que faz e não reparar na nossa feição, nós - o resto do mundo - vamos parar de gostar de música)

ao som do samba sinto um novo coração.
(Alguém aqui falou em samba?! Enfim alguma coisa que faz sentido nisso tudo? "samba-do-crioulo-doido"!)

Menina da Manitu... Menina!
(Não seria "Capitu"? Machado de Assis, já ouviu falar?)

Contrato o céu só pra te entender.
(Só pode ter fechado contrato com o Edir Macedo e ter pagado em dólar... Perdeu dinheiro se ela tiver tanto conteúdo como você diz...)

Nas coisas tolas lembro de você.
(Ih, a mina deve ter muito conteúdo!)

Vejo um casal apreciando o pôr-do-sol, mais uma vez eu lembro de você.
(A mina deve ter tanto conteúdo, deve ser tão recheada que deve valer por um casal!)

De fundo um som bate, brisa do mar, mais uma vez me faz lembrar de você.
("Ao fundo" por favor! Mar, baleia, queria que uma orca aparecesse do nada e te engolisse vivo...)

Meu universo expande natural.
(Brisa, expansão natural, só se for a bruma da maconha)

Nas coisas tolas que me faz lembrar de você.
(Cara, tudo bem sacanear tua mina, mas sacanear o português não dá. "Fazem", por favor!)


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Enfim. Acho que o comentário mais adequado pra essa música é "
Putz gril, que raio de música maconhada!"
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Sexta-feira, 14 de Março de 2008

Somos todos canalhas

Era uma família, de cinco ou seis pessoas que moravam apertadas num barraco de madeirite. A mãe, chefe da família, tinha lá seus trinta e poucos anos. Analfabeta, só sabia escrever o próprio nome e sabia ler o itinerário do ônibus que pegava: W3 Sul. Trabalhava aqui e acolá fazendo diárias em casas nas quadras vizinhas do supermercado de onde sempre descolava alguma coisa pra comer. Tinha quatro filhos, uma escadinha: o mais velho tinha 6 anos, a menina 5 anos, outro 3 anos e o mais novo tinha 1 ano e 6 meses. Esse último sempre estava enganchado na cintura da mãe, por onde quer que ela fosse. Os demais, peraltas que só vendo, ajudava no sustento da família vendendo pano de chão e chicletes no sinal, enquanto a irmã do meio fazia piruetas e ponte, dava estrelinha e outras estripulias que seu corpinho magro e elástico permitia. Estudar? Nenhum deles tinha tempo. A "lida", por menos rentável que fosse, era uma boa ajuda. E, com a dificuldade que a mãe tinha para conseguir escola pra eles, menos interessante era estudar.

Quando o dia não tinha diária, a mãe ia pro outro lado do semáforo. Vestia as roupinhas mais gastas, se sujava e desgrenhava os cabelos. Seu filho de colo, brincava no chão em volta dela e só vestia uma fralda de pano quase sempre molhada. Todos os dias, eles não iam embora antes de conseguir uns R$ 20,00 além da passagem.

Numa quadra ao lado do mercado vivia um talentoso pianista de vinte e poucos anos. Muitas pessoas que paravam em baixo do seu prédio ficavam por não poucos minutos, ouvindo os extasiantes exercícios que ele praticava manhãs e tardes afora. Muitas vezes, começava a tocar quando acordava e terminava lá pras oito da noite. Também pudera, era o ministro de louvor da sua igreja. Tinha bom statu na igreja, cargo importante e até remuneração interessante. Assim sendo, tinha mesmo que ensaiar quantas horas fossem possíveis para estar afiadíssimo no culto de domingo.

Tudo parecia estar em perfeita ordem quando, certo dia, o tempo que o pianista dedicava aos estudos diminuiu abruptamente. Se antes ele acordava às nove para começar a tocar, agora, nunca começava a estudar antes do meio-dia. Os exercícios que antes lhe davam horas de satisfação, passaram a ser momentos de ansiedade que pareciam não passam nunca. Desde que "ela" apareceu em sua vida, essa passou a ser sua realidade. Ela quem? "Ela", a vizinha do bloco ao lado. Sempre chegava do trabalho no mesmo horário, faltando quinze minutos pras seis horas. Talvez por descuido, ela nunca fechava a janela nem fechava a persiana do seu quarto. Entrava lá, colocava música alta, tirava a blusa e o soutien, dançava e cantava com um microfone imaginário. Essa rotina era observada pelo jovem pianista, o ministro de louvor, que até comprou um bom par de binóculos. "Ela", a vizinha do bloco ao lado mudou-se. Foi assim que o pianista trocou o voyerismo pela pornografia na internet. De início, buscava fotos amadoras e caseiras; por fim, qualquer imagem de nu lhe satisfazia. Dizia a certas pessoas que já havia visto todas as mulheres nuas do mundo. Continuava a ministrar louvor na igreja, mas não da mesma. As músicas pareciam não ter o mesmo brilho, não tinham a mesma graça de antes. Não emocionava ninguém e ele mesmo não sentia problema algum em tocar hinos que exaltavam a santidade de Deus.

Em outra quadra próxima ao mercado vivia um velhinho há tempo muito aposentado. Jogar damas com os taxistas da quadra e fazer palavras cruzadas eram hobbies, mas, o hobby preferido era passar tempo em sua fazenda que, ficava no Entorno de Brasília. Nessa fazenda havia muitas vacas leiteiras, alguns cavalos de raça. Galinhas, porcos, as plantações e hortaliças, tudo o que era servido à mesa do velhinho vinha de lá.

Muitas pessoas trabalhavam na fazenda, dentre eles um sobrinho. Bem, ele era sobrinho de consideração, pois, na verdade, era um agregado que havia conquistado a simpatia do velhinho. O sobrinho e sua família vieram tentar a sorte em Brasília, mas viram seu sonho de conquistar uma vida digna ruir. Não queriam voltar para o interiorzão de Tocantins, mas "deram a sorte" de conhecer o velhinho que de pronto os ajudou.

O sobrinho era casado e tinha três filhos: sua mulher cuidava da casa do velhinho e da horta; dois filhos já ajudavam a tirar leite, tratar dos porcos e dos cavalos e o mais velho ajudava o pai na roça. Todos trabalhavam muito em troca de muito pouco (quase nada): um salário-mínimo e uma cesta básica por mês. De fato, aquilo era pouquíssimo e sempre passavam o mês com muita dificuldade. De sol a sol trabalhavam: não tinham feriados, férias ou descanso algum. Não tinham carteira-assinada nem nada. Não achavam que tinha direito algum de reclamar (nem tinha tempo pra isso), pois o velhinho se demonstrava convicto de que os ajudava mais do que podia.

Bem, voltando ao mundo onde as semelhanças não são coincidências, se preciso for, criamos uma lista enorme de coisas que justificariam nossas ações. É fato que as pessoas não nos conhecem quem somos por inteiro, nem conhecem nossas motivações. Nem todas as pessoas são gratas o suficientes para reconhecer quanta coisa boa achamos fazemos, que nem sempre é, além da nossa conta. Hum. São todos canalhas. Somos todos canalhas. Imagina se reclamássemos reciprocidade, e a recebêssemos, que caos não seriam seus relacionamentos?

Temos o péssimo hábito de achar que o que fazemos não é observado ou percebido por ninguém, como se a máscara que usamos fosse capaz de nos esconder por inteiro. Ledo engano! Bem sabemos quem somos além do que sabemos bem o terreno onde pisamos. Esperamos que as pessoas ajam conosco de tal e tal forma sendo que, nós mesmos somos incapazes de agir (em condições normais) de tal forma. A reciprocidade que reclamamos consiste em esperar atos mais nobres do que aqueles que apresentamos em contrapartida e mais nobres ainda em relação aos quais podemos praticar.

Mas enfim. Penso que a perfeição em reciprocidade se dará quando as pessoas não pensarem em reciprocidade, quando os atos forem de fato despretensiosos. Agiremos de acordo com o que achamos ser certo, sem a preocupação que isso causará (ou não) um efeito positivo que nos atingirá. Mas a nossa realidade, à cada dia que passa, mais se distancia da perfeição que idealizamos. Temos que nos contentar com o que na verdade somos e mas não nos acomodar sabendo que não somos os únicos canalhas.

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Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008

Parênteses II

Hoje, num último ato do meu antigo trabalho, participei de uma licitação chatíssima. Meu Deus, como odeio aqueles lugares, aquelas pessoas, aquelas coisas todas... Mas, no meio da reunião eis que aparece do nada uma pessoa que usava uma perna mecânica. Por mais que ele aparentava ter desenvoltura com aquela parafernália toda, notei que ele manquejava.

Passei a pensar como seria a vida de um mutilado. Não sei se alguém pensa sempre numa perna como a parte preferida do corpo, ou um braço como a parte mais importante. Geralmente pensamos cada parte do corpo é importante porque integra o corpo. Talvez, só dimensionamos sua importância quando a perdemos e percebemos o quanto faz falta.

Hoje me senti assim. Não mutilado (estou inteirinho), mas me senti manquejando. Abrir mão de coisas que gostamos, que amamos é dificílimo. Mas, quando temos de abrir mão de algo que faz parte de nós, é tão doído quanto uma mutilação não avisada e não anestesiada. Qual será minha perna mecânica? A conferir.

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Parênteses I

Suas mãos salpicadas de pintinhas charmosas
Seus braços tão sedosos que me envolvem quando mais quero
Seus beijos que me acalmam e que eu almejo...

Claro que te amo!
Vai ser pra sempre.
Te amo mais que tudo na minha vida...

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Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008

Lei da semeadura - uma lei que não pegou

“Não vos enganeis, de Deus não se zomba, pois tudo o que o homem semear, isto também ceifará". (Gálatas cap.6 v.7)

Não sei se vocês se lembram, mas em 2004, a relação dos Estados Unidos com o Brasil foi bastante turbulenta. Nesta época foi evocada a "Lei de Reciprocidade" (em que o governo brasileiro podia fazer exigências semelhantes às que os outros países lhe cobrava), obrigando aos turistas americanos pagar uma taxa de U$ 100,oo pelo visto de entrada e ser fotografado no processo de identificação. A aplicação do princípio de reciprocidade causou bastante polêmica até mesmo entre os americanos que acusavam o procedimento, por parte dos brasileiros, de imaturo e pré-histórico. Pra piorar a crise diplomática, além frequentes e polêmicas matérias assinadas pelo repórter Larry Rother, um piloto da American Airlines, Dale Robbin Hersh foi preso ao ser fotografado pela Polícia Federal mostrando o dedo médio (aquele dedo da malcriação).

A aplicação da Lei de Reciprocidade causou grande polêmica, chegando inclusive à internet, onde um site financiado pela American Airlines bloqueou o acesso de brasileiros ao seu conteúdo. Mas, esse recrudescimento não durou muito tempo. Setores do próprio governo brasileiro lutaram contra a aplicação desse princípio, argumentando que isso poderia desestimular a entrada de turistas estrangeiros no Brasil, prejudicando o setor do turismo. Pouco tempo depois foi aprovada no Congresso Nacional uma lei que flexibilizava a Lei de Reciprocidade, facilitando a entrada de turistas estrangeiros no Brasil.

Bem, mas o que tem a ver a Lei da Reciprocidade com a Lei da Semeadura? Simples, absulotamente tudo a ver: o princípio de ambas é que à cada pessoa é devolvido o que foi feito, quer seja bom ou ruim. A Lei da Semeadura é a versão bíblica e espiritualizada da Lei da Reciprocidade, sendo essa a versão mais requintada do Código Hammurabi. E, tal como a Lei da Reciprocidade não pegou, a Lei da Semeadura também não pegou. Palma, palma, não priemos cânico! Pode guardar seu "heresiômetro" que não tô doido por contrariar a Bíblia, vejamos:

A Lei da Semeadura funciona sim e perfeitamente bem. Ela só funciona no plano vertical dos relacionamentos, no plano espiritual da coisa. Se semearmos espírito, colheremos vida eterna; se semearmos carne, colheremos corrupção. É certo que, em Deus, tudo o que se planta dá. E essa colheita está intimamente relacionada à semeadura. Colhemos o que semeamos na proporção de 30, 60 ou 100 por 1.

Mas, no plano horizontal dos relacionamentos, a lógica da Lei da Semeadura (ou Reciprocidade) não funciona muito bem. Quem nunca semeou a mais canina da lealdade e, em troca, não foi sacaneadamente traído? Quem nunca dividiu o último Ferrero Rocher a quem nem lhe oferece um pedacinho de um Chokito (quer chocolate pior que o Chokito)? Quem nunca semeou gentileza e camaradagem e colheu rispidez e desprezo? Quem nunca ofereceu uma das faces e levou um tapa na outra?

É... A vida é assim mesmo, cheio dessas contradições. É norma, dar vontade de desistir e chutar o pau da barraca. Mas nem sempre vale a pena. Não podemos condenar ninguém por nos tratar de forma diferente da que a tratamos (ou trataríamos). Às vezes mudamos de lado do balcão, trocamos de papel e vamos do mais belo mocinho pro mais asqueroso monstro japonês. Nossa natureza é naturalmente má e são poucas as vezes que fazemos coisas boas sem querer algo em troca. Afinal, "Somos todos canalhas".
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