Meu álbum de fotografias é meu, apesar de não ter sequer uma foto minha. Há muitos rostos talvez familiares mas são pessoas que nunca vi, e não as conheço. São pessoas engraçadas, gordas ou magras, feias, mal arrumadas ou mal retratadas por causa do flash, porque não olhou para a câmera ou de perfil saem melhor... São fotos amassadas, coladas e coladas no meu álbum, devidamente organizadas. Meus álbum está comigo, já foi visto por alguns, mas continua bem guardado comigo.
Às vezes, quando folheio meu álbum, fico imaginando como seria a risada desses meus desconhecidos. Minha mente sempre cria risadas engraçadas, "desengonçadas", desafinadas, escandalosas. Só de imaginá-las fico rindo. Outro dia percebi que as risadas mais familiares são, na verdade, distorcidas risadas de pessoas que conheço...
Por falar em "outro dia", um xará disse que sentia cheiro de uma certa senhora. Mas ela estava se aproximando, isso todo mundo sabia, era óbvio que já podíamos sentir seu perfume no ar. Mas meu olfato me traiu... Senti o perfume dessa senhora na mesma intensidade que também senti certo aroma mentolado no ar. Pensei que era uma coisa, mas era outra. De tudo posso dizer que foi um alarde falso do meu olfato. Vai entender o porquê né? Ah, quem vai entender se eu parei de tentar entender há muito tempo? Desaconselho quem intenta se aventurar nesse caminho sinuoso, viu? Não confie no seu tato...
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