terça-feira, 23 de março de 2010

Bem estranho

Na noite passada tive um sonho. E foi um sonho estranho, bem estranho.

Estava com uma doença grave, um tipo de câncer, sei lá, talvez leucemia. Sabia que era câncer porque havia decidido rapar a cabeça antes mesmo do tratamento fazer cair meus cabelos. Assim que saí do barbeiro fui comprar uma peruca black-power, vermelha, igual de palhaço.

Parece que lidava bem a doença. Estava num humor mais afiado que nunca, não perdia um gracejo e fazia pouco caso da gravidade da doença e da falta ou excesso de tato de meus amigos com relação ao assunto. Levava minha vida normalmente e até acordava mais cedo pra correr no calçadão.

Demorou certo tempo até começar o tratamento de radio, quimio, sei-lá-que-terapia. Em pouco tempo havia perdido muito peso e estava muito feliz com isso. Mas, com o passar das semanas, bom humor se esvaiu, junto com minhas forças. Sentia-me fraco, debilitado. Sentia uma dor constante, muitos enjoos e um cansaço que não me deixava sair da cama, mesmo não conseguindo dormir bem.

Sentia algo estranho, alegria e melancolia (pra não dizer tristeza) concomitantes, não sei se sentia paz por ter certeza que a morte era iminente. Decidido estava em não mais prolongar o tratamento fui ao médico avisar da minha decisão. De início, obviamente ele não aceitou. Sucedeu a seguinte conversa: "Doutor, sei que o que estou fazendo não é suicídio, muito menos eutanásia! Pode parecer pouco, mas acho que já vivi o suficiente. Colecionei amigos, inimigos, sonhos, frustrações. Já deu... Não estou triste, nem me sinto derrotado. Penso que já cumpri minha carreira aqui na Terra. Não quero correr da morte, pelo contrário, e digo até que estou feliz apesar dela. Eu tenho um encontro marcado no céu e não posso me atrasar, não posso procrastinar. Doutor, o senhor me entende?" A resposta foi um suspiro de um "sim".

Do consultório saí para fazer o que achava ser minha despedida da vida. Acompanhado de diletos amigos jantei um delicioso empadão. Subimos a Serra Dourada para admirar as estrelas e os primeiros raios do sol. Descemos as montanhas, que aventura! Renovamos nossas forças num banho de cachoeira e no lago cristalino e não fundo que havia lá. Descemos as corredeiras do rio de bote e o dia acabou, pouco depois da aventura de matar uma cobra de duas cabeças. Armamos acampamento e nos aquecíamos em volta da fogueira, conversando amenidades e rindo de histórias repetidas. Caí num longo sono sem sonhos e... acordei desse sonho...

2 pitacos:

Claudia disse...

Curioso, criei um blog só pra contar sonhos, depois dá uma passada.

http://eunaopossocontar.blogspot.com/

ricardo disse...


Oi Craudinha, saudade de tu!!!

Pois é, vira e mexe tenho uns sonhos estranhos. Mas como mal dou conta de manter esse blog aqui, vou postá-los aqui mesmo... rs

beijos, ricardo