sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A Pandora da minha caixa

Aquela caixa que estava devidamente embalada e guardada de repente aparece no meio do caminho escancarada. Um susto e uma aflição pois como foi que ela parou ali, literalmente no meio do caminho? Um arrepio percorre todo espinhaço refreia e embala uma confusão de pensamentos. Não é pouco não controlar os pensamentos e há que se encarar um choque de emoções recalcadas e desenterradas pelo aroma de anis que invadiu o ambiente.

Pandora, por que deixaste abrir a caixa? Que bens encontraram nela?

Chega a ser engraçado como pode um pequeno objeto fazer o mundo girar como um cilindro de máquina de lavar... Ver o mundo centrifugado diante dos olhos e as ideias derretendo e se baralhando-se é um barato nauseante. Que fazer, tampar a caixa? Guardá-la amarrada num lugar mais alto? Colocá-la num barril e despedi-la cataratas abaixo? Enterrá-la numa caixa do tempo?

Ainda que pasmar-se assim seja um exagero (afinal de contas, é só uma caixa e recordações não são fantasmas nem esqueletos no armário) um quê de segundo sinal paira no ar. É aí que uma inquietante dúvida transpõe o idioma e transcende o corretismo de um texto em prosa e o lirismo de um texto em verso: pourquoi faire revivre les jours tristes

São tantas perguntas não respondidas, tantas histórias não resolvidas e tantos posts mal-acabados - aqui vai mais um.

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PS. Qualquer semelhança entre este post e a cena política de Brasília terá sido uma mera e infeliz coincidência

1 pitacos:

Lê Cami disse...

os comentários estão rolando no buzz. Ainda espero, no entanto, saber a história verídica por trás dos fatos metafóricos-semiliterários...